MULHERES
12/11/2018 04:00 -02 | Atualizado 12/11/2018 15:50 -02

3 sinais de que você está sendo vítima de abuso financeiro

Segundo fundação americana, esse tipo de abuso ocorre em 99% dos casos de violência doméstica.

Serena Williams é embaixadora da Allstate Foundation Purple Purse, que tem o objetivo de acabar com a violência doméstica por meio do empoderamento financeiro.
Allstate Foundation Purple Purse
Serena Williams é embaixadora da Allstate Foundation Purple Purse, que tem o objetivo de acabar com a violência doméstica por meio do empoderamento financeiro.

É fácil perceber um olho roxo ou um osso quebrado. Mas muitos dos outros sintomas da violênciadoméstica são invisíveis para quem está olhando de fora. Isso é especialmente verdadeiro quando se fala de abuso financeiro, que ocorre em 99% dos casos de violência doméstica, segundo um levantamento da Allstate Foundation Purple Purse, uma campanha que procura acabar com a violência doméstica por meio do empoderamento financeiro.

A tenista e defensora dos direitos da mulher SerenaWilliams fez do tema uma de suas missões pessoais. Williams, que integra o conselho de administração da Oath, empresa dona do HuffPost, participa da campanha Purple Purse como embaixadora da causa pelo segundo ano consecutivo.

"Nos Estados Unidos, uma em cada quatro mulheres vai sofrer violência doméstica em sua vida, e, em quase todos os casos, também ocorre abuso financeiro", disse ela ao HuffPost. "Toda vez que menciono essa estatística fico chocada -- essa mulher pode ser uma amiga, alguém da família, uma colega. Temos de melhorar e diminuir esse número."

"Uma das formas mais invisíveis da violência doméstica é o abuso financeiro", diz Williams. Ele pode ter várias formas e varia de relacionamento para relacionamento, mas a característica comum é o uso do dinheiro como instrumento de manipulação.

O que é abuso financeiro?

"Os abusadores usam as finanças como arma para manter as vítimas presas em relacionamentos tóxicos e perigosos", diz Williams. Seja com o controle do acesso ao dinheiro ou sabotando o crédito da parceira, os abusadores querem impedir que as mulheres possam fugir dos relacionamentos abusivos.

Apesar de quase 1 em cada 4 mulheres e 1 em cada 7 homens terem sofrido violência física em seus relacionamentos durante a vida, o abuso doméstico raramente é discutido. Pouco mais da metade das pessoas entrevistadas na pesquisa da Allstate afirmaram que elas próprias ou alguém que elas conhecem foram vítimas de violência doméstica ou abuso financeiro, mas somente 44% falaram do assunto com parentes ou amigos.

3 sinais de abuso financeiro

Como o abuso financeiro não é tão óbvio quanto a violência física, pode ser difícil percebê-lo. Mas, se seu parceiro exibe algum dos comportamentos descritos abaixo, é provável que ele esteja abusando financeiramente de você.

1. Limitando seu acesso ao dinheiro ou controlando seus gastos

Como uma reserva financeira muitas vezes é a chave para fugir de um relacionamento tóxico, os abusadores querem garantir que suas vítimas não tenham dinheiro suficiente para viverem de forma independente. "O abusador pode limitar o acesso ao dinheiro ou a cartões de crédito", diz Ellen Lisak, da área de comunicação da Allstate Foundation Purple Purse. Eles podem, por exemplo, exigir que você entregue seu salário ou as senhas das contas do banco.

Eles também podem monitorar de perto seus gastos, diz Lisak. "Você não tem flexibilidade para fazer compras de supermercado, comprar roupas para seus filhos ou até mesmo coisas normais do dia-a-dia", afirma ela.

Manter a parceira 100% dependente para os gastos indispensáveis significa garantir que elas não serão capazes de fugir, mesmo que queiram -- sem falar no dinheiro necessário para encher o tanque do carro ou pagar diárias de um hotel.

2. Interferindo no seu trabalho

Outro sinal importante de abuso financeiro é se seu parceiro tenta limitar sua capacidade de ter rendimentos próprios, impedindo que você tenha um emprego. Eles podem aparecer no seu trabalho e causar problemas que provoquem uma demissão, por exemplo. Outra ocorrência comum é que o abusador sabote sua rotina e te impeça de fazer seu trabalho direito, por exemplo pegando seu carro sem permissão ou então prometendo cuidar dos filhos, mas não cumprindo.

3. Estragar seu crédito

Finalmente, outra tática que Lisak diz ter observado é interferência no crédito. Alguns abusadores estouram os limites dos cartões de crédito e deixam de pagar contas em seu nome. "Isso pode ter efeito bola de neve", diz ela. Se seu crédito não é bom, por exemplo, você pode ficar impedida de alugar um apartamento -- o que na prática pode significar que você terá de continuar morando com uma pessoa abusiva.

Recursos para as vítimas

A Allstate Foundation Purple Purse foi fundada em 2005 para educar vítimas sobre os efeitos do abuso doméstico e financeiro, além de levantar recursos para a prestação de serviços.

Um desses serviços é o currículo Moving Ahead, criado em parceria com a National Network to End Domestic Violence. O programa, que pode ser baixado livremente (em inglês) e tem validação acadêmica da Universidade Rutgers, promove o empoderamento financeiro por meio de educação sobre temas como orçamento, objetivos financeiros e poupança para a aposentadoria.

O currículo começa com uma visão geral do abuso financeiro e as medidas que as vítimas devem tomar para fugir dele.

1. Avaliar seu nível de confiança em relação a assuntos financeiros.

2. Obter informações sobre seu patrimônio e suas dívidas.

3. Começar a economizar dinheiro imediatamente.

4. Buscar a independência financeira, um passo de cada vez.

A partir daí, as vítimas podem começar a aprender os fundamentos das finanças pessoais, como melhorar seu crédito, preparar um orçamento e assim por diante. O programa também inclui modelos de orçamento e dicas práticas.

Quando se trata de apoiar vítimas de violência doméstica e abuso financeiro, Williams diz que há muitas coisas que podemos fazer.

"Comece uma conversa. Seja presente. Ouça sem julgar. Aponte as pessoas para a direção certa, onde elas terão ajuda", disse ela.

Não importa o seu grau de envolvimento, uma coisa é clara: ficar quieto não é mais uma alternativa.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.