POLÍTICA
12/11/2018 15:17 -02 | Atualizado 12/11/2018 15:39 -02

Novatos na Câmara articulam bancada liberal para combater privilégios e votar reformas

Deputados eleitos calculam que ao menos 30 compartilham ideário "reformista" para fortalecer o liberalismo no País.

Reprodução/Facebook
Deputados eleitos Vinicius Poit e Adriana Ventura (Novo) e Kim Kataguiri (DEM) articulam bancada liberal na Câmara.

Um grupo de novatos eleitos em 2018 já começa a se articular na Câmara dos Deputados para formar um bloco liberal na casa a partir do próximo ano. São deputados eleitos pelo Novo, PSL, PSDB, PPS e DEM que defendem bandeiras como a aprovação de reformas e o combate a privilégios.

"É uma possibilidade real, já temos cerca de 30 parlamentares que comporiam o bloco e temos a expectativa de ampliar esse número ao conversar com outros partidos", disse Kim Kataguiri (DEM) ao HuffPost Brasil.

De acordo com o deputado eleito por São Paulo, a prioridade do bloco seria aprovar a reforma da Previdência.

"Tenho conversado com o Paulo Guedes [futuro ministro da Economia] e acredito que na parte econômica vamos ter bastante convergência [com o governo Bolsonaro]. O que vier de projeto liberal a gente aprova."

O ponto-chave para a aprovação da reforma da Previdência na Câmara é a dúvida sobre qual versão do texto irá para votação. O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) tem defendido a aprovação parcial em 2018 pelo Congresso do projeto sugerido por Michel Temer (MDB), mas não deixa claro se cederá a pressões de parlamentares e servidores públicos.

No projeto atual defendido por Bolsonaro, a idade para aposentadoria seria de 56 anos para mulheres e 61 anos para homens.

Para economistas preocupados com a questão fiscal do País, a reforma deveria ser mais dura, com idade mínima de aposentadoria para 65 anos.

Sem privilégios

Jair Bolsonaro já sinalizou que pode não alterar o regime previdenciário dos militares. Na última semana, porém, a cúpula das Forças Armadas entregou ao presidente eleito uma proposta para a aposentadoria dos generais.

De acordo com os militares, as mudanças na Previdência só seriam aceitas caso houvesse reajuste dos salários das altas patentes. O aumento teria efeito cascata dentro da hierarquia militar.

No projeto apresentado a Bolsonaro e Paulo Guedes, os militares defendem: o aumento do prazo de permanência na ativa de 30 para 35 anos; a idade mínima para aposentadoria de 55 anos para homens e mulheres; e o pagamento da contribuição também por cabos, soldados, alunos das escolas de formação militar e pensionistas.

Os deputados do Novo Vinicius Poit e Adriana Ventura discordam de possíveis "privilégios" da reforma da Previdência a determinadas classes, como os militares.

"A reforma da Previdência tem que ser igual para todo mundo", disse Poit, em entrevista ao HuffPost.

"Todo mundo vai sofrer mais um pouco, todo mundo vai ter que trabalhar mais um pouco. É a realidade, doa a quem doer", afirmou Adriana Ventura ao HuffPost.

Caso o texto contemple assimetrias, os deputados do Novo afirmam que vão fazer oposição à reforma defendida por Bolsonaro.

Sobre o governo do PSL, o Novo se declara independente. "Não seremos base ou oposição. Mas é lógico que ninguém faz política sozinho. É preciso diálogo", afirma Poit.

Outras demandas da bancada liberal

Além da Previdência, está na pauta dos que querem formar uma bancada liberal as reformas política e tributária.

"Precisamos garantir a unificação ao máximo dos impostos sobre consumo. Isso vai deixar a vida do empreendedor mais simples sobre quais impostos ele deve pagar ou não, sem a necessidade de um contador", explica Kataguiri.

Os deputados da bancada liberal também defendem os cortes de mordomias a parlamentares, como auxílio moradia, verbas de gabinete, assessores e cotas parlamentares.