11/11/2018 00:00 -02 | Atualizado 12/11/2018 14:31 -02

Diane Portela: A redescoberta da escrita ao produzir seus próprios cadernos

Ela descobriu na encadernação um meio de vida com movimento e afeto: “A emoção nos olhos da pessoa que faz seu próprio caderno pela primeira vez é indescritível”.

Diane Portela é a 249ª entrevistada do "Todo Dia Delas", um projeto editorial do HuffPost Brasil.
Juh Almeida/Especial para o HuffPost Brasil
Diane Portela é a 249ª entrevistada do "Todo Dia Delas", um projeto editorial do HuffPost Brasil.

Aos 32 anos, Diane Portela se divide entre o Grupo X de Improvisação em dança – tradicional grupo de Salvador – e seu ateliê numa das belas esquinas do Rio Vermelho, bairro boêmio de Salvador. Sempre sensível à arte e suas nuances, ela se formou em Dança na Universidade Federal da Bahia (UFBA), e embarcou em seguida para a Argentina, onde viveu por aproximadamente dois anos.

Por um feliz acaso, encontrou pelas ruas de Buenos Aires um cartão de visita de um ateliê que oferecia oficinas de encadernação manual – viva a imortal curiosidade dos adultos atentos. Ao contar a anedota, ela cita Galeano: "Se conheceram por casualidade, que é como se costumam conhecer grandes amores."

Fazer seus próprios cadernos é um exercício de total autonomia.

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A sutileza do trabalho manual exige de Diane paciência e leveza - que, por sinal, não lhe faltam.

O achado reportou-a a uma doce memória de infância: "Meu primeiro caderno manual – tenho até hoje! – foi o meu avô que me deu. Ele fazia com tanta primazia, com tanto amor, que criei um laço verdadeiro com os trabalhos manuais". Ela se aprimorou no ofício com cursos e workshops na Argentina e no Brasil, até receber uma encomenda de um amigo que adorou o resultado e resolver, enfim, levar a encadernação como ofício.

Foi então que inaugurou o "Café a Trois", um ateliê em sociedade com outros dois amigos artistas. O projeto durou aproximadamente dois anos, mas está em "stand by" porque os sócios de Diane precisaram se dedicar a outros projetos. Pensa que ela parou? Não. Criou o Diversa, seu ateliê, onde produz cadernos manuais para empresas e consumidores finais, e oferece oficinas de encadernação manual principalmente para mulheres.

Sempre que compartilho meu conhecimento, revivo a emoção de produzir meu primeiro caderno.

Juh Almeida/Especial para o HuffPost Brasil
"Se conheceram por casualidade, que é como se costumam conhecer grandes amores."

A sutileza do trabalho manual exige de Diane paciência e leveza – que, por sinal, não lhe faltam. Cada etapa do processo de encadernação está ligada indissociavelmente ao próprio processo de escrita, e o cuidado impresso em produzir os próprios cadernos ressignificou a relação de Diane com as próprias narrativas. "Você desenvolve um outro sentimento pelos seus escritos quando você mesma produz seus cadernos, como se fossem diários pessoais", explica.

Apesar do amor pela encadernação e do sucesso nesse ofício, Diane nunca abandonou a dança: segue em um dos grupos de improvisação em dança mais ativos da cidade, e busca correlacionar cotidianamente os dois segmentos de arte aos quais se dedica.

Juh Almeida/Especial para o HuffPost Brasil
Para Diane, a verdade universal de que arte e compartilhamento andam de mãos dadas.

O sentido que Diane dá à sua própria arte é compartilhá-la: testemunhando as sensações de outras pessoas ao descobrirem a delicadeza do trabalho manual, ela revive suas próprias sensações e memórias – e ratifica a verdade universal de que arte e compartilhamento andam de mãos dadas.

Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto: Nathali Macedo

Imagem: Juh Almeida

Edição: Andréa Martinelli

Figurino: C&A

Realização: RYOT Studio Brasil e CUBOCC

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