POLÍTICA
09/11/2018 19:32 -02 | Atualizado 09/11/2018 21:02 -02

Bolsonaro diz que crise com árabes por embaixada em Israel é 'frescura'

Egito cancelou viagem de chanceler brasileiro depois que presidente eleito reafirmou intenção de transferir embaixada para Jerusalém.

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) fez transmissão ao vivo pelas redes sociais.
Reprodução
O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) fez transmissão ao vivo pelas redes sociais.

Em transmissão ao vivo pelas redes sociais no início da noite desta sexta-feira (9), o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) minimizou a crise diplomática aberta com o mundo árabe após ele anunciar a intenção de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

O anúncio levou ao cancelamento, pelo Egito, de uma viagem que o atual ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, faria ao país com empresários brasileiros. Oficialmente, os egípcios alegam mudanças na agenda de autoridades do país.

"A bronca: [disseram que] suspenderam uma ida de empresários ao Egito porque o Bolsonaro falou 'não sei o quê'. Pelo amor de Deus, pô, pelo amor de Deus. Vai dar bola para isso, poxa?", questionou Bolsonaro na transmissão. "Quem decide a capital de Israel é o Estado de Israel. O Brasil não mudou a capital do Rio para Brasília? Teve algum problema?"

Para Bolsonaro, criar polêmica em torno do tema é "frescura".

"Eu gostaria que esses problemas e outros que existem na região do Oriente Médio fossem resolvidos há muito tempo, nós queremos a paz. Agora, criar um cavalo de batalha porque a capital vai sair de Tel Aviv para Jerusalém ou não vai... Vamos parar com essa frescura, pô, parar com essa frescura."

O presidente eleito também rebateu críticas da imprensa de que ele estaria criando "trapalhadas internacionais". "Estamos tendo conversas maravilhosas com todos os países, o pessoal tem me visitado aqui em casa."

Mudar a embaixada de local significa reconhecer Jerusalém como capital de Israel, o que a ONU (Organização das Nações Unidas) não só não faz como já pediu aos países que não sediem missões diplomáticas na cidade.

Para os palestinos, Jerusalém deveria ser a capital de seu Estado independente. O Brasil reconheceu o Estado palestino em 2010 e sempre teve boas relações com os países árabes.

Crítica ao Enem

Em 30 minutos de transmissão, Bolsonaro também criticou a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que neste ano trouxe uma questão sobre linguagem LGBT. Ele disse que seu governo buscará ter acesso às provas com antecedência para evitar esse tipo de abordagem.

"Fiquem tranquilos, não vai ter questão sobre isso no ano que vem, nós vamos tomar conhecimento da prova antes", afirmou. O exame é formulado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), subordinado ao MEC (Ministério da Educação).

Para Bolsonaro, questões de gênero e sexualidade não devem ser tratadas na escola.

"Quem ensina sexo é papai e mamãe e ponto final, acabou", disse. "O pai e a mãe têm que ter a garantia e a tranquilidade de que quando o filho está indo para a escola não é para aprender sexo, não. Queremos mudar isso. Ninguém quer impor nada, mas queremos a normalidade."

Turismo e meio ambiente

Bolsonaro voltou a defender a "exploração da biodiversidade da Amazônia" e o investimento em turismo em regiões como Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ).

"Se a baía de Angra estivesse nas mãos dos espanhóis, por exemplo, que gostam fazer turismo, [a região] estaria estaria faturando bilhões por ano. Não está porque tudo é estação ecológica", afirmou.

"Queremos baía de Angra, Barra do Ribeira [em Iguape, SP], Cananéia [SP], Ilha Comprida [SP] e outras regiões, não é demarcar como parque nacional, estação ecológica, unidade de conservação, seja lá o que for. Não queremos isso, queremos fazer turismo nessas regiões (...) O turismo preservaria o meio ambiente, não dessa forma xiita que o Ibama vem fazendo até hoje."

Desemprego

Em relação às medidas para a geração de emprego e renda, Bolsonaro repetiu o que disse durante a campanha eleitoral: "Temos que decidir: todos os direitos e desemprego ou menos direitos e emprego". Nesta semana, o presidente eleito disse que vai extinguir o Ministério do Trabalho.

O Brasil tem hoje mais de 12 milhões de desempregados. Segundo Bolsonaro, o excesso de direitos acaba desestimulando o empreendedorismo no País.

"O Brasil é o país dos direitos. Tem direito para tudo, só não tem emprego. O que nós queremos? Destravar a economia", afirmou. "Quem quer ser patrão no Brasil hoje em dia? Ninguém quer."