POLÍTICA
07/11/2018 11:10 -02 | Atualizado 07/11/2018 16:48 -02

Senado pode votar aumento para STF enquanto Bolsonaro pressiona por cortar gastos

"Obviamente, não é o momento", disse o presidente eleito, ao ser questionado sobre a decisão do presidente do Senado de pautar o reajuste.

Jair Bolsonaro e o presidente do STF, Dias Toffoli, em encontro em Brasília, nesta quarta (7). REUTERS/Adriano Machado
Reuters
Jair Bolsonaro e o presidente do STF, Dias Toffoli, em encontro em Brasília, nesta quarta (7). REUTERS/Adriano Machado

O presidente eleito Jair Bolsonaro está prestes a receber um presente amargo do Senado Federal. Enquanto pressiona para cortar gastos, com a tentativa de aprovar parte da reforma da Previdência, Bolsonaro recebeu a notícia de que o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), pautou para esta quarta-feira (7) a votação do aumento no salário dos ministros do STF de R$33 mil para R$ 39 mil.

O reajuste tem efeito cascata, eleva o teto do funcionalismo público e concede automaticamente aumento para as carreiras de juízes, procuradores, promotores e parlamentares. O impacto estimado é de R$ 6 bilhões por ano.

"Obviamente não é o momento (de encarar mais despesas). Estamos terminando o ano com déficit, vamos começar o outro ano com déficit. Quando se fala em reforma da Previdência sempre existem sacrifícios, por mais que alguns digam o contrário. E todos têm colaborado para que o Brasil saia dessa crise. O poder Judiciário em um gesto de grandeza, com toda certeza, não fará tanta pressão assim por esse aumento de despesa agora, no meu entender", afirmou o presidente eleito aos jornalista na manhã desta quarta-feira, em visita a Brasília.

Bolsonaro disse que só vai se pronunciar sobre pedir ao presidente Michel Temer que vete a proposta depois que o Senado apreciar o texto. "Sabemos que o Judiciário é o mais bem aquinhonhado entre os poderes, a gente vê (a proposta) com preocupação. Espero que o Parlamento, por sua maioria, decida da melhor maneira essa questão."

O capitão reformado do Exército pregou a unificação entre os três poderes para combater a crise. "O que está em jogo é o futuro do Brasil. Estamos em uma profunda crise ética, moral e econômica. A responsabilidade tem que ser dividida por todos."

Não vai ser uma pessoa que vai salvar o Brasil, é um conjunto e nesse conjunto estão todos os integrantes dos três poderes.

Reforma da Previdência

Apesar da possibilidade de o Senado aumentar as despesas, Bolsonaro diz acreditar no avanço da reforma da Previdência ainda este ano. Ele se reunirá com parlamentares que articulam a matéria no Congresso. Há possibilidade de que parte do texto seja levado ao plenário via projeto de lei ordinária ou complementar, em vez de proposta de emenda à Constituição -- que exige mais votos para ser aprovada.

"É um desgaste votar reforma da Previdência e não vou me furtar desse compromisso", reiterou. "Alguma coisa tem que avançar."

Entre as medidas para a economia, Bolsonaro afirmou que a intenção para o próximo ano é manter a independência do Banco Central.

"A gente quer inflação baixa, juros baixos, dólar compatível, que comece a pagar a dívida internado, ou que pelo menos ela não cresça, a gente quer diminuir a carga tributária. Botei na mesa essas questões e o nosso economista Paulo Guedes disse que são possíveis, desde que certas medidas sejam tomadas e passam pela independência do Banco Central."