POLÍTICA
07/11/2018 08:53 -02 | Atualizado 07/11/2018 08:53 -02

SBT resgata 'Brasil, ame-o ou deixe-o', slogan da ditadura

Vinheta foi retirada do ar após críticas.

Vinheta exibida pelo SBT levou slogan da ditadura para a TV.
Reprodução/SBT
Vinheta exibida pelo SBT levou slogan da ditadura para a TV.

Depois de ser criticado nas redes sociais por colocar no ar uma vinheta com a frase "Brasil, ame-o ou deixe-o", famoso slogan da ditadura brasileira (1964-1985), o SBT retirou a peça de circulação.

A vinheta começou a ser exibida nesta terça-feira (6), nos intervalos da programação, mas teve vida curta. Em nota enviada à imprensa, a emissora afirma que cometeu um "equívoco" ao não notar que o slogan remete ao regime militar.

"Brasil, ame-o ou deixe-o" fez parte da propaganda estatal do governo do general Emílio Médici, que governou o Brasil de 1969 a 1974.

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, o SBT informou que a exibição da vinheta não tem relação com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República. Capitão reformado do Exército, Bolsonaro é defensor dos militares e da ditadura.

Ao menos uma vinheta com mensagem nacionalista, contudo, ainda está no ar. Na peça, imagens de pontos turísticos do Brasil como o Masp (Museu de Arte de São Paulo), o Cristo Redentor e o Elevador Lacerda são mostradas ao som do hino nacional, com a frase "Eu te amo, meu Brasil" exibida ao final.

De acordo com o blog Notícias da TV, do UOL, um funcionário com cargo alto no SBT informou que a vinheta foi uma ordem direta de Silvio Santos, dono da emissora, "que tradicionalmente tenta manter o SBT como uma rede de apoio para o governante do País, independentemente do partido".

Repercussão

A deputada estadual Manuela d'Ávila (PCdoB-RS), candidata a vice-presidente na chapa derrotada de Fernando Haddad (PT), publicou a vinheta em seu Instagram e criticou a peça.

"Eu te amo, meu Brasil, eu te amo, meu coração" e "Brasil, ame-o ou deixe-o" são propagandas da ditadura militar. Nós amamos o Brasil. O de todas as cores, credos e opiniões políticas. Enaltecer a ditadura não é amar ao Brasil, mas repugnar a democracia e as conquistas da Constituição de 1988", escreveu.

"'Brasil, ame-o ou deixe-o' não é sobre amor e patriotismo. É sobre a violência do exílio e do desterro. Tirem o cavalinho da chuva: VAMOS FICAR, lutar e defender a democracia. Por amor ao Brasil", continuou Manuela.