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07/11/2018 15:01 -02 | Atualizado 07/11/2018 15:01 -02

Avenida e ponte voltam a homenagear presidentes da ditadura militar

Decisão judicial no DF determinou que ponte voltasse a se chamar Costa e Silva. Em Porto Alegre, avenida é novamente Presidente Castelo Branco.

Para os defensores do retorno da homenagem a Costa e Silva, mudança do nome da ponte teve o único objetivo de "reduzir a importância do político na história do Brasil".
Montagem/Divulgação/WikiCommons
Para os defensores do retorno da homenagem a Costa e Silva, mudança do nome da ponte teve o único objetivo de "reduzir a importância do político na história do Brasil".

A troca do nome da ponte Costa e Silva, em Brasília, para ponte Honestino Guimarães com a intenção de manter viva a memória da luta nos tempos de chumbo durou pouco mais de 3 anos. Decisão da Justiça do Distrito Federal derrubou a homenagem ao estudante morto na ditadura e a ponte voltou na terça-feira (6) a se chamar Costa e Silva, em referência ao ex-presidente militar.

O mesmo ocorreu em Porto Alegre no fim de setembro. Lá, a Avenida da Legalidade e da Democracia recuperou o nome que lhe deram em 1973: Avenida Presidente Castelo Branco, em referência ao primeiro presidente da ditadura militar.

Os dois casos tiveram entendimento semelhante pela Justiça -- de que houve erro processual --, e cabe recurso, em ambos, à instância superior. No Rio Grande do Sul, o projeto foi aprovado pela Câmara de Vereadores em 2014, mas foi apresentada uma queixa de que não havia votos necessários em plenário para a alteração. As placas foram trocadas no fim de setembro.

Já no Distrito Federal, o argumentou acatado pela Justiça foi o de faltou uma consulta popular. A ação de autoria de oito moradores do DF alega ainda que apenas o governador poderia sugerir a troca do nome. Uma das autoras, a deputada federal eleita Beatriz Kicis (PRP) comemorou a decisão: "Hoje o TJDF fez justiça e devolveu o nome da ponte Costa e Silva aos moradores da cidade".

No pedido, os autores alegam que o "único objetivo foi apagar a lembrança do Presidente Costa e Silva e reduzir a importância do político na história do Brasil". Para eles, o projeto que trocou o nome, de autoria do deputado distrital Ricardo Vale (PT), causou "dano moral coletivo".

Na época, Vale afirmou que sua proposta foi trazer de volta à sociedade, "em um momento de crise, em que as pessoas pedem a volta do regime militar, a discussão sobre o que passamos durante a ditadura militar, principalmente para os jovens".

"A escolha do nome de Honestino Guimarães foi porque ele era um estudante da Universidade de Brasília (UnB) e se tornou símbolo da luta contra o governo de exceção."

Em 2016, quando a Justiça atendeu ao pedido pela primeira vez, o juiz Carlos Frederico Maroja de Medeiros afirmou que a ponte teria que ter outro nome, pois não pode ter "o nome de um ditador".