ENTRETENIMENTO
07/11/2018 20:26 -02 | Atualizado 07/11/2018 20:26 -02

50 anos do prédio do Masp e 5 curiosidades desse marco da arquitetura

Projetado por Lina Bo Bardi, museu é hoje um dos principais cartões-postais de São Paulo.

Charles Sholl/Futura Press
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Charles Sholl/Futura Press

O edifício do Museu de Arte de São Paulo (Masp) completou 50 anos nesta quarta-feira (7). Cartão postal paulistano e da Avenida Paulista, o Masp abriga o mais importante acervo de arte europeia do Hemisfério Sul. A coleção do museu, fundado em 1947 pelo empresário Assis Chateaubriand (1892-1968), reúne hoje mais de 10 mil obras, incluindo pinturas, esculturas, objetos e vestuários de diversos períodos, provenientes da África, Ásia, Europa e das Américas.

Conheça 5 curiosidades em torno da história do prédio futurista que inovou a história da arquitetura de São Paulo.

1. Um vão para manter a vista

Um imenso corpo de concreto suspenso por quatro grandes pilastras, que resultaram em um vão livre de 74 metros -- à época, o maior do mundo. Simplicidade e radicalidade estão combinadas no edifício que é um marco arquitetura do século 20. A responsável pelo projeto futurista -- que começou em 1958 e levou 10 anos para ser concluído -- foi a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992), que assina também outras obras icônicas em São Paulo, como o complexo do Sesc Pompeia, na zona oeste, e o Teatro Oficina, no centro da capital paulista. O vão do Masp foi uma engenhosa solução encontrada pela arquiteta para atender à exigência da prefeitura, doadora do terreno, de que não fosse construído ali no endereço da Avenida Paulista um edifício que tapasse a paisagem para a Avenida Nove de Julho.

2. Passado de clube da alta sociedade

O número 1578 da Avenida Paulista não estava abandonado antes da construção da nova sede do museu. Pelo contrário, o endereço abrigava o Belvedere Trianon, uma espécie de clube frequentado pela alta sociedade paulistana. Também conhecido como Miradouro da Avenida ou Belvedere da Avenida, o complexo construído pelo escritório de arquitetura de Ramos de Azevedo era composto por um extenso mirante, terraços panorâmicos, um restaurante e salões de festas. Por conta de mudanças na economia e na rotina da capital paulista, no final dos anos 1920 o local deixou de ser restrito à elite. Em 1953, o edifício foi demolido para abrigar a 1ª Bienal de Arte Moderna da cidade. O evento foi bem-sucedido e motivou que a prefeitura doasse o terreno para a construção da nova sede do Masp.

3. 1 pedra, 2 justificativas

Existem duas explicações para a presença de uma pedra gigantesca no vão livre do Masp. A primeira, oficial, afirma que ela é um marco da mudança do acervo para o endereço na Avenida Paulista. A sede anterior do museu criado por Assis Chateaubriand ficava na sede dos Diários e Emissoras Associadas, na Rua Sete de Abril, região central de São Paulo. A segunda explicação é menos séria, com ares de comentário maldoso, pois diz que Lina Bo Bardi teria escolhido uma pedra cujo formato remetia à silhueta de Assis Chateubriand -- que morreu meses antes da inauguração da nova sede, em 4 de abril de 1968, vítima de uma trombose

4. A presença da rainha e o quadro de Churchill

A inauguração da sede definitiva do Masp contou com as presenças ilustres de Elizabeth II, Rainha do Reino Unido, e do príncipe Philip. Como noticiado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o quadro Sala Azul de Trent Park, pintado pelo ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill em 1934, foi uma das obras que chamou a atenção da monarca inglesa. Na ocasião, o diretor do museu, Pietro Bardu, explicou que ela havia sido doada pelo próprio Churchill em um leilão beneficente, arrematado por brasileiros e, posteriormente, doada para o acervo do Masp. Elizabeth II chegou a discursar no evento de inauguração que marcou sua única visita ao País. O quadro de Churchill segue no acervo do museu.

5. Estrutura bem conservada (hoje a amanhã)

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand recebeu em 2017 um financiamento do Programa Keeping It Modern, da Fundação Getty, que tem como objetivo desenvolver pesquisas para conservação de edifícios modernos no mundo. Com esse apoio, a instituição pretende criar um plano de diretrizes de conservação e manutenção permanente do edifício. Mas diante do recente desastre no Museu Nacional, no Rio, os entusiastas do edifício cravado no coração da Avenida Paulista podem ficar tranquilos.

Em entrevista à Agência Brasil, Míriam Elwing, gerente de projetos de arquitetura e infraestrutura do Masp, afirmou que a edificação do Masp está em "bastante bom estado". "É segura e vai permanecer desde que tenhamos ações de conservação adequadas, especialmente ligadas às vigas principais que sustentam o prédio e também ações para melhorar a resposta da laje do térreo à ocupação intensa, que é função das manifestações e usos das mais diversas naturezas", afirmou.