07/11/2018 00:00 -02 | Atualizado 07/11/2018 00:00 -02

Tati Oliva, a habilidade de ser vendedora de boas oportunidades

Sócia e diretora-geral de empresa pioneira em “sociedades” estratégicas acredita na troca: “Fazemos com que a coisa fique maior do que só o investimento em si”

Tatianna Oliva é a 245ª entrevistada do "Todo Dia Delas", um projeto editorial do HuffPost Brasil.
Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil
Tatianna Oliva é a 245ª entrevistada do "Todo Dia Delas", um projeto editorial do HuffPost Brasil.

Não era conversa de vendedor. Ou melhor, era. E das boas. "É claro, filha", respondeu quando Tatianna Oliva, 43 anos, então uma pré-adolescente, questionou seu pai se ele realmente faria aquilo. Durante uma negociação para a venda de um quadro na galeria de arte que ele montou em Santos, onde a família morava, o pai de Tati, após explicar todas as qualidades da obra, disse ao cliente que caso se desencantasse com o quadro depois, ele mesmo compraria de volta. "Olhei e falei: que f***. Aquilo me mostrou que era isso. Como você pode oferecer algo que você não teria? O cara comprou o quadro e eu chamei meu pai de canto e perguntei se ele compraria mesmo". Ouviu a resposta e logo entendeu. Cresceu com esse exemplo. E desde cedo aprendeu a valorizar a venda.

Hoje, Tati é sócia e diretora-geral da Cross Networking, empresa pioneira em realizar parcerias estratégicas entre marcas, mas antes disso desenvolveu – com muito orgulho – sua habilidade de vendedora. Atuou como freela de Natal em loja de roupa, foi promotora de evento, trabalhou em feira de utensílios domésticos, entre outras coisas. "As pessoas tem vergonha de falar e não pode ter vergonha de trabalho nenhum. Me perguntam: 'você distribuía panfleto?' Sim! Qual a vergonha nisso? Não tenho vergonha de nada do que eu fiz, pelo contrário. Sou uma boa vendedora e as pessoas precisam entender que todas elas precisam ser vendedoras, elas tem um pouco de vergonha de falar isso e tenho o maior orgulho. Eu adoro vender, mas não vendo qualquer coisa. A gente precisa acreditar para fazer uma boa venda".

Eu adoro vender, mas não vendo qualquer coisa. A gente precisa acreditar para fazer uma boa venda.

Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil
Tati é sócia e diretora-geral da Cross Networking, empresa pioneira em realizar parcerias estratégicas entre marcas.

Essa é a regra número um de Tati. O segredo do negócio, talvez. E há dez anos tem funcionado muito bem na Cross, lançada em 2008. Tati já estava na Holding Clube, grupo ao qual a Cross faz parte, e na época atuava no Banco de Eventos, também da holding, quando começou a fazer produção do Camarote Brahma, cliente do Banco, em busca de marcas para se aliar ao projeto. Percebeu que podia empreender em um negócio novo para o grupo. Ali nascia a premissa de sua empresa: focar em parcerias. "Falo que foi minha primeira grande parceria. A Cross deu o refresh do business que eles precisavam, uma coisa nova, e eu ganhei toda a reputação da Holding, um respaldo financeiro, administrativo, nasci com área de TI, imagina? [risos]".

Dali em diante, Tati foi desenvolvendo o negócio e aprendendo a lidar com esse produto, até então novo e um tanto abstrato. Ela conta que uma das principais dificuldades era conseguir diferenciar patrocínio de parceria, tanto para ela e sua equipe quanto para os potenciais clientes. "No começo o cliente só me queria se fosse para gerar uma economia e isso não quer dizer uma parceria real, é quase um patrocínio e fomos entendendo que isso não tinha troca real. E fomos entendendo junto. Eu também não tinha essa percepção".

Me perguntam: 'você distribuía panfleto?' Sim! Qual a vergonha nisso? Não tenho vergonha de nada do que eu fiz, pelo contrário.

Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil
"Um mais um é maior que todos" é a frase que dá título ao primeiro livro de Tati Oliva.

Por algum tempo, Tati diz que não era tão bem sucedida porque tentava oferecer parceria para quem precisava de patrocínio. E isso só foi mudando com o tempo. "Parceria não é só economia, não é só otimizar, parceria também é ter um investimento desde que ele valha muito a pena, desde que os dois lados entendam que têm oportunidades. Fazemos com que a coisa fique maior do que só o investimento em si".

Fora isso, era difícil conseguir mostrar para uma marca que chegou até ali sem nenhum tipo de parceria que de agora em diante esse modelo de negócio poderia ser bom. Mas era isso que a empresa fazia. Mostrava novas possibilidades e oportunidades de divulgação das marcas por meio dessa relação. "O planejamento hoje é o ponto de partida. A gente estuda tudo e realmente a coisa dá liga e dá o match porque o discurso é não ter como não fazer porque vai ser muito bom para os dois lados. E a gente sabe quanto tempo isso demora. As mais legais demandam tempo, entendimento, troca. Nosso trabalho é casar as empresas".

Não é só economia, não é só otimizar, parceria também é ter um investimento desde que ele valha muito a pena, desde que os dois lados entendam que têm oportunidades.

Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil
"Parceria também é ter um investimento desde que ele valha muito a pena, desde que os dois lados entendam que têm oportunidades."

Leva um tempo mesmo. A ideia é deixar bem claro que esse tipo de acordo entre as marcas pode ser realmente estratégico. "A gente virou profissionais de parceria porque a parceria tem uma informalidade que atrapalha o negócio às vezes. Mas parceiro tem contrato, tem regra do jogo, as pessoas às vezes confundem. Hoje a gente se profissionalizou de verdade em fazer parceria. Eu entendo do nosso negócio. A gente entende o que a gente faz e temos segurança para falar que aquilo vai acontecer e ser bom".

E essa é grande parte do trabalho hoje. Mostrar que essa troca pode realmente ser positiva para as duas marcas e empresas, o que foi acontecendo naturalmente com o tempo. "O cliente não tem noção de quanto vai ser legal até fazer a primeira parceria. No começo eu não recebia briefing. Eu ligava e falava que eles precisavam daquilo. Hoje meu telefone já toca, é um alívio [risos]".

Parceria tem uma informalidade que atrapalha o negócio às vezes. Mas parceiro tem contrato, tem regra do jogo, as pessoas às vezes confundem.

Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil
A ideia de Tati é deixar bem claro acordos entre as marcas podem ser realmente estratégicos.

E Tati fala com segurança que é capaz de achar uma solução para qualquer marca por meio de outra marca. E em 10 anos a coisa andou bem. Já há algum tempo passou a trabalhar com influenciadores com a criação da área de My Cross na empresa, núcleo para desenvolvimento de planos de negócios focado em personal branding. "A gente hoje enxerga pessoas como marca que influenciam e o mundo mudou muito. Estruturamos uma área só com marcas que andam".

No começo o cliente só me queria se fosse para gerar uma economia e isso não quer dizer uma parceria real, é quase um patrocínio e fomos entendendo que isso não tinha troca real.

Ao todo são quatro áreas de atuação da empresa e Tati já começa a vislumbrar uma novidade por aí. Não dá muitos detalhes por enquanto, mas já podemos apostar que todo mundo vai ganhar. "Eu dou esse exemplo quando faço palestras [e vejo todas as pessoas na minha frente]. Eu falo que no mínimo um carona você tem. Alguma coisa você tem a oferecer pro outro".

Uma boa oportunidade para os dois lados, ela garante. Palavra de vendedora.

Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto: Ana Ignacio

Imagem: Caroline Lima

Edição: Andréa Martinelli

Figurino: C&A

Realização: RYOT Studio Brasil e CUBOCC

O HuffPost Brasil lançou o projeto Todo Dia Delas para celebrar 365 mulheres durante o ano todo. Se você quiser compartilhar sua história com a gente, envie um e-mail para editor@huffpostbrasil.com com assunto "Todo Dia Delas" ou fale por inbox na nossa página no Facebook.

Todo Dia Delas: Uma parceria C&A, Oath Brasil, HuffPost Brasil, Elemidia e CUBOCC.