POLÍTICA
06/11/2018 05:00 -02 | Atualizado 06/11/2018 09:10 -02

Modo 'soneca' no Facebook: Colocar amigos 'para dormir' é a melhor ideia?

Para psicóloga, ferramenta não contribui para aprender a respeitar a opinião do outro.

A ideia é "dar um tempo" aos amigos inconvenientes, mas não excluí-los.
Dado Ruvic / Reuters
A ideia é "dar um tempo" aos amigos inconvenientes, mas não excluí-los.

Os ânimos acirrados nas eleições de 2018 fizeram com que muitos conhecidos, amigos e familiares deixassem de se falar. Muitos continuam distantes mesmo depois do segundo turno.

Nas redes sociais, onde as discussões costumam ser mais frequentes e agressivas, brasileiros excluíram outros ou optaram pelo "modo soneca" do Facebook.

A ferramenta não é novidade. Criada em dezembro de 2017, ela não chegou a ser alardeada pela rede social, mas passou a ser amplamente utilizada no período eleitoral -- e depois dele.

Com o dispositivo, a outra pessoa desaparece de seu feed por 30 dias.

A ideia é "dar um tempo" e evitar as postagens de amigos inconvenientes, mas não desfazer a amizade nem deixar de seguir definitivamente.

Para acionar o "modo soneca", basta clicar no lado direito de uma publicação da pessoa e ir na opção "Colocar em modo soneca por 30 dias". Pronto: por um mês você não vai receber qualquer publicação ou atualização deste amigo indesejado.

Além do Facebook, o WhatsApp está formulando uma ferramenta parecida. De acordo com a ANSA, o aplicativo deve criar um "modo Férias", que silenciará os usuários e grupos escolhidos. Hoje, é possível silenciar grupos e arquivar conversas, mas você continua recebendo uma nova mensagem na conversa arquivada, gerando notificações.

Com o "Vacation mode", as novas mensagens continuam arquivadas e não chegam ao topo das conversas, dando uma sensação de "férias" daquele usuário. A ferramenta seria ideal para silenciar grupos de trabalho após o expediente -- e certamente seria bem-vinda neste momento de polarização nacional.

Há problema de permanecer 'na bolha'?

A ideia de "silenciar" pessoas que tenham opiniões diferentes das suas pode lhe causar uma sensação de paz temporária, mas, na opinião da psicóloga Mônica Machado, não é a melhor abordagem ao lidar com este problema.

"Não é favorável. Vejo uma grande irritabilidade, inflexibilidade e falta empatia para enxergar o outro lado", disse. "Precisamos aprender a respeitar a opinião do outro, são verdades de cada um, com ângulos diferentes."

Ela afirma que muitos de seus pacientes se queixaram e disseram sentir medo do que acontecerá com os direitos de minorias no governo de Jair Bolsonaro, presidente eleito. A psicóloga, porém, alerta que as pessoas não devem se isolar diante do medo ou da intransigência que foi exarcebada com o uso das redes sociais.

Segundo Machado, a melhor maneira de lidar com estes momentos difíceis é debater "até esgotar a discussão". "As pessoas estão com medo e se sentem 'vencidas' de uma certa forma. Mas, a verdade é que precisamos esperar para ver o que vai acontecer. Nesse momento, precisamos garantir nossos espaços e nossos direitos adquiridos."