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05/11/2018 15:23 -02 | Atualizado 05/11/2018 15:42 -02

Bahia homenageia o Novembro Negro com personalidades históricas

Tricolor estampou nomes de personagens como Zumbi dos Palmares e Moa do Katendê no uniforme na partida contra a Chapecoense.

Jogadores do Bahia fizeram homenagem ao mês da Consciência Negra.
Reprodução/Instagram
Jogadores do Bahia fizeram homenagem ao mês da Consciência Negra.

O Esporte Clube Bahia entrou para a História neste domingo (4), data em que venceu a Chapecoense por 1 a 0 em jogo válido pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. Não pelo resultado em si, importante para aproximar o time da zona de classificação à próxima Copa Sul-Americana, mas pela atitude da direção antes mesmo de a bola começar a rolar, rompendo os limites do futebol.

A diretoria do Tricolor Baiano mandou a campo o time uniformizado com uma homenagem a 20 personagens imortais da Cultura Negra no Brasil. Cada atleta do time entrou em campo com o nome de um deles estampado na camisa do uniforme.

As homenagens serviram para destacar o início do Novembro Negro, mês dedicado à reflexão sobre a inserção e a importância do povo negro na sociedade brasileira.

A camisa 1, usada pelo goleiro Douglas, teve como homenageado o Zumbi dos Palmares, um dos pioneiros da resistência contra a escravidão e o último líder do Quilombo dos Palmares.

Entre os homenageados também figurou Carlito, maior artilheiro da História do clube com 253 gols, marcados entre 1946 e 1959 - e maior goleador dos Ba-Vis (clássicos entre Bahia e Vitória, que costumam dividir a cidade ao meio) com 21 gols.

Confira a seguir um pouco da História dos demais homenageados pelo Esporte Clube Bahia antes da vitória sobre a Chapecoense pelo Brasileirão.

Divulgação/Felipe Oliveira/EC Bahia
Bahia bateu a Chape em dia de homenagens ao Novembro Negro.

Milton Santos

Primeiro e único latino-americano a ganhar o "prêmio Nobel" da geografia mundial. Baiano, destacou-se pelos estudos sobre globalização e urbanização no Terceiro Mundo.

Dandara

Guerreira negra do período colonial do Brasil. Após ser presa, cometeu suicídio para não retornar à condição de escrava. Foi esposa de Zumbi, com quem teve três filhos.

Moa do Katendê

Considerado um dos maiores mestres de capoeira de Angola da Bahia, Moa do Katendê também foi fundador do bloco afoxé Badauê. Ele foi assassinado por divergência política, após manifestar apoio a Fernando Haddad (PT) no mês passado, quando ficou definido o segundo turno contra o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Luiza Bairros

Doutora em Sociologia pela Universidade de Michigan, foi ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. É gaúcha radicada na Bahia, onde construiu seu histórico de militância negra.

Ganga Zumba

Primeiro líder do Quilombo dos Palmares e antecessor de seu sobrinho, Zumbi, o último da História do maior Quilombo do período colonial.

Maria Felipa

Marisqueira, pescadora e trabalhadora braçal, liderou um grupo de 200 pessoas, entre mulheres e índios, contra os portugueses que atacavam a Ilha de Itaparica, em 1822. É considerada uma das heroínas da luta da Independência da Bahia.

Mãe Menininha

Mais famosa ialorixá da Bahia e uma das mais admiradas mães-de-santo do Brasil. Foi responsável por abrir as portas do Terreiro do Gantois, em Salvador, aos brancos e católicos.

Luis Gama

Baiano, é considerado o Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil. Conquistou judicialmente a própria liberdade e passou a atuar na advocacia em prol dos negros.

Batatinha

Um dos maiores nomes do samba da Bahia, foi homenageado por artistas como Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso e Maria Bethânia.

Ederaldo Gentil

Cantor e compositor da geração mais talentosa do samba baiano, ao lado de Batatinha. Foi gravado por nomes como Clara Nunes.

Neguinho do Samba

Músico baiano, criador do estilo samba-reggae e fundador do grupo Olodum e da banda Didá, ambos com sede no Pelourinho

Mestre Bimba

Criador da Luta Regional Baiana, mais tarde chamada de capoeira regional. Foi o responsável por tirar a capoeira da marginalidade.

Luísa Mahin

Mãe de Luis Gama e africana radicada no Brasil, liderou as principais revoltas e levantes de escravos que sacudiram a Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX.

Jonatas Conceição

Poeta e professor da Uneb, foi um dos fundadores do Movimento Negro Unificado na Bahia. Era diretor do bloco Ilê Aiyê, onde coordenava o projeto pedagógico.

Teodoro Sampaio

Filho de escrava, foi um dos maiores pensadores brasileiros de seu tempo. O engenheiro nascido na Bahia em 1855 escreveu obras de vasta erudição geográfica e histórica.

Biriba

Um dos maiores ídolos da história tricolor, campeão brasileiro de 1959. Nascido no bairro de Itapuã, preferia jogar na ponta direita, mas aceitou mudar de lado para formar uma dupla poderosa com Marito, outro expoente do Esquadrão.

Manoel Querino

Fundador do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia e da Escola de Belas Artes, foi pintor, escritor, abolicionista e pioneiro nos registros antropológicos e na valorização da cultura africana na Bahia.

Edison Carneiro

Escritor nascido em Salvador, foi também um dos maiores etnólogos brasileiros a estudar a cultura afro-brasileira. Jornalista, professor e folclorista, é autor da obra "Quilombo dos Palmares".

Além da homenagem, vale conferir também o gol que melhorou a classificação do Bahia na tabela do Brasileirão. Assista abaixo e "Bora, Bahêa".