ENTRETENIMENTO
03/11/2018 16:26 -03 | Atualizado 03/11/2018 20:55 -03

'Ai Weiwei Raiz', uma exposição que reflete sobre valores e problemas do mundo contemporâneo

"Assim como Picasso e Andy Warhol, ele é reconhecido pelo que sua obra oferece para a sociedade e pela percepção do tempo em que ele vive."

Divulgação/Carol Quintanilha
Aos 61 anos, Ai Weiwei é um dos nomes mais respeitados nomes da arte contemporânea.

A primeira exposição do artista plástico e ativista chinês Ai Weiwei no Brasil é também a maior já realizada por ele até agora. Ai Weiwei Raiz, em cartaz na Oca no Parque Ibirapuera, na capital paulista, recupera a trajetória do artista — intimamente ligada a causas sociais e humanas — por meio de 70 obras espalhadas por 8 mil m².

"O Ai Weiwei é uma figura que ultrapassou o território das artes visuais e passou a ocupar o mesmo espaço de grandes celebridades do nosso tempo. Assim como Picasso e Andy Warhol, ele é reconhecido pelo que sua obra oferece para a sociedade e pela percepção do tempo em que vive", explica o curador da mostra, Marcello Dantas, em entrevista ao HuffPost.

HuffPost Brasil
'Ai Weiwei Raiz' fica em cartaz na Oca até janeiro de 2019.

Multifacetado e audacioso, Weiwei conquistou esse espaço por meio de uma arte engajada e também crítica ao regime comunista chinês. "Poucos artistas tiveram a coragem de enfrentar gigantes como o governo da China e abordar a questão dos direitos humanos, dos refugiados e da censura. Ele abraçou causas humanas com uma força muito grande", argumenta Dantas.

Esse postura também trouxe sérias consequências para o artista que também tem credenciais de cineasta e arquiteto. Em um resumo rápido, Weiwei foi preso em 2011, ficou encarcerado por 80 dias e teve seu ateliê destruído por completo pelo regime chinês. Ele também cumpriu prisão domiciliar em 2015, ano em que resolveu deixar a China.

Na exposição, o público pode entrar em contato com os trabalhos mais icônicos do artista. Entre eles, a obra Sunflower Seeds (Sementes de Girassol), composta por milhões de réplicas de sementes de girassol em porcelana pintadas à mão por artesãos chineses, que traz à tona a questão da produção em massa e a perda da individualidade.

Divulgação/Carol Quintanilha
Réplicas de sementes de girassol em porcelana formam a obra 'Sunflower Seeds'.

Está lá também a Straight (Reto). Exibida pela primeira vez em sua forma completa, a instalação é composta por 164 toneladas de vergalhões de aço recuperados dos escombros de escolas de Sichuan, na China, após o terremoto que devastou o país em 2008.

Outro trabalho famoso que compõe a mostra é Forever Bicycles (Bicicletas Forever). De caráter arquitetônico, ele utiliza bicicletas como blocos de construção, abordando também a questão da repetição tão presente na atualidade. O título da instalação é inspirado na marca chinesa de bicicletas Forever, que fez parte da infância do artista.

Divulgação/Carol Quintanilha
'Forever Bicycles' faz alusão à multiplicação e repetição presentes na contemporaneidade.

Marcello Dantas explica que o desenvolvimento e a curadoria da exposição partiram de 2 eixos. "Eu precisava dar conta de fazer uma retrospectiva do Ai Weiwei e mostrar os principais trabalhos dele e pelos quais ele ganhou reconhecimento. Por outro lado, havia uma proposta de mostrar no Brasil como esses projetos foram feitos nos países em que eles foram implementados", revela.

Para atender o segundo eixo, Weiwei passou por uma imersão ao longo de um ano no Brasil. O artista entrou em contato com comunidades, artesãos, manifestações culturais e recursos regionais até então desconhecidos por ele. A equipe dele construiu oficinas em diversas regiões do País, como Juazeiro do Norte, no Ceará, para fabricação de couros.

Divulgação/Carol Quintanilha
Entre obras famosas e inéditas, exposição reúne 70 peças.

"Há um andar da Oca dedicado a essa experiência dele de inocular o seu método de trabalho de transformação social na realidade brasileira", conta Dantas.

Para o curador, o resultado final apresenta duas faces de uma mesma moeda. "A moeda é o Ai Weiwei. Um lado é a história do que ele fez até então, o outro é a aplicação disso na realidade brasileira", explica. Segundo ele, o título da exposição abarca todos esses aspectos. "Porque em todas as obras ele está buscando as raízes de coisas existentes que foram sendo apagadas, seja por razões políticas, econômicas, culturais ou históricas."

Divulgação/Carol Quintanilha
Exposição conta também com obras feitas com a ajuda de artesãos brasileiros.

Apesar de ser uma exposição de arte contemporânea, Ai Weiwei Raiz não exige erudição do visitante, assegura o curador. "Você vê ali a relação entre pai e filho e entre oprimidos e opressores, observa a questão dos refugiados e também dos direitos de liberdade de expressão e da manipulação do Estado sobre o cidadão. Não estamos falando de 'arte'. Estamos usando a arte para falar da sociedade."

SERVIÇO:

Ai Weiwei Raiz

Até 20 de janeiro de 2019

Horário de funcionamento:

- Terça-feira a sábado das 11h às 20h (entrada até às 19h)

- Domingos e feriados das 11h às 19h (entrada até às 18h)

Fecha: Às segundas-feiras, dias 24/12, 25/12, 31/12 e 01/01 (Natal e Ano Novo)

Local: Oca - Parque Ibirapuera – São Paulo – SP

Preço dos Ingressos:

R$ 20,00 (inteira)

R$ 10,00 (meia-entrada)

Os ingressos são vendidos com horário marcado na Oca - Parque Ibirapuera.

Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, sem n° - Parque Ibirapuera - São Paulo - SP