POLÍTICA
31/10/2018 17:10 -03 | Atualizado 31/10/2018 17:10 -03

Marcos Pontes: 10 curiosidades sobre futuro ministro da Ciência e Tecnologia de Bolsonaro

O primeiro e único astronauta brasileiro a viajar ao espaço em uma missão da Nasa já esperava o convite.

NASA TV / Reuters
Pontes é o 4° nome anunciado por Bolsonaro que deverá compor seu governo.

Nesta quarta-feira (31), o presidente eleito Jair Bolsonaro confirmou no Twitter que o astronauta Marcos Pontes será empossado ministro da Ciência e Tecnologia em seu governo.

Pontes é o 4° nome anunciado por Bolsonaro que deverá compor seu governo. Além dele, o deputado Onyx Lorenzoni, do DEM, deverá ser ministro da Casa Civil, Paulo Guedes deverá ser ministro da Economia (que fundirá as pastas Fazenda, Planejamento, Indústria e Comércio Exterior) e o general Augusto Heleno deve liderar o Ministério da Defesa.

Marcos Pontes, primeiro e único astronauta brasileiro a viajar para o espaço em uma missão da Nasa em 2006, já esperava o convite e afirmou em uma postagem no Facebook que só esperava "o anúncio oficial".

"Novo presidente, novos rumos para o País. Eu estou muito feliz de ter participado não só da campanha, mas também da oportunidade de participar deste novo governo em uma área que tem sido a minha vida por 41 anos", escreveu no dia 30 de outubro. "Como vocês sabem, ele [Bolsonaro] tem falado sempre no meu nome, mais ou menos como o 'posto Ipiranga' da Ciência e Tecnologia. E agora só falta o anúncio oficial da minha indicação para ministro."

Veja abaixo algumas curiosidades sobre a carreira do astronauta brasileiro:

1. Eletricista aprendiz

Pontes nasceu em Bauru, no interior de São Paulo. Ele nasceu em 11 de março de 1963 e começou a trabalhar aos 14 anos como eletricista aprendiz para ajudar a pagar contas de casa e de seus estudos.

2. Engenharia no ITA

Marcos é engenheiro aeronáutico formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e mestre em Engenharia de Sistemas pela Naval Postgraduate School, na Califórnia.

Bruno Domingos / Reuters

3. 17 anos de carreira militar

Pontes entrou na Força Aérea Brasileira em 1981 e foi instrutor, piloto de testes e líder de esquadrilha de caça. Ele tem mais de duas mil horas de voo em 25 tipos de aeronaves.

Ele deixou as funções militares em 1998, quando foi selecionado por um concurso público da Agência Espacial Brasileira (AEB) para representar o País na Nasa, agência espacial americana, na função de astronauta.

4. Primeiro e único astronauta brasileiro

Marcos Pontes ficou conhecido em todo o Brasil após ser o primeiro e único astronauta brasileiro a ir para o espaço. Acompanhado pelo russo Pavel Vinogradov e pelo americano Jeffrey Williams, ele decolou às 23h30 do dia 29 de março de 2006 da base de Baikonur, no Cazaquistão, a bordo da nave russa Soyuz-TMA 8, com destino à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

Todos os brasileiros, incluindo sua família, puderam acompanhar a missão pela televisão. Ele ficou 2 dias a bordo da Soyuz e 8 dias dentro da ISS.

NASA TV / Reuters
O russo Valery Tokarev (esq.), Pontes (no meio) e o americano Bill McArthur (dir.)

5. Missão no espaço sideral

Entre as missões, o astronauta desenvolveu 4 pesquisas tecnológicas com finalidade comercial e experimentos educacionais. Um dos experimentos, realizados com alunos do ensino fundamental, foi a germinação de sementes de feijão e a cromotografia da clorofila. Outras pesquisas envolviam testes sobre os efeitos da microgravidade na cinética das enzimas e danos e reparos do DNA na microgravidade, entre outros temas.

Na época, a realização dos experimentos com alunos virou alvo de crítica. "No Brasil, a imprensa e alguns 'cientistas' — as aspas são para ressaltar o meu espanto com a falta de visão científica e estratégica desses críticos — se limitaram apenas a criticar o custo da missão e citar, muitas vezes de forma irônica, os experimentos das crianças de São José dos Campos", disse em uma entrevista ao UOL.

6. Ele sente os efeitos da gravidade 10 anos depois

Em 2016, uma década depois da excursão espacial, Pontes disse que ainda sentia os efeitos do espaço, por causa da falta de gravidade e contatos com a radiação. A osteoporose, perda de células ósseas, é um dos efeitos mais comuns. Mas o astronauta também disse em entrevista que "tem sangramento dos ouvidos, alergias, alterações de pesos."

7. Teve de aprender russo em meses

Em seu currículo, Pontes cita que teve "treinamento em russo". Ao UOL, o astronauta conta que teve de aprender o idioma poucos meses — enquanto o tempo normal para treinar um cosmonauta é de 2 anos.

"De repente, de acordo com a AEB, eu teria apenas 5 meses para aprender tudo sobre os sistemas russos para incluí-los nas minhas tarefas técnicas a bordo e, de quebra, aprender a língua russa, em paralelo, nos primeiros 3 meses em Star City, Moscou, no Centro de Treinamento de Cosmonautas, para onde eu estava sendo transferido", recordou.

Wikipédia
Foto oficial da Nasa

8. De palestrante motivacional a embaixador da ONU

Atualmente, Pontes é embaixador da Boa Vontade na ONU (Organização das Nações Unidas), trabalha na Nasa e dá palestras motivacionais, além de ser coach especialista em desempenho pessoal e profissional, segundo o site do ex-astronauta. Pontes também é dono de sua agência de turismo espacial.

Marcos também é autor de quatro livros: Missão Cumprida, É Possível! Como transformar seus sonhos em realidade, O Menino do Espaço e Caminhando Com Gagarin, todos publicados pela editora Chris McHilliard do Brasil.

Ao longo de sua carreira, Pontes também recebeu a Medalha Mérito Santos Dumont, condecoração dada à civis ou militares brasileiros que se destacaram em serviços prestados à FAB, e a Medalha de Ouro Yuri Gagarin, concedida pela Federação Aeronáutica Internacional.

9. Teoria de Conspiração

É claro que a primeira viagem de um astronauta brasileiro ao espaço causaria algum burburinho conspiratório. Na época, de acordo com a revista Galileu, havia rumores de que Pontes só foi convidado a fazer a viagem espacial porque o governo brasileiro entregou o ET de Varginha aos americanos.

10. Tentativa na política

O astronauta havia tentado em 2014 ingressar na carreira política, se candidatando a deputado federal em São Paulo pelo PSB. Ele recebeu, no entanto, 43 mil votos e não conseguiu uma vaga no Congresso.