POLÍTICA
31/10/2018 20:49 -03 | Atualizado 31/10/2018 21:12 -03

Gleisi diz que é prematuro Ciro falar de 2022

Presidente do PT nega erros em alianças na campanha, mas admite que partido precisa melhorar comunicação nas redes sociais.

HEULER ANDREY via Getty Images
“Tentamos uma aproximação com o PDT e não deu certo”, disse Gleisi Hoffmann sobre afastamento do PT e Ciro Gomes.

Presidente do Partido dos Trabalhadores, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) considera prematura a movimentação de Ciro Gomes, candidato do PDT que ficou em terceiro lugar na corrida eleitoral. O ex-governador do Ceará tenta se firmar como liderança da oposição ao governo de Jair Bolsonaro e isolar o PT.

"É muito prematuro pensar em 2022. Precisamos agora de uma unidade para resistir ao desmonte dos direitos conquistados pelos trabalhadores. Resistir à reforma da Previdência, à criminalização dos movimentos sociais, à entrega do pré-sal, a essas fusões de ministérios que vão comprometer não só a máquina pública, mas as política públicas e até o próprio País no âmbito internacional. É um momento muito grave e exige muita responsabilidade", afirmou a parlamentar ao HuffPost Brasil quando questionada sobre a postura de Ciro após o segundo turno.

Em entrevista à Folha de S. Paulo publicada nesta quarta-feira (31), o ministro da Integração Nacional no governo Lula disse que o ex-presidente o traiu na disputa eleitoral. Ciro criticou a atuação do PT para impedir o apoio do PSB à sua candidatura após o PDT perder a aliança com o centrão. Ele classificou como "insulto" o convite de Lula para assumir o papel de vice no lugar depois ocupado por Fernando Haddad (PT).

Presidente do PDT, Carlos Lupi, por sua vez, admitiu os planos do partido de disputar novamente o Palácio do Planalto. "A gente já está preparando o Ciro para 2022; ele vai começar a rodar o Brasil inteiro e continuar avançando seu projeto nacional desenvolvimentista", afirmou em entrevista ao HuffPost.

Ciro é uma das lideranças na articulação de uma oposição de forças progressistas que isola o PT. Na Câmara dos Deputados, seu partido, o PDT, irá formar um bloco com PSB e PCdoB. Na disputa eleitoral, Manuela D'Ávila, do PCdoB, foi vice de Haddad.

Na avaliação de Hoffmann, a movimentação ainda é resquício da disputa nas urnas. "O pós-eleitoral sempre é um período de superar os traumas. Mas creio que têm muito mais coisas que nos unem, muito mais necessidade do País e do povo do que qualquer questão de disputa política ou eleitoral", afirmou.

De acordo com a petista que atuará como deputada federal a partir de 2019, o bloco formado por PDT, PCdoB e PSB tem como objetivo principal a ocupação de espaços na Mesa Diretora e nas comissões da Câmara e não impede unidade nas votações. "Acho que a articulação lá tem um pouco esse propósito. Tenho conversado com os presidentes do PCdoB e do PSB e continuam à disposição de trabalharmos todos juntos por uma frente de resistência pela democracia e pelos direitos do povo", afirmou.

Apesar de elogiar os 47 milhões de votos em Haddad, a parlamentar destacou a importância de Lula no comando da legenda. "O Lula é nossa grande liderança política. O que queremos no momento é que tenha um julgamento justo para sair de onde está, que não é o lugar dele", afirmou.

Erros do PT na campanha

Questionada sobre o motivo da derrota nas urnas, a presidente do PT admitiu erros internos na campanha, mas atribuiu peso maior ao impedimento de Lula ser candidato e às informações falsas divulgadas contra o partido. "Claro que houve erros nossos, mas principalmente esse processo eleitoral foi marcado por vícios e fraudes desde o início", disse.

Hoffmann destacou que houve uma "uma bateria de fake news, de mentiras fabricadas e disseminadas a milhões no submundo da internet, no WhatsApp com caixa dois" quando Haddad começou a crescer nas intenções de voto. Ela também criticou a ausência de debates no segundo turno, devido à decisão de Bolsonaro de não participar sob pretexto de se recuperar da facada sofrida no dia 6 de setembro.

"Teve um nível de violência exacerbado, as pessoas foram mortas, espancadas. Uma campanha muito difícil, muito dura e de ódio direcionado ao PT. Era um quadro muito inóspito", lembra a senadora.

Questionada sobre quais seriam os erros internos, ela citou a demora em chegar até os eleitores nas redes sociais, considerado por ela o ponto forte na campanha do adversário. "São erros que a gente comete no decorrer de cada campanha. Às vezes um posicionamento num determinado momento que tinha de ser de um jeito, agilidade nas respostas. A questão da comunicação via rede estávamos muito atrasados, principalmente no WhatsApp. Não para fazer ilegal. Tudo isso são questões que vamos avaliar."

Sobre o peso da formação de alianças para vencer as eleições, como o distanciamento com Ciro Gomes, por sua vez, Hoffmann não considera um erro do PT. "Tentamos uma aproximação com o PDT e não deu certo", afirmou.