POLÍTICA
31/10/2018 02:00 -03

Bolsonaro minimiza participação do PSL na Mesa Diretora da Câmara por governabilidade

Articuladores do novo presidente miram em possíveis aliados ainda nesta legislatura, que acaba em dezembro.

Paulo Whitaker / Reuters
Bolsonaro: Seria bom pela governabilidade diversificarmos os partidos nos cargos da Mesa Diretora da Câmara.

Ciente de que não governa se não estiver alinhado com o Congresso Nacional, o presidente eleito Jair Bolsonaro minimizou o peso da bancada do PSL — a segunda maior da Câmara dos Deputados, atrás apenas do PT. A aposta imediata é ampliar o tamanho da base em vez de focar em ocupar cargos de expressão na Mesa Diretora. Para o comando da Casa, a probabilidade é que seja costurado um acordo com o DEM, do atual presidente Rodrigo Maia (RJ).

Até então, integrantes do PSL, como a deputada eleita Joice Hasselmann (SP), o deputado reeleito Delegado Waldir (GO) e o presidente do partido, Luciano Bivar (PE), defendiam internamente o direito de concorrer à presidência. Joice, por exemplo, tem afirmado que a legenda tem envergadura para o cargo e que teria dificuldade para lidar com Rodrigo Maia, caso ele seja reconduzido.

Na Câmara há quase 3 décadas, Bolsonaro, entretanto, reduz as expectativas da novata. "Pela minha experiência, as vagas da Mesa Diretora devem ser ocupadas por quem já tem um mandato. Dos 52 eleitos [pelo PSL], 46 são novos. Não deixam de ser pessoas competentes, mas seria bom pela governabilidade diversificarmos os partidos nos cargos", disse em entrevista à Record.

Gostaria que não lutássemos pela presidência da Câmara.Jair Bolsonaro, na Record

A afirmação do capitão reformado do Exército reflete um conselho dos aliados. Tanto Onyx Lorenzoni quanto Alberto Fraga, ambos deputados do DEM e cotados para integrar o governo, têm alertado ao presidente eleito sobre a importância de manter diálogo aberto e ceder espaço aos parlamentares de outras legendas. Outro deputado da cúpula de Bolsonaro, o Capitão Augusto (PR-SP), que deseja assumir o comando da Casa, tem feito o mesmo apelo.

O entendimento é que o presidente da Câmara pode ajudar ou atrapalhar muito os planos de Bolsonaro. Por isso, o senador eleito Major Olímpio (PSL-SP), que atualmente tem mandato de deputado federal, repetiu nesta terça-feira (30) na Câmara o discurso do presidente eleito: "O ideal é que seja alguém alinhado [a Bolsonaro], mas não do PSL".

Quórum qualificado pró-Bolsonaro

Enquanto o próximo governo não se inicia, os 4 parlamentares têm feito o trabalho de engordar a base aliada para o ano que vem. A ideia é mostrar aos deputados atuais que são bem-vindos no Executivo — inclusive os que não foram reeleitos.

A estratégia, segundo Capitão Augusto, é aproveitar, com Bolsonaro eleito, para formar o governo no Legislativo já este ano. "Bolsonaro vai ter muita força. Os que não foram eleitos, e são 243, obviamente, têm uma esperança de ajudar o governo do Bolsonaro para que tenham um espaço no governo lá na frente", disse, em entrevista ao HuffPost Brasil.

A equipe de transição para o próximo governo espera pautar projetos como parte da reforma da Previdência e o Estatuto do Desarmamento ainda este ano. Para isso, o futuro governo vai depender da generosidade do Congresso Nacional.

A mudança na aposentadoria, por exemplo, depende de aprovação em duas votações, com maioria qualificada (308 votos favoráveis dos 513 deputados na Câmara e 49 dos 81 senadores no Senado). Há uma estimativa otimista entre os aliados de Bolsonaro de uma base de até 400 parlamentares.