ENTRETENIMENTO
01/11/2018 09:26 -03 | Atualizado 01/11/2018 18:08 -03

'Bohemian Rhapsody': Cinema chato, música incrível

Cinebiografia do Queen é burocrática e chapa branca, mas os hits da banda empolgam qualquer fã.

Performance quase sobrenatural de Rami Malek transforma o resto do elenco em figurantes de luxo.
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Performance quase sobrenatural de Rami Malek transforma o resto do elenco em figurantes de luxo.

Cinebiografias são, normalmente, muito sem graça. Não questionam seu biografado, não entram — ou apenas tocam de leve — em polêmicas. E são filmadas burocraticamente. É exatamente o que acontece com Bohemian Rhapsody, que retrata a história do Queen até seu apoteótico show, no Live Aid, e estreia no Brasil nesta-feira quinta (28). Mas isso faz diferença? Nesse caso, depende. O que seria mais importante para a história de uma banda? Sua história ou sua música? Se sua resposta for a música, então o filme acertará em cheio seu coração de fã.

Mas cinema não é apenas som, e, cinematograficamente, falta a Bohemian Rhapsody o joie de vivre inconsequente de seu protagonista, o cantor e compositor Freddie Mercury. O que até já era esperado, pois o filme é produzido pelo advogado e manager de longa data do grupo inglês, Jim Beach, e por 2 de seus integrantes, o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor.

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Cena do filme "Bohemian Rhapsody".

O que surpreende mesmo é o tom moralista da produção dirigida por um pouco inspirado Bryan Singer. A atitude voraz de Mercury em relação ao sexo e às drogas, por exemplo, é bem tímida, dando um tom "família" para a metade final da produção, algo que não combinava em nada com os excessos do Queen e de sua prima donna.

Além disso, fatos e cronologia são deixados de lado em favor de um enredo messiânico focado única e exclusivamente na performance quase sobrenatural de Rami Malek como Mercury, que transforma o resto do elenco em figurantes de luxo. Mas que fã vai ligar para isso enquanto ouve toneladas de hits inesquecíveis como Killer Queen, We Will Rock You, Another One Bites the Dust, Bohemian Rhapsody, Another One Bites the Dust, I Want to Break Free, Under Pressure, Radio Ga Ga, We Are the Champions, Don't Stop Me Now e Love of My Life?

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Cena do filme "Bohemian Rhapsody".

Como cinema, Bohemian Rhapsody não passa de mais uma cinebiografia esquecível, mas como uma jukebox visual para fãs do Queen é uma ótima chance de curtir os contagiantes hinos da banda do jeito que eles têm de ser ouvidos: em um som quase ensurdecedor e cantando junto com todo mundo.