POLÍTICA
30/10/2018 18:35 -03 | Atualizado 30/10/2018 19:25 -03

'Papel de Haddad é maior que o do PT', diz Gleisi sobre frente de resistência a Bolsonaro

Senadora afirma que Haddad é hoje a maior liderança do partido depois de Lula e deve conduzir frente em defesa da democracia.

Paulo Pinto/Agência PT
Gleisi Hoffmann sobre Fernando Haddad:

A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, disse nesta terça-feira (30) que, com a chegada de Jair Bolsonaro (PSL) ao Palácio do Planalto, o partido trabalha para construir uma "ampla frente de resistência" em defesa da democracia, dos direitos civis e humanos e da liberdade de imprensa.

Na avaliação de Gelisi, o melhor nome para liderar essa frente é Fernando Haddad (PT), candidato derrotado à Presidência.

"O Fernando Haddad, no nosso entender, tem um papel muito importante e relevante nesse processo, que é um papel maior que o PT. Ele sai depositário da esperança e da luta do povo pela democracia", disse Gleisi a jornalistas após reunião da Executiva Nacional do PT em São Paulo, da qual participou Haddad.

Para Gleisi, Hadadd é, depois do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que está preso –, a grande liderança do PT atualmente.

"Não tenho dúvidas de que ele emerge como uma grande liderança, depois de Lula. Ele é depositário de 47 milhões de votos do povo brasileiro, portanto, tem muita legitimidade de não só articular, como de liderar [a frente]", afirmou.

Paulo Pinto/Agência PT
Reunião da Executiva Nacional do PT também contou com a presença de Dilma Rousseff.

Segundo Gleisi, a primeira ação da frente de resistência será barrar a aprovação da reforma da Previdência, defendida por Bolsonaro e por seu futuro ministro da Economia (pasta que deve unir os ministérios da Fazenda e do Planejamento), Paulo Guedes.

Em entrevista concedida na noite de segunda-feira (29), o presidente eleito disse que tentará, junto ao presidente Michel Temer, aprovar "ao menos parte" da reforma ainda em 2018.

"A primeira resistência que temos que fazer agora é à aliança entre Bolsonaro e Temer, a começar pela tentativa da aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Uma das grandes tarefas que temos a partir desta semana é resistir e enfrentar a reforma da Previdência", disse Gleisi. "Ela não foi debatida com a população, nem por Temer, nem por Bolsonaro, portanto é uma reforma que não tem apoio popular", completou.

"Lula livre"

A senadora disse ainda que uma das bandeiras da frente de resistência será a defesa da liberdade de Lula. Condenado a 12 anos e 1 mês de prisão pela Operação Lava Jato no caso do tríplex em Guarujá (SP), o ex-presidente está preso desde abril na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

"Lula é inocente no nosso entender, então é isso que vamos fortalecer a partir de agora na nossa luta: Lula livre e um julgamento justo para Lula, com um pedido de proteção maior à sua vida e à sua integridade", disse Gleisi.

Questionada sobre se a defesa do "Lula livre" não poderia afastar a adesão de nomes como Joaquim Barbosa à frente de resistência, a senadora respondeu que "ninguém é obrigado a apoiar todas as causas". Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) à época do julgamento do mensalão do PT, Barbosa declarou voto em Haddad na véspera do segundo turno.

"O vetor da frente é a defesa da democracia", disse Gleisi. "Ninguém é obrigado a apoiar todas as causas que nós apoiamos ou que nós estamos defendendo, mas nós nunca vamos abrir mão de defender a liberdade do presidente Lula e um julgamento justo."