POLÍTICA
29/10/2018 20:26 -03 | Atualizado 30/10/2018 16:03 -03

Bolsonaro quer convidar Sérgio Moro para Ministério da Justiça

Em entrevista à Record, a primeira como presidente eleito, Bolsonaro também disse que vai dialogar com a oposição, mas descartou conversar com movimentos sociais.

Reprodução/Twitter/@RealitySocial
Jair Bolsonaro concede primeira entrevista como presidente eleito à TV Record.

Em entrevista concedida na noite desta segunda-feira (29) à TV Record, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse que deve convidar o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, para o Ministério da Justiça. Também pode indicá-lo para o STF (Supremo Tribunal Federal).

"Eu pretendo sim [convidá-lo], não só para o Supremo, mas quem sabe até para o Ministério da Justiça", disse Bolsonaro em sua primeira entrevista após o resultado da eleição.

"Pretendo conversar com ele, saber se ele tem interesse. Se houver interesse da parte dele, com toda a certeza será uma pessoa de extrema importância em um governo como o nosso", completou.

Mais tarde, em entrevista à TV Globo, disse que Moro é um "homem com passado exemplar". "Sérgio Moro perdeu a sua liberdade com o combate à corrupção. Tem que ter seu trabalho reconhecido."

À Record, o presidente eleito disse que já estão confirmados para integrar seu governo os nomes de Onyx Lorenzoni (Casa Civil), general Augusto Heleno (Defesa) e Paulo Guedes (Economia). "Também está quase confirmado o coronel da Aeronáutica Marcos Pontes [o astronauta, para o Ministério da Ciência]", disse.

Bolsonaro afirmou que quer reduzir o tamanho da máquina pública, cortando cargos e ministérios e impondo limites aos cartões corporativos. O objetivo, segundo ele, é evitar pressões e negociações de apoio.

"Você tem que dar o exemplo para poder cobrar alguma coisa. O que nós queremos, ao reduzir o tamanho do Estado, é evitar o 'toma lá, da cá' porque há uma pressão muito forte no Parlamento para agir dessa maneira. Temos conversado com parlamentares, grande parte são pessoas honestas que não querem continuar agindo via líderes partidários."

Bolsonaro disse que viajará para Brasília na próxima semana para tratar da transição. Ele afirmou que discutirá com o presidente Michel Temer (MDB) a possibilidade de aprovar alguns projetos ainda em 2018, entre eles a reforma da Previdência ("ao menos parte" dela).

Oposição

Bolsonaro disse que vai dialogar com a oposição e que precisa "do apoio de todos" para tirar o País da crise.

"Não vamos governar apenas para quem votou em mim. O Brasil está mergulhado na mais profunda crise moral, ética e econômica. Precisamos do apoio de todos. O que está em jogo é o nosso Brasil. Estamos todos, sem exceção, no mesmo barco."

O presidente eleito disse que defende até mesmo que seu partido, o PSL, não dispute a presidência da Câmara dos Deputados. "Tenho falado para a minha bancada que gostaria que não lutássemos pela presidência da Câmara. Seria um gesto de humildade da nossa parte de que queremos que todos participem do governo."

Questionado se buscaria diálogo com Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT), alguns de seus adversários na eleição presidencial, Bolsonaro disse que está pronto para conversar.

"Converso com eles. Apesar de algumas campanhas terem sido bastante agressivas, campanhas que tentaram a minha desconstrução, eu relevo isso tudo e estou pronto para conversar com qualquer um deles", afirmou, referindo-se indiretamente à campanha tucana, que o atacou com mais força.

Movimentos sociais

Se por um lado o presidente eleito promete dialogar com a oposição parlamentar e partidária, os movimentos sociais, por outro lado, não devem receber a mesma atenção.

Citando o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Bolsonaro voltou a dizer que as ações desses movimentos devem ser enquadradas como terrorismo.

"A propriedade privada é sagrada, não interessa se é urbana ou rural", afirmou. "Temos que ter uma legislação bastante dura para esses que vivem à margem da lei."