POLÍTICA
28/10/2018 22:44 -03 | Atualizado 29/10/2018 00:28 -03

Votos nulos e brancos somaram 9,6% do total em eleição polarizada

Índice foi superior aos das duas últimas eleições; Bolsonaro e Haddad tinham alta rejeição

Bloomberg via Getty Images
O percentual de nulos e brancos ficou acima do registrado no segundo turno das últimas duas eleições.

As urnas confirmaram uma tendência apontada nas pesquisas de intenção de voto: numa eleição presidencial extremamente polarizada e com altos índices de rejeição dos dois candidatos, foi grande o número de eleitores que optaram por escolher nenhum dos lados.

Com 99,97% das urnas apuradas, os votos nulos e brancos somavam 11 milhões de votos, o que representa 9,6% do universo total. Para muitos, a opção foi um voto de protesto.

O índice é bem superior ao do segundo turno das duas últimas eleições presidenciais. Em 2014, quando Dilma Rousseff (PT) venceu a eleição contra Aécio Neves (PSDB), os nulos somavam 4,63% e brancos 1,71%, totalizando 6,34%. As abstenções - quando as pessoas não votam - foram de 21,1%.

Em 2010, quando Dilma venceu o tucano José Serra, 4,4% da população anulou o voto, enquanto 2,3% votaram em branco. Somando, o total foi de 6,7%. A abstenção chegou a 21,5%.

Veja abaixo os números de votos nulos, brancos e abstenções desta eleição 2018:

Nulos: 8,6 milhões de votos (7,43%)

Brancos: 2,48 milhões de votos (2,14%)

Soma dos nulos e brancos: 9,57% dos votos

Abstenções: 31,3 milhões (21,3%)

Em 2018, as pesquisas já mostravam um alto índice de rejeição a ambos os candidatos: na última pesquisa Datafolha, de sábado (27), 52% dos entrevistados afirmavam que não votariam em Fernando Haddad (PT) de jeito nenhum. No caso de Jair Bolsonaro (PSL),a rejeição era de 45%.

Com 99% das urnas apuradas neste domingo (28), Bolsonaro foi eleito com 55,13% e Haddad recebeu 44,87% dos votos.

Eleição dos extremos

Nesta eleição polarizada, muitos eleitores decidiram anular o voto por não acreditarem em nenhum dos projetos propostos. De um lado, um candidato que já defendeu publicamente a ditadura militar e teve falas tidas como homofóbicas e machistas, de outro, um candidato pouco conhecido no Brasil em um partido com alta rejeição após colecionar envolvimentos em casos de corrupção.

Estes extremos levaram até mesmo políticos a optar pelo voto nulo neste segundo turno. Um deles foi Eduardo Jorge (PV), vice de Marina Silva (Rede) nesta eleição. "Eu não sou obrigado a escolher um deles", declarou na última semana.

"Tanto o PSL quanto o PT são comandados por núcleos políticos radicais e com tendências autoritárias", disse nas redes sociais na última terça-feira (23). "Prefiro o realismo de começar desde já ser oposição a qualquer um deles nos próximos 4 anos. Votarei nulo, contra o PSL e contra o PT."

Anular o voto também foi a saída do economista Carlos Góes. Ele não concorda com a tese de que votar nulo ajuda quem estaria vencendo a eleição, que no caso, foi Bolsonaro.

"Quem vota nulo não está ajudando Bolsonaro ou compactuando com ele. Haddad-é-Lula e o PT não têm direito inalienável ao meu voto. Eles teriam de conquistá-lo. E falharam miseravelmente nessa missão."