MULHERES
25/10/2018 13:45 -03 | Atualizado 25/10/2018 13:58 -03

Em decisão histórica, Etiópia terá pela 1ª vez uma mulher presidente

Embaixadora Sahle-Work Zewde faz história ao ser eleita após renúncia de seu antecessor, Mulatu Teshome.

"Precisamos nos tornar uma sociedade que rejeita a opressão das mulheres", disse Sahle-Work diante do Parlamento.
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"Precisamos nos tornar uma sociedade que rejeita a opressão das mulheres", disse Sahle-Work diante do Parlamento.

Sahle-Work Zewde: este é o nome da 1ª mulher presidente da Etiópia. Aos 68 anos, ela foi eleita em uma sessão conjunta das duas câmaras do Parlamento, nesta quinta-feira (25), após a renúncia de seu antecessor, Mulatu Teshome, que detinha o poder desde 2013. Ela não faz história só ao ocupar pela primeira vez o posto, mas em toda África. No momento, ela é a única mulher a presidir um país africano.

Zewde fez carreira como diplomata e foi representante da ONU (Organização das Nações Unidas) na União Africana. Ela também serviu como embaixadora da Etiópia no Senegal, Djibuti e França. "Precisamos nos tornar uma sociedade que rejeita a opressão das mulheres", disse diante do Parlamento, pouco depois de fazer o juramento do cargo.

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Sahle-Work Zewde ao lado do primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed.

Sahle-Work, em seu discurso, chamou a recente transferência de poder da Etiópia de "exemplar" e disse que se concentrará em reunir todos os lados para alcançar a paz em um país com múltiplos conflitos étnicos. "Peço a todos vocês que defendam nossa paz, em nome de uma mãe, que é a primeira a sofrer com a ausência de paz", disse.

Na Etiópia, o presidente da República tem valor representativo, mas não poderes executivos, como no Brasil. A nomeação de Zewde ocorre dois dias depois que o primeiro-ministro, Abiy Ahmed, aprovou uma reforma histórica, estabelecendo que metade dos seus membros deve ser formada por mulheres.

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Sahle-Work em discurso no Parlamento da Etiópia.

"Ela é a primeira mulher chefe de estado na Etiópia moderna. Em uma sociedade patriarcal como a nossa, a indicação de uma mulher para o cargo não só aponta diretrizes para o futuro, como também normaliza mulheres como tomadoras de decisão na nossa vida pública", disse em sua conta no Twitter o chefe de Gabinete de Abiy, Fitsum Arega.

Segundo a Reuters, durante a última semana, quando o primeiro-ministro refez seu gabinete, 10 mulheres foram apontadas como ministras, fazendo da Etiópia o terceiro país na África a atingir a igualdade entre homens e mulheres nos ministérios, depois de Ruanda e Seicheles.

Mulatu Teshome permaneceria no cargo até 2019, mas deixou o posto na última quarta-feira (24) sem especificar os motivos. Segundo a agência EFE, sua decisão tem envolvimento com as mudanças atuais realizadas no Parlamento e também com a intenção de garantir uma composição étnica mais harmônica entre os altos cargos da política no país.

No momento, o primeiro ministro Abiy Ahmed, pertence à etnia Oromo, assim como Mulatu e o ministro das Relações Exteriores, Workneh Gebeyehu. A nova presidente pertence à etnia Amhara.