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24/10/2018 17:14 -03 | Atualizado 24/10/2018 17:27 -03

Ponte Hong Kong-Zhuhai: 11 curiosidades sobre a ponte mais longa do mundo

Túnel no meio do oceano, construção de ilhas artificiais e mortes macabras são alguns dos fatos que chamam atenção sobre a ponte chinesa.

A ponte sobre o mar mais longa do planeta foi inaugurada nesta terça-feira (23) pelo governo chinês. Com mais de 55 quilômetros de longitude, ela une Hong Kong a Macau e a Zhuhai.

A ponte Hong Kong-Zhuhai, considerada uma das maiores construções durante o governo de Xi Jinping, utilizou mais de um milhão de metros cúbicos de cimento e é capaz de resistir a um terremoto de 8 graus na escala Richter. Veja a seguir alguns fatos sobre a obra e a inauguração do projeto:

Matt Leung via Getty Images

A impressionante ponte foi planejada para resistir a tremores de terra e tufões. Segundo a AFP, ela suporta rajadas de vento de até 340 km/h e foi construída com 420 mil toneladas de aço — o suficiente para erguer mais de 60 torres Eiffel, símbolo parisiense.

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Com 55 quilômetros, a construção chinesa é considerada a maior ponte marítima do mundo. Em seu trajeto, ela possui partes elevadas para permitir a passagem de barcos e túneis que se conectam por meio de duas ilhas artificiais.

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Para permitir a passagem de navios, foi construído um túnel submarino que passa entre duas ilhas artificiais. Após 29 km de estrada, os automóveis passam por um túnel de cerca de 6,7 quilômetros, com entrada e saída pelas ilhas. O túnel também foi planejado em uma área sujeita a tufões durante o verão.

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A ponte foi construída para tornar a viagem entre Hong Kong, Macau e Zhuhai mais rápida e eficiente. Hoje, moradores viajam de barco entre as 3 cidades e levam em torno de 4 horas para fazer todo o trajeto. Com a ponte, esse tempo cai para 30 a 45 minutos.

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A maior ponte de travessia marítima do mundo é também um dos maiores investimentos de infraestrutura do presidente chinês Xi Jinping. Porém, a construção teve diversos atrasos. Sua inauguração era prevista, inicialmente, para 2016.

Matt Leung via Getty Images

Além dos atrasos, a ponte foi apelidada de "ponte da morte" pela mídia chinesa. Segundo a BBC, cerca de 9 trabalhadores do lado de Hong Kong morreram enquanto a estrutura era construída. Outros 9 operários morreram no continente, ou atingidos por máquinas ou após caírem no mar. Outras centenas de trabalhadores sofreram acidentes durante a obra.

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Grupos de ambientalistas também criticaram fortemente as construções no ponto de vista ambiental. Segundo a filial da WWF de Hong Kong, existiam na região golfinhos brancos chineses, espécie em extinção. A quantidade desses golfinhos vistos de Hong Kong caiu de 148 para 47 nos últimos 10 anos e, com a ponte, não foi visto nenhum animal na região.

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Apesar de visar encurtar o tempo de viagem, a ponte não será para todos — pelo menos por enquanto. Segundo a imprensa chinesa, os motoristas precisarão obter uma permissão especial para utilizar a ponte, além de pagar um pedágio. Ao todo, serão concedidas 10 mil permissões para os chineses que moram em Hong Kong e querem dirigir até Zhuhai, província de Guangdong. A permissão vale por 5 anos.

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Outro detalhe torna a viagem mais complicada: os motoristas precisam trocar o lado da estrada enquanto atravessa a ponte. Em Hong Kong e em Macau, as pessoas dirigem à esquerda, como no Reino Unido, mas a China dirige à direita.

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A China é um dos países do mundo que mais vigia seus cidadãos e a ponte não é uma exceção: há câmeras especiais que conseguem detectar até mesmo possíveis bocejos dos motoristas, que possam estar com sono.

Bloomberg via Getty Images

Não há dúvidas sobre a magnitude da ponte Hong Kong-Zhuhai, mas seu investimento custou muito caro para a China. Somando a ponte, estradas de acesso e ilhas artificiais, o projeto custou em média US$ 20 bilhões para ser construído. Apesar de as autoridades chinesas dizerem que tal investimento vai gerar cerca de US$ 5,31 trilhões para a economia, críticos disseram que a ponte não garante retorno econômico e apelidaram a construção de "grande elefante branco".

"Tenho certeza de que nunca conseguiríamos recuperar [o valor investido]", disse a parlamentar de Hong Kong, Tanya Chan à BBC News da China.