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24/10/2018 13:49 -03 | Atualizado 24/10/2018 17:44 -03

Laudo sugere que jovem marcada com suástica no RS se automutilou

Defesa diz que a análise não encerra a investigação.

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Laudo técnico da polícia sugere que agressão tenha sido feita sem a reação da vítima.

O laudo técnico da Polícia Civil do Rio Grande do Sul divulgado nesta quarta-feira (24) sobre o caso da jovem de 19 anos que teve uma suástica marcada no corpo em Porto Alegre no último dia 8 afirma que os cortes são "escoriações superficiais" e sugere que houve automutilação ou que ela foi ferida com seu consentimento.

O Instituto Geral de Perícias (IGP) analisou 23 marcas no corpo da jovem. Segundo o seu relato, ela teria sido agredida por três homens no bairro da Cidade Baixa. Ela estaria usando uma mochila com frases de repúdio à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) e símbolos em defesa dos LGBTs.

"Pode-se afirmar com convicção que as lesões produzidas na vítima não são compatíveis com as que seriam esperadas na hipótese de ter havido efetiva resistência da parte dela à ação de um agente agressor", diz o documento.

No laudo técnico, a polícia chama atenção de que não havia no momento do exame marcas de "lesões de defesa da vítima".

Ainda indica que os cortes teriam sido feitos de forma cuidadosa, com "pequenas mudanças de profundidade".

Para o IGP, dificilmente um agente agressor teria conseguido marcas tão "retilíneas" e "contínuas" sem qualquer reação ou movimento corporal da vítima.

"Para que a força empregada ao se produzirem as lesões não provocasse dano desmedido e acabasse atravessar integralmente a pele, o que acabaria por provocar um corte, isto é, um ferimento inciso, é condição necessária que o agente produtor dessas lesões tenha tido bastante habilidade e cuidado ao executar os movimentos que originaram as inscrições relatadas, bem como que ele tenha tido tempo adequado para produzir as lesões e, idealmente, um ambiente propício", diz o laudo.

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Entenda o caso

A jovem registrou boletim de ocorrência no dia 8 de outubro, após o 1º turno das eleições presidenciais.

Em seu relato à polícia, ela afirmou ter sido agredida por duas pessoas e uma terceira teria a imobilizado e feito os cortes em sua pele.

A jovem, no entanto, já havia desistido de representar criminalmente contra os agressores.

De acordo com o delegado Paulo Cesar Jardim, responsável pelo caso, mais de 20 pessoas foram ouvidas na região e ninguém confirmou ter visto qualquer movimentação relacionada.

"Toda a área que ela percorreu identificamos 12 câmeras, uma visão muito boa, ela não aparece, tampouco alguma agressão", afirmou Jardim em entrevista ao G1.

A polícia encaminhou ao Judiciário um processo de "delito de pequeno poder ofensivo", cuja a pena é de seis meses a um ano, contra a jovem.

O caso chegou a ser usado pelo candidato Fernando Haddad (PT) em sua propaganda eleitoral como prova de agressões sofridas por opositores a Bolsonaro.

Laudo divulgado não encerra investigações

Para Gabriela Souza, advogada da vítima, o laudo divulgado pela polícia não encerra as investigações sobre a agressão. A defesa afirma que o documento técnico corrobora o depoimento da vítima.

"A perícia não descarta a hipótese de as lesões terem sido causadas por outro indivíduo, inclusive mediante incapacidade de defesa da vítima. Isso comprova o teor do depoimento da vítima, que não esboçou reação durante o ataque e sofreu estresse pós-traumático, situação que se mantém até o momento", declara a advogada.

A defesa, ainda, espera que sejam apresentadas imagens de câmeras de segurança do local em que a vítima diz ter sido atacada.