ENTRETENIMENTO
24/10/2018 08:33 -03 | Atualizado 26/10/2018 09:15 -03

'A Casa Que Jack Construiu': Lars Von Trier só quer chocar

Desagradável, novo filme do diretor dinamarquês traz cenas de violência contra animais e até assassinato de crianças.

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Matt Dilon é o psicopata Jack na produção que estreia no Brasil nesta quinta (01)

Desagradável, misógino, vil. A nova provocação do enfant terribleLars Von Trieré tudo isso e, ao mesmo tempo, nada disso. Depois de um banimento de Cannes que durou 7 anos, quando falou que judeus "eram um saco" e que "entendia Hitler" em uma coletiva em 2011, o diretor voltou ao festival francês com A Casa de Jack Construiu, filme que estreia no Brasil nesta quinta-feira (01).

A reação da plateia na sessão da Riviera Francesa — quando metade dela deixou a exibição antes do fim — tem tudo para se repetir por aqui. Há quem diga que pessoas saíram da sala para vomitar, enjoadas com cansativas sequências de violência e sadismo explícitos. Exagero ou não, essa era exatamente a reação que Von Trier queria. Em entrevistas dadas durante o festival, ele se disse satisfeito com o resultado que seu filme causou no público.

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Filme de Lars Von Trier

Na trama, Jack (Matt Dilon) conta 5 histórias que marcaram sua vida de serial killer para Virgílio (Bruno Ganz), guia de Dante Alighieri em A Divina Comédia, que o acompanha em uma descida ao inferno. Seus "causos" relatam crueldade com animais, assassinatos de mulheres e até de crianças. A sequência em que ele aterroriza uma mãe e seus 2 filhos pequenos é, com toda a certeza, a mais repugnante da História do cinema.

O problema é que dos primeiros anos de polêmicas devido críticas ácidas à sociedade moderna, a carreira do cineasta dinamarquês se reduziu ao simplista desejo de causar. Por isso mesmo, A Casa de Jack Construiu traz consigo todos os adjetivos enumerados no começo do texto, mas não se identifica com nenhum deles intimamente, porque estão lá por um único motivo: chocar.

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Filme de Lars Von Trier

O enredo do psicopata Jack sofre da mesma doença de seu protagonista. O filme simplesmente não entende as emoções humanas. Assim como o personagem vivido por Dilon, ele joga teorias malucas tentando explicar o que está criticando, mas tudo não passa de uma enxurrada de palavras vazias e desconexas que sempre terminam em algum ato detestável.

As razões de Von Trier para contar essa história se perdem na própria mente doentia de Jack. Tanto que aqui, a egomania — característica comum em psicopatas — do diretor chega a patamares estratosféricos em uma das conversas entre o protagonista e Virgílio, dando a impressão que a história de criador e criatura se confundem.