POLÍTICA
23/10/2018 09:49 -03 | Atualizado 23/10/2018 09:49 -03

Haddad defende punição exemplar a petistas envolvidos em corrupção

Candidato cobrou apoio de Ciro Gomes. “Espero que o Ciro dê um alô de onde estiver, aguardo ansiosamente", disse em entrevista ao Roda Viva.

MIGUEL SCHINCARIOL via Getty Images

A 7 dias do 2º turno, o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, voltou a fazer uma autocrítica ao partido e defendeu punição exemplar em casos de corrupção. Ele também não citou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silvaquando foi questionado sobre seus ídolos, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, exibida na noite desta segunda-feira (22).

Formado em Direito, Haddad se definiu como constitucionalista e defendeu a conclusão dos processos. Ele também disse provavelmente houve crime dentro do PT.

"Certamente, teve pessoas que usaram o financiamento de caixa dois, financiamento ilegal de campanha, para enriquecer. São dois crimes: financiamento de caixa dois e o enriquecimento, que ainda é mais grave. Por isso, tem uma pena maior. Acredito que teve gente que se valeu disso para enriquecer. Só a favor de punição exemplar dessas pessoas", afirmou aos jornalistas.

Quanto questionado sobre seus ídolos, Haddad citou apenas o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, embora tenha sido encorajado a responder mais de um nome. Ele repetiu que Lula não quer um indulto, mas um "julgamento justo".

O petista admitiu ainda erros na condução da política econômica do governo de Dilma Rousseff e criticou o fato de a ex-presidente ter controlado preços. Ele lembrou, contudo, que o Congresso Nacional impediu a reorganização da economia com a chamada pauta bomba, que aumentou os gastos públicos.

Caso eleito, o ex-prefeito de São Paulo disse que não iria privatizar nenhuma estatal, mas defendeu algumas fusões, como no caso da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), a "estatal do trem bala".

Ainda sobre economia, o presidenciável disse que o Banco Central terá a função de coordenar a reforma bancária que ele pretende implementar, a partir da abertura do mercado para fintechs e cooperativas de crédito. "O empresário não aguenta mais pagar juros para o banqueiro", disse.

Haddad cobra apoio de Ciro Gomes

Em segundo lugar na corrida eleitoral, Haddad cobrou um apoio contundente de Ciro Gomes (PDT), que viajou para Europa após ficar em terceiro lugar no primeiro turno. "Espero que o Ciro dê um alô de onde estiver, aguardo ansiosamente", disse o petista. O PDT declarou um "apoio crítico" ao PT.

O candidato negou que a frente democrática tenha fracasso e lembrou que Marina Silva (Rede) declarou apoio à sua candidatura nesta segunda.

O ex-ministro da Educação também alertou para o risco de ruptura da democracia caso Jair Bolsonaro (PSL) seja eleito. O petista afirmou ainda que espera que a ameaça de compras de pacotes de fake news contra ele tenha sido contida.

Bolsonaro também foi convidado pelo Roda Viva, mas recusou todas as propostas de participação, inclusive por vídeo.