POLÍTICA
23/10/2018 13:29 -03 | Atualizado 23/10/2018 21:17 -03

Haddad chama Mourão de torturador e afirma que facada favoreceu Bolsonaro

Vice do candidato do PSL nega e diz que processará o cantor Geraldo Azevedo, o primeiro a acusá-lo.

Paulo Whitaker / Reuters
Fernando Haddad acusou general Mourão de ser torturador.

O candidato Fernando Haddad (PT) disse em entrevista nesta terça-feira (23) que o seu adversário Jair Bolsonaro (PSL) não teve "importância" no Exército, mas que o seu vice, o general Hamilton Mourão, cometeu torturas durante o período de ditadura militar.

A fala do candidato petista se deu durante a sabatina promovida pelos jornais O Globo e Valor Econômico e a revista Época. Haddad baseou a acusação em uma declaração dada pelo artista Geraldo Azevedo durante um show na cidade de Jacobina (BA), no último sábado (20).

"Bolsonaro nunca teve nenhuma importância no Exército. Mas o Mourão foi, ele próprio, torturador. O Geraldo Azevedo falou isso. Ver um ditador como eminência parda de uma figura como Bolsonaro deveria causar temor em todos os brasileiros minimamente comprometidos com Estado Democrático de Direito", disse o candidato petista.

Logo após a entrevista de Haddad, o general disse ao Estado de S. Paulo que vai processar o músico por conta da declaração. Nascido em 1953, Mourão tinha apenas 16 anos quando Azevedo foi preso e torturado.

"É uma coisa tão mentirosa. Ele me acusa de tê-lo torturado em 1969. Eu era aluno do Colégio Militar em Porto Alegre e tinha 16 anos. Cabe processo", afirmou o general.

Em nota ao jornal, Azevedo pediu desculpas pela declaração e negou que Mourão estivesse entre os militares que o torturaram, mas reforçou a sua opinião de que "não há espaço no Brasil de hoje para a volta de um regime que tem a tortura como política de Estado e cerceia a liberdade de imprensa".

Ainda na sabatina, Haddad disse que Bolsonaro é "fascista" e o "pior dos porões".

"Ele tem como vice um torturador. Tem como ídolo um torturador, que é [o general Brilhante] Ustra. Para mim, isso é fascismo. Se vocês quiserem dar outro nome para adocicar o Bolsonaro... Estamos diante de um bárbaro, que não respeita ninguém há 30 anos. É o pior dos porões", argumentou.

Veja a entrevista completa:

"É uma coisa indignante. Eu fui preso duas vezes na ditadura, fui torturado, você não sabe o que é tortura, não. Esse Mourão era um dos torturadores lá", declarou o artista.

"Eu fico impressionado do povo brasileiro não prestar atenção nas evoluções humanas. Olha, eu não sei se isso aqui vai entrar em algum choque com a prefeitura, coisa e tal, mas é o meu sentimento de indignação em relação com o que pode acontecer com o Brasil", continuou.

O artista Geraldo Azevedo foi preso em 1969 com a sua esposa durante o regime militar. Ele foi torturado por 41 dias.

Apesar da denúncia de Azevedo, consta na biografia de Mourão que o general da reserva só ingressou no exército em 1972 e foi declarado aspirante-a-oficial da Arma de Artilharia três anos depois.

Atentado favoreceu Bolsonaro

Questionado pelos jornalistas sobre a dificuldade de mudar o cenário do 2º turno, em que o seu adversário aparece com 59% das intenções de votos, Haddad afirmou que o atentado sofrido por Bolsonaro foi um ponto de virada na campanha do militar da reserva.

"Ninguém quer ser esfaqueado para ganhar uma eleição. O fato é que ele subiu dez pontos em uma semana no nosso tracking, isso é fato. Estava entre 18 e 19, o Alckmin estava subindo, indo para o segundo turno com o PT, e ele [Bolsonaro] foi pra 28 em dez dias, subiu um ponto por dia", disse.

O petista também lamentou o fato de que Ciro Gomes (PDT), terceiro colocado no 1º turno, não estivesse ao seu lado durante a reta final da campanha.