POLÍTICA
23/10/2018 18:30 -03 | Atualizado 23/10/2018 20:25 -03

Bolsonaro diz que militares não ocuparão um terço dos ministérios

General está cotado para a Defesa e astronauta, que é tenente-coronel, pode ocupar a pasta da Ciência e Tecnologia.

Reprodução/SBT
“Eles terão espaço, sim, mas não ocuparão um terço dos ministérios”, disse Bolsonaro sobre militares.

Diante de especulações sobre o peso da atuação de militares em um eventual governo de Jair Bolsonaro, o candidato do PSL à Presidência disse, em entrevista na noite de segunda-feira (22), que levará militares para a Esplanada dos Ministérios, mas que eles não ocuparão um terço dos cargos.

"Eles terão espaço, sim, mas não ocuparão um terço dos ministérios", afirmou Bolsonaro em entrevista ao SBT.

O candidato disse que já tem 3 nomes definidos para um eventual governo: Augusto Heleno, general da reserva do Exército, para o Ministério da Defesa; Paulo Guedes para o Ministério da Economia que irá criar; e Onyx Lorenzoni (DEM-RS), deputado federal, para a Casa Civil. O vice de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, também é militar da reserva.

Outro nome que deve ser confirmado, segundo o candidato, é o do tenente-coronel da Aeronáutica Marcos Pontes, o astronauta.

"Conversei com ele várias vezes, [ele] tem um profundo conhecimento daquilo que nós queremos, que é pesquisa e desenvolvimento. Há pouco tempo ele esteve na Nasa, é um orgulho para nós termos um astronauta. E ele é um patriota, tem conhecimento e tem iniciativa, pré-requisitos que nós queremos para ocupar os ministérios", disse Bolsonaro.

Desde o fim da ditadura, a presença de militares no governo é vista com desconfiança por uma parcela da população. No governo Michel Temer, no entanto, eles já estiveram mais presentes na Esplanada.

O Ministério da Defesa, por exemplo, foi ocupado por um militar pela primeira vez desde que foi criado, em 1999. Em junho deste ano, Temer efetivou o general do Exército Joaquim Silva e Luna para comandar a pasta.

O presidente ainda recriou a Secretaria de Segurança Institucional (GSI), com status de ministério, e indicou o general Sérgio Etchegoyen para chefiá-la.

A Funai (Fundação Nacional do Índio) também chegou a ser comandada por um militar, o general da reserva Franklimberg Freitas, e a intervenção federal no Rio de Janeiro é liderada pelo general Walter Souza Braga Netto.

Boa relação com militares

Capitão da reserva, Bolsonaro mantém boa relação com os militares. O lema do Exército "Brasil acima de tudo" inclusive foi adotado pelo candidato no slogan de sua campanha, que é "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

Entre domingo (21) e segunda-feira (22), a conta oficial do Exército no Twitter usou a hashtag #BrasilAcimaDeTudo em duas postagens, algo fora do padrão dos conteúdos postados no último mês, segundo levantamento do HuffPost Brasil.

Questionada sobre o uso da hashtag nos últimos dias, a menos de uma semana do segundo turno da eleição, presidencial, a assessoria de imprensa do Exército afirmou à reportagem que "Brasil acima de tudo" é um lema da instituição e que os tuítes não têm relação alguma com a campanha eleitoral.