POLÍTICA
21/10/2018 19:11 -03 | Atualizado 21/10/2018 19:11 -03

Protesto contra PT e pró-Bolsonaro teve pedido por voto em cédula e homenagem a Moro

“Vocês estão salvando o Brasil”, disse o candidato Jair Bolsonaro (PSL), em transmissão ao vivo aos manifestantes.

Movimentação contra retorno do PT ao poder e a favor de Jair Bolsonaro mobilizou a Avenida Paulista, em São Paulo.
NELSON ALMEIDA via Getty Images
Movimentação contra retorno do PT ao poder e a favor de Jair Bolsonaro mobilizou a Avenida Paulista, em São Paulo.

Manifestantes contrários ao retorno do PT ao comando do País e apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL) voltaram às ruas neste domingo (21). Há registros de protestos nas principais cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo. Na capital paulista, o ato foi marcado por faixas e cartazes com pedidos de voto em cédula no segundo turno, ironização à denúncia de caixa 2 na campanha do candidato Jair Bolsonaro (PSL), além da participação de personalidades, como o candidato ao governo de São Paulo, João Doria, a deputada Joice Hasselmann (PSL).

A Polícia Militar não divulgou estimativa de público. A organização, entretanto, acredita que ao menos 100 mil pessoas passaram pela Paulista entre os 4 carros de som que faziam parte do protesto. Um deles transmitiu ao vivo uma mensagem do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL). A fala dele foi recebida pelo público aos gritos de "mito".

"Vocês estão salvando o Brasil", disse o candidato aos manifestantes.

Para o assistentes de projetos que hoje está desempregado, Franklin Ferreira, 29 anos, o voto em Bolsonaro é exatamente uma forma de livrar o Brasil do cenário que o País se encontra hoje. "A gente já passou por anos suficientes de governo PT para saber que precisamos de mudança. Teve Lava Jato, petrolão. Sei que a corrupção não é só no PT, mas eles abraçaram de uma forma que resultou no que temos hoje", disse.

Grasielle Castro/HuffPost Brasil
Manifestantes dão apoio a Jair Bolsonaro na Avenida Paulista e pedem por voto impresso.

Ferreira não acredita que Bolsonaro represente risco ao País. "Quem fala isso não de informa direito, criam essa opinião sem buscar a informação na fonte."

O empresário Leandro Gonçalves, 44 anos, corrobora a declaração de Ferreira e diz que "já basta de PT". Segundo ele, se Bolsonaro for eleito e atentar contra a população, o povo volta para as ruas de novo. Para ele, as denúncias sobre suposto uso de caixa 2 na campanha do candidato do PSL para impulsionar mensagens no WhatsApp é desespero do PT. "Sabem que vão perder e decidiram apelar", disse.

A fala de Gonçalves foi repetida diversas vezes por manifestantes que ironizavam a denúncia do possível caixa 2. Em vários cartazes era possível ler "o caixa 2 do WhatsApp sou eu" ou "Polícia Federal, me prende. Eu fiz campanha para o Jair no Zap".

No carro de som do Movimento Brasil Livre, a mensagem também foi endossada. "Estão dizendo que nós estamos tentando fraudar a campanha porque somos o caixa 2. O caixa 2 que eles estão falando é o povo, eu sou, você é. Tudo isso se deve também em grande parte ao PT porque foram tão incompetentes, acharam que já tinha tudo dominado, mas o gigante acordou de verdade. Derrubamos eles no impeachment, nas ruas, no promete turno e vamos derrubar de novo no segundo turno", afirmou Renan Santos, um dos líderes do movimento.

Grasielle Castro/HuffPost Brasil
Pedidos pela volta do voto impresso foram constantes na manifestação.

Candidato ao governo de São Paulo, João Doria (PSDB) subiu no carro de som do MBL para fazer campanha. Doria destacou que não precisa da política para viver, disse que quer ser eleito para defender uma política liberal para o Estado. Ele fez críticas ao PT e disparou: "esquerdista, fiquem onde estão ou saiam do brasil".

Em outro carro de som, o mesmo que esteve a atriz Regina Duarte - que recentemente fez campanha em defesa de Bolsonaro -, a deputada eleita Joice Hasselmann (PSL) prometeu todos os esforços possíveis para eleger o capitão reformado do Exército. Ela, assim como o cantor Lobão, foi muito aplaudida pelo público.

O carro de som do #NasRuas aproveitou a oportunidade para homenagear o juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância. "Tudo que você fez pelo Brasil não será esquecido. Queremos Moro no STF (Supremo Tribunal Federal). Vamos limpar aqueles juízes corruptos, vamos limpar o STF", entoavam os manifestantes em cima do carro de som.

Brasília e Rio de Janeiro

Sergio Moraes / Reuters
"Não aceitaremos fraude", diz faixa levada ao protesto no Rio.

As manifestações a favor de Jair Bolsonaro movimentaram outras grandes capitais. Em Brasília, segundo informações da Agência Brasil, uma carreata marcada por um buzinaço ocupou as seis faixas da pista que liga o Museu da República ao Congresso Nacional onde muitos apoiadores do militar reformado estavam concentrados.

Ao longo do percurso um carro de som comandado por deputados recém-eleitos e lideranças de movimentos que, pelas redes sociais, ajudaram na convocação de eleitores de Bolsonaro, fizeram discursos contra a corrupção, ideologia de gênero e a favor da "família tradicional". Os manifestantes também cantaram o Hino Nacional, rezaram o Pai Nosso, entoaram palavras de ordem e simularam o gesto de arma em punho, símbolo muito utilizado pelo presidenciável.

No Rio de Janeiro, também segundo informações da Agência Brasil, a manifestação ocorreu na Praia de Copacabana, na zona sul. Carros de som, dois deles com faixas do Movimento Brasil Livre (MBL) e um do movimento Vem Pra Rua, chamam a atenção de quem passava pelo local.

No microfone, organizadores atacaram o PT e acusaram a candidatura de Fernando Haddad de planejar que o Brasil "se transforme na Venezuela", em referência a problemas econômicos e sociais enfrentados pelo país vizinho.

Uma faixa estendida na manifestação trazia a frase "Não aceitaremos fraude" e recebia a assinatura de participantes da manifestação.