MULHERES
20/10/2018 19:28 -03 | Atualizado 20/10/2018 21:36 -03

Mulheres voltam às ruas em protesto contra Bolsonaro

Em São Paulo, organização diz que 70 mil pessoas participaram; PM não divulgou estimativa. Ato aconteceu em outras capitais brasileiras.

Mulheres vão às ruas novamente protestar contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) e pedir #EleNão.
NELSON ALMEIDA via Getty Images
Mulheres vão às ruas novamente protestar contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) e pedir #EleNão.

"Nem fraquejada e nem do lar, a mulherada tá na rua para lutar", "Ô Bolsonaro, pode esperar, as fraquejadas vão te derrubar", "Ele não! Ele nunca! Ele Jamais!".

Estase outras palavras de ordem guiaram o terceiro ato organizado pelo grupo unificado "Mulheres Unidas Contra Bolsonaro" neste sábado (20), na Avenida Paulista, em São Paulo. Até às 18h, a organização contabilizou a presença de cerca de 70 mil pessoas. A Polícia Militar não divulgou números oficiais. Outros atos também acontecem em outras capitais brasileiras. Já para este domingo (21) estão programadas manifestações em todo País contra o comunismo e o retorno do PT à presidência.

A concentração começou às 15h, no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, e uniu manifestantes contra o candidato à Presidência, Jair Bolsonaro (PSL), a favor da democracia, em defesa da liberdade de expressão e dos direitos das mulheres, da população negra e LGBT. Os mesmos coletivos presentes hoje, estavam envolvidos na organização do ato no dia 29 de setembro, que reuniu mais de 500 mil pessoas no Largo da Batata, em São Paulo. Desta vez, contou também com a Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Andréa Martinelli/HuffPost Brasil
Maria das Neves, estudante de 31 anos, é uma das mulheres envolvidas na organização do ato.

"A organização de um ato como esse é sempre uma construção desafiadora. Estamos reivindicando não só a nossa oposição a Jair Bolsonaro, mas também a constante defesa dos direitos das mulheres que tem sido força protagonista nessa eleição", afirma Maria das Neves, de 31 anos, uma das organizadoras do evento pertencente à União Brasileira de Mulheres. "É um momento histórico, a gente está vivendo um retrocesso sem precedentes no Brasil. Esse é o nosso grito de liberdade, pela paz, pela não violência. É um ato para lutarmos pelo melhor", completa.

Faixas de coletivos feministas, a bandeira LGBT, cartazes pedindo pelo fim do genocídio da população negra, e outros que pediam por "Ele Não" e "Ditadura Nunca Mais" eram vistos durante o ato. Outros cartazes e faixas lembraram o assassinato da vereadora Marielle Franco, em março deste ano e do mestre de capoeira Moa do Katendê, morto após uma discussão política em Salvador (BA) neste mês.

"Eu acho que chegou a hora da gente mostrar essa força na rua. O medo não ganhou a gente", afirma Felipe Lago, de 28 anos, criador da conta "Eles Não Vão Nos Matar" no Instagram, após ter sofrido uma agressão por ser homossexual. A conta na rede social acabou se transformando em um canal de denúncias sofridas pela população LGBT. "É muito importante ser LGBT e saber que o medo não vai ganhar a gente, essa mobilização, que uniu todos os movimentos pela democracia, é linda. Eu me sinto muito seguro aqui [na manifestação]", completa.

Andréa Martinelli/HuffPost Brasil
Ato reuniu cerca de 70 mil pessoas em São Paulo.

Entre os participantes, estavam a deputada Luiza Erundina (Psol), o ex-senador Eduardo Suplicy e a a ex-ministra Eleonora Menicucci, além de artistas como a cantora Liniker. "É importante estar aqui porque não existe outra saída. Por tudo o que eu sou e por tudo o que o meu trabalho representa, eu não posso compactuar com alguém que coloca um discurso violento no mundo", disse Liniker ao HuffPost Brasil.

Um grupo de mulheres que segurava bandeira com o nome do jornalista Vladimir Herzog, morto nos porões da ditadura militar, assim como de outras mulheres que foram mortas na época da repressão no Brasil, Maria Auxiliadora Lara Barcellos e Ana Rosa Kucinski foi às ruas se posicionar contra Bolsonaro.

"Ele usa muito a questão de Israel e dos judeus para fortalecer a candidatura dele de uma forma leviana. Nós estamos aqui não só para apoiar as mulheres que se organizaram para ir à luta, mas também para dizer 'não' ao uso da história do nosso povo", afirmou Clarice Goldberg, de 47 anos.

Espera Eswigt, haitiano e vive no Brasil há 5 anos, segurava um dos cartazes que dizia "o exército brasileiro não salvou o Haiti". Em conversa com o HuffPost Brasil, ele afirmou que está nas ruas porque não apoia o candidato e, principalmente "porque ele usa a situação do Haiti, meu país, como se fosse um exemplo do que deve ser feito no Brasil. Não foi algo que deu certo para nós".

Também eram vistas bandeiras de centrais sindicais e partidos políticos em meio à multidão. Por volta das 17h30, o ato seguiu pela Avenida Paulista, na direção da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, conduzido pelo bloco Ilú Obá de Min, composto apenas por mulheres. Logo atrás, mulheres carregavam bandeira com símbolo feminista e com a frase "Mulheres Unidas Contra Jair Bolsonaro. Fascismo, não!". Chegando na Praça da Sé, o ato dispersou. Não foi registrada nenhuma ocorrência policial.

"Mulheres Unidas Contra Bolsonaro" em outras capitais

ASSOCIATED PRESS
Mulheres se reuniram na Cinelândia, no Rio de Janeiro, para protestar contra o candidato à Presidência, Jair Bolsonaro (PSL).

Outros atos foram marcados em cerca de 29 capitais País. Convocados pelas redes sociais, atos foram registrados, até o momento, em 15 estados e no Distrito Federal, segundo o G1. No Rio de Janeiro, manifestantes se reuniram na Cinelândia a partir das 15h.

Segundo a Agência Brasil, durante toda a manifestação no Rio de Janeiro, participantes entoavam cantos como "a nossa luta, é todo dia, somos mulheres na democracia". E, assim como em São Paulo, manifestantes homenagearam o mestre Moa do Katendê, assassinado em Salvador (BA).

Em Brasília, no Distrito Federal, o ato teve início na rodoviária do Plano Piloto às 15h. Já em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Manuela D'Ávila, candidata a vice-presidente na chapa de Fernando Haddad (PT), participou de manifestação contra Bolsonaro e afirmou que "precisamos olhar nos olhos desses homens e mulheres e dizer que não é possível que o sentimento contrário a um partido seja maior do que o amor à democracia."

Ainda ocorreram manifestações em Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Natal, Recife e Salvador. Nas redes sociais, a hashtags #BolsonaroNão registrou imagens dos protestos pelo País.

Já a que pede #BolsonaroSim, convoca manifestantes para o ato que acontecerá neste domingo (21), em apoio ao candidato.

O apoio a Bolsonaro e o movimento que pede "PT Não"

SIPA USA/PA Images
Manifestantes se reúnem na Avenida Paulista em apoio a Jair Bolsonaro, em 30 de setembro de 2018.

Em resposta à articulação das mulheres e outros movimentos sociais contra Bolsonaro, apoiadores do candidato criaram a hashtag #EleSim e se organizam para um protesto que acontecerá neste domingo (21), na avenida Paulista, em frente ao Masp, a partir das 14h. O evento "PT Não" é organizado pelo movimento "Vem Pra Rua".

Pesquisa Datafolha divulgada na noite da última quinta-feira (18) mostra vantagem de Jair Bolsonaro (PSL) na disputa pela Presidência da República. Ele tem 59% dos votos válidos, enquanto Fernando Haddad (PT) tem 41%. É uma diferença de 18 pontos a apenas 10 dias do 2º turno da eleição.