POLÍTICA
19/10/2018 21:25 -03 | Atualizado 19/10/2018 21:46 -03

WhatsApp: TSE abre investigação sobre Bolsonaro, e PGR aciona Polícia Federal

Ministro acolheu pedido do PT, mas não autorizou ações de busca e apreensão; PGR quer inquérito também sobre campanha de Haddad.

Jair Bolsonaro nega envolvimento com suposto esquema de envio em massa de fake news.
CARL DE SOUZA/AFP/Getty Images
Jair Bolsonaro nega envolvimento com suposto esquema de envio em massa de fake news.

O ministro Jorge Mussi, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, decidiu nesta sexta-feira (19) abrir uma ação para investigar o suposto envio em massa de mensagens contra o PT pelo WhatsApp.

A ação foi apresentada na última quinta-feira (18) pelo candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) contra seu adversário Jair Bolsonaro (PSL), com base em reportagem da Folha de S.Paulo. Segundo o jornal, empresários ligados ao deputado estariam contratando agências para disparar fake news contra o petista.

Na decisão, Mussi determina que Bolsonaro seja notificado e dá prazo de 5 dias para o candidato se defender. O ministro, porém, não autorizou ações de busca e apreensão de imediato, como queria o PT, e não analisou o pedido de quebra de sigilo das agências suspeitas (Quick Mobile, Yacows, Croc Services e SMS Market).

Também na noite desta sexta, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar se agências de TI (tecnologia da informação) têm distribuído "de forma estruturada" mensagens sobre os dois candidatos, Bolsonaro e Haddad.

No documento, enviado ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, Dodge afirma que o objetivo do inquérito é apurar a existência de esquema profissional para propagar notícias falsas. Segundo Dodge, a prática "afronta a integridade das eleições" e tem "alta potencialidade lesiva".

De acordo com a reportagem da Folha, os pacotes de disparos em massa de mensagens custam até R$ 12 milhões. A prática seria ilegal porque a lei proíbe doação de empresas a campanhas eleitorais. Bolsonaro nega envolvimento no esquema.

WhatsApp bane contas

O WhatsApp informou nesta sexta que está tomando medidas legais para impedir empresas de enviarem mensagens em massa e que "contas associadas a essas empresas" foram banidas da plataforma.

Em nota, o aplicativo disse que esse trabalho é desenvolvido desde o início do processo eleitoral no País.

"O WhatsApp baniu proativamente centenas de milhares de contas durante o período das eleições no Brasil. Temos tecnologia de ponta para detecção de spam que identifica contas com comportamento anormal para que não possam ser usadas para espalhar spam ou desinformação", diz a nota.