POLÍTICA
19/10/2018 14:48 -03 | Atualizado 19/10/2018 16:50 -03

PT cobra do TSE resposta sobre possíveis irregularidades na campanha de Bolsonaro

"Estamos diante de uma boca de urna digital de grandes proporções que mudou o resultado da eleição”, disse Gleisi Hoffmann, presidente do PT.

ASSOCIATED PRESS
De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, empresários financiaram a propagação de fake news antipetistas pelo WhatsApp.

A uma semana do segundo turno, integrantes do PT pressionam o TSE (Tribunal Federal Eleitoral) por respostas na ação movida pela campanha de Fernando Haddad (PT), na última quinta-feira (18), contra o opositor Jair Bolsonaro (PSL) por possíveis irregularidades no processo eleitoral.

Em reunião com a presidente da Corte, ministra Rosa Weber, nesta sexta-feira (19) em Brasília, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), cobrou uma atuação firme da Justiça. "Estamos diante de uma boca de urna digital de grandes proporções que mudou o resultado da eleição praticamente no dia da eleição", afirmou a jornalistas após o encontro.

A ação movida pelo PT tem como base uma reportagem da Folha de S.Paulo que afirma que empresas privadas estariam pagando por pacotes de impulsionamento de notícias falsas sobre o PT no WhatsApp. A campanha de Haddad pediu a impugnação da candidatura de Bolsonaro e que ele fique inelegível por 8 anos por abuso de poder econômico.

Segundo o jornal, a empresas teriam pago até R$ 12 milhões para disparar mensagens em massa e preparam uma operação na semana anterior ao 2º turno.

Se a prática for confirmada, trata-se de doação de campanha vedada por lei. A legislação não permite o financiamento empresarial e autoriza apenas o uso de listas elaboradas na rede social voluntariamente pelas próprias campanhas.

Bolsonaro disse que não tem controle sobre ações de empresários no WhatsApp. Já o presidente do PSL, Gustavo Bebianno, afirmou que o partido só usou doações recebidas por meio de vaquinha virtual.

Na reunião desta sexta, a presidente do PT cobrou agilidade nos prazos do TSE e a determinação de medidas cautelares propostas pelo partido na ação, como busca e apreensão nas empresas acusadas de atuar ilegalmente contra o PT. De acordo com Hoffmann, Weber demonstrou preocupação com as denúncias, mas não respondeu sobre prazos de decisões do tribunal.

Diante das acusações contra a campanha de Bolsonaro, alguns artistas também começaram a cobrar, em vídeo, uma posição da Justiça Eleitoral. Vice na chapa com Haddad, Manuela D'Ávila (PCdoB) divulgou em seu perfil no Twitter vídeos com posicionamentos do ator Vladimir Brichta e de atrizes como Sophie Charlotte e Sônia Braga.

"Senhora ministra, qual a posição do TSE? Estamos aguardando. Queremos o melhor para o Brasil. Queremos justiça", questiona Sônia Braga em vídeo para Rosa Weber. Ela lembra também de outras acusações de irregularidades, como a propagação de fake news sobre o "kit gay" e vídeo em que um dos filhos de Bolsonaro pede a eleitores para eleitores filmarem cabines de votação, o que é ilegal.

O tribunal havia convocado os jornalistas para uma coletiva de imprensa com a presidente do TSE, ministra Rosa Weber, para a tarde desta sexta-feira (19). Havia a expectativa de que o tema da ação do PT fosse abordado. Agora, a conversa com os jornalistas será no domingo (21).

Em nota, a assessoria de imprensa do TSE afirmou que o adiamento se deu pela falta de agenda dos agentes envolvidos. De acordo com o tribunal, o objetivo é "responder aos questionamentos levantados no primeiro turno".

Também estarão presentes na coletiva o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), general Sérgio Etchegoyen, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a advogada-geral da União, Grace Mendonça, e o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Rogério Galloro.