ENTRETENIMENTO
19/10/2018 14:16 -03 | Atualizado 19/10/2018 20:20 -03

KT Tunstall: 'Precisava de um banho espiritual após Trump usar minha música'

“Não, não, não, não, não – você não serve para mim”, disse a cantora de “Suddenly I See” sobre o presidente americano.

KT Tunstall não mediu palavras quando questionada como se sente sobre política.
HuffPost
KT Tunstall não mediu palavras quando questionada como se sente sobre política.

KT Tunstallnão mede as palavras quando questionada sobre o que pensa de políticos — especialmente de candidatos que usam suas músicas sem permissão.

A cantora escocesa já viu suas canções sendo tocadas em comícios e campanhas presidenciais. Quando era pré-candidata à presidência americana em 2008, a democrata Hillary Clinton usou o hit Suddenly I See.

"Foi legal ser parte daquele processo, mas acho que é realmente diabólico que a música seja usada sem nenhum tipo de permissão. Tudo bem usar minha música depois de ser um ótimo presidente", disse Tunstall ao HuffPost, no evento Build Series. "Mas não use no começo [da Presidência], quando não sabemos o que você vai fazer."

Tunstall disse que Donald Trump também usou sua música em um comício, para seu desespero.

"Precisava de um banho espiritual", disse ela, antes de fazer referência à letra de uma de suas músicas, Black Horse and the Cherry Tree – "No, no, no, no, no, no – you're not the one for me. (Não, não, não, não, não – você não serve para mim). Tenho músicas que se encaixam."

Diego Corredor/MediaPunch/IPx
KT Tunstall canta seu clássico "Suddenly I See" no Empire State Building, em Nova York.

Um lugar em que ela gostou de ver sua música foi o filme O Diabo Veste Prada, de 2006, com Meryl Streep e Anne Hathaway. Suddenly I See toca inteira no começo do filme, e até hoje Tunstall ainda mal consegue acreditar. Ela lembra de como soube que a música seria usada no filme.

"Meu agente me ligou e disse: 'KT, aproveite para curtir, pois provavelmente nunca vai acontecer de novo'. E ele não estava dizendo que minhas músicas não seriam usadas em filmes, porque foram", disse Tunstall. "O que ele estava dizendo é que a música tocava inteira, sem edição e diálogos por cima. A abertura inteira de um filme com Meryl Streep. Loucura. É muito legal. E o filme virou um clássico moderno. Vejo as pessoas tuitando: 'Cheguei em Nova York escutando 'Suddenly I See' – é incrível. Também foi uma lição que me mostrou como as músicas podem ser interpretadas de maneiras completamente diferentes, porque ela funcionou com a história, mas não foi com aquele objetivo que a escrevi."

Desde então, Tunstall compôs músicas para filmes e lançou vários discos. Este mês, ela acaba de lançar seu mais novo álbum, chamado Wax, segunda parte de uma trilogia que trata de temas como espírito, corpo e mente. Ele vem na sequência de Kin, que foi inspirado por experiências pessoais.

"Meu pai faleceu; me divorciei; vendi tudo o que tinha e mudei de continente", disse Tunstall. "[O disco] era sobre o espírito superando as circunstâncias desafiadoras e não só crescendo por causa disso, mas também sendo grato por ter passado por aquilo, porque você aprende muito a respeito de si mesmo, dos outros, do mundo."

Wax fala de fracassos, falhas, dificuldades – e simplesmente ser um ser humano, diz Tunstall.

O novo disco marca o segundo capítulo da trilogia e também um novo capítulo na vida da cantora. Nem é preciso dizer que as coisas estão melhorando, e muito.

"O segundo capítulo está sendo incrível", disse Tunstall. "Tudo está ótimo. E tenho que dizer para todo mundo, especialmente as mulheres, que se preocupa porque vai fazer 40 anos: não esquente. É muito bom! Olhando para trás, nos 20 e poucos anos, você acha que sabe tudo, mas na verdade não sabe nada. Aos 30 você percebe que não sabe nada e fica ansioso. Aí, quando chegam os 40, você pensa: 'Não sei nada, tem muita coisa pra aprender, e estou linda!' E o corpo logo vai começar a descer a ladeira, então vamos aproveitar para tirar umas fotos."

Envelhecer fez Tunstall, hoje com 43, agarrar novas oportunidades e correr riscos.

"Você percebe que não tem todo o tempo do mundo ... e você faz as coisas que quer fazer", disse ela. "Tem sido uma experiência rejuvenescedora."

Enquanto isso, embora sua música não tenha sido usada por políticos recentemente, Tunstall está prestando atenção na política americana – apesar de ela não votar na eleição para o Congresso que acontece mês que vem.

"Moro nos Estados Unidos agora. Não sou cidadã americana, então não posso votar. Mas digo que preferiria um governo democrata."

*Este texto foi publicado originalmente no HuffPost US e traduzido do inglês.