POLÍTICA
19/10/2018 07:32 -03 | Atualizado 10/01/2019 18:17 -02

Debate entre Doria e França na Band vira troca de acusações sobre petismo e traição

Foi o primeiro embate na TV no segundo turno entre os candidatos ao governo de SP

Kelly Fuzaro/Band
Os candidatos ao governo de SP, João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB) trocam acusações

Foi uma guerra do início ao fim. O primeiro debate televisivo do segundo turno entre João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB), candidatos ao governo de São Paulo, na noite desta quinta-feira (18) tornou-se um embate entre "acusações" de traição e petismo.

O clima ficou tão quente no debate da TV Bandeirantes, que o moderador, o jornalista Fábio Pannunzio, teve que pedir calma várias vezes aos candidatos e à plateia.

"Eu espero que vocês cheguem vivos ao final do debate", disse.

Doria questionou mais de uma vez o opositor por que ele "esconde o apoio do PT", disse para França assumir "seu lado esquerdista" e o acusou de ser "carreirista do serviço público".

"Ele (França) é vermelho e quer ficar laranjinha que nem o Partido Novo", disse o tucano, que também provocou França para que falasse o nome de sua sigla, o Partido Socialista Brasileiro.

O governador, por sua vez, usou a deixa para chamar o adversário de traidor - acusação que também foi repetida diversas vezes durante o debate. Ainda chamou Doria de "João aproveitador de oportunidades erradas", ao lembrar que o tucano comprou uma rua pública ao lado de sua casa em Campos do Jordão.

"Meu partido é PSB. Nunca deixei de falar. Agora eu não sou uma pessoa como você, que apunhala. Você apunhala, você trai. Alckmin o chamou de traidor", disse França.

Nem bem tinha passado para o segundo turno, Doria declarou apoio ao candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) - adversário de Geraldo Alckmin, que foi padrinho político do tucano -, e já flertava com seus eleitores em São Paulo antes disso.

Mais tarde, França, que foi vice do então governador Alckmin, atacou mais uma vez ao ser questionado o que havia feito durante o mandato do PSDB no Palácio dos Bandeirantes: "Eu sei o que eu não fiz: eu não traí o Alckmin. Antes de escolher meu partido, eu escolhi ter caráter".

Bolsonaro, que foi o candidato mais votado em 97% das cidades paulistas no primeiro turno, incluindo a capital, e teve 53% dos votos válidos no Estado, também foi citado à exaustão no debate.

Doria não só declarou seu voto no capitão reformado mais de uma vez, como usou um dos slogans do candidato do PSL - "meu partido no plano nacional é o Brasil".

França debochou da tentativa do tucano de atrelar sua imagem à de Bolsonaro, dizendo que os dois "não têm nada a ver": "O Bolsonaro é simples. Você é uma pessoa sofisticada."

"Você se agarrou no Bolsonaro, e esse coitado fugindo de você lá no Rio de Janeiro", disse França. "Deixa o Bolsonaro em paz."

Doria esteve na semana passada no Rio de Janeiro para um encontro com Bolsonaro mas não foi recebido pelo presidenciável. Depois, Bolsonaro fez um vídeo dizendo que não sabia quem tinha marcado o encontro mas que receberia o tucano "sem problema nenhum" e agradeceu seu apoio.

Nos cinco blocos, o único em que houve algum debate sobre propostas foi o que teve as perguntas de jornalistas. Nele, Doria disse que iria despoluir o rio Tietê e proibir a entrada de qualquer aparelho celular nas cadeias para combater o atuação do crime organizado e que os presos vão trabalhar em seu governo.

Já França disse que São Paulo deve ter 100% de vagas em creches e escola técnica no 2º e 3º anos do ensino médio e que quer abrir os ambulatórios aos fins de semana para a realização de exames médicos.

Nas considerações finais, França esboçou amenizar o tom, dizendo que os dois "pensam diferente", mas alfinetou ao dizer que esperava que Doria curtisse sua vida e gastasse seu dinheiro. Doria terminou mais uma vez se associando a Bolsonaro, pregando que o PT nunca mais volte ao poder e pedindo o voto dos paulistas, "com Deus no coração".