COMIDA
19/10/2018 20:34 -03 | Atualizado 19/10/2018 20:34 -03

As receitas de sanduíche mais antigas e esquisitas de todos os tempos estão aqui

Já avançamos muito considerando o pão recheado com ostras e o clube sanduíche com uma banana por cima.

Alana Dao
Yes, there's a slice of banana on top of that sandwich.

Já parou para pensar que gosto tinha o sanduíche original?

Parece que os sanduíches existem desde sempre, e quando você pensa em comida servida entre duas fatias de pão, cada cultura tem a sua própria versão.

"O pão é considerado o 'alimento da vida' e é uma das melhores maneiras de levar outras comidas à boca. As pessoas faziam isso muito antes do quarto conde de Sandwich ficou com fome quando estava jogando cartas", diz o aficionado por sanduíches Jim Behymer, do site Sandwich Tribunal, ao HuffPost.

Diz a lenda que o quarto conde de Sandwich, John Montagu, da Inglaterra, popularizou o sanduíche em 1762, quando pediu que sua carne fosse servida entre duas fatias de pão, para que ele conseguisse comer enquanto jogava cartas. Quando outros viram o lanche, um pedaço de carne salgada no meio de duas torradas, eles teriam começado a pedir "o mesmo que o Sandwich!". O resto, como dizem, é história.

Mas é provável que os sanduíches sejam parte da alimentação humana desde o começo dos tempos – certamente desde antes do lanchinho noturno do conde. Por exemplo, conhecemos o sanduíche da Páscoa Judaica criado por Hillel, o Ancião, no século 1.

Mas que gosto tinham esses primeiros sanduíches? Decidi descobrir.

O livreiro Don Lindgren, da Rabelais Books, na cidade de Biddeford, Maine, é especializado em livros antigos e me ajudou com sua extensa coleção. Armada de duas receitas, parti para o teste.

1801: Pão de ostras

Uma das primeiras receitas de sanduíche publicadas – na edição de 1801 do livro Charlotte Mason's Lady's Assistant, de autoria de Charlotte Mason, uma educadora britânica – parece ser a do pão de ostras. A receita pede que as ostras sejam cozidas antes de rechear os pães.

Quando foi publicada em The Virginia Housewife (a dona de casa de Virgínia, em tradução livre), de Mary Randolph, em 1824, a receita já tinha evoluído. Neste livro, os leitores são instruídos a tirar o miolo do pão e usá-lo no cozimento das ostras. Seria uma das primeiras versões do Po'Boy de ostras, um sanduíche famoso de New Orleans.

Como se vê na imagem abaixo, as instruções eram... breves.

Quanto creme de leite? Será que tem de fazer um roux? Quantas ostras? Eu tinha muitas dúvidas, e elas ficaram sem resposta.

Peguei uma dúzia de ostras, cozinhei numa mistura de creme de leite, farinha de trigo e manteiga. Não tinha ideia do que significava "cozinhar o suficiente", então fui mexendo até as ostras parecerem firmes. Abri os pães e recheei com as ostras e o creme.

A cor não era nada apetitosa. Comecei a considerar alternativas para o jantar. Mas aí meu marido deu uma mordida e disse: "Ficou uma delícia!" Minha filha comeu as ostras à parte e pediu para repetir. Experimentei um pouquinho e fiquei surpresa. Estava salgado, suculento, nada mau. No final, sobrou bastante creme, que comi com pão. Não foi uma cena bonita de ver, mas estava delicioso. E entendi porque depois as versões sugeriam ostras fritas: essa versão ficou meio sem textura.

1929: Clube sanduíche russo

Os sanduíches têm uma história rica nos Estados Unidos, que reflete a inovação americana e o desejo de grandiosidade.

"Os americanos pegaram os sanduíches e o transformaram em outra coisa", diz a historiadora Bee Wilson em seu livro Sandwiches: A Global History (sanduíches: uma história global, em tradução livre). "Como os arranha-céus, a construção era ambiciosa e generosamente vertical."

Já os sanduíches britânicos, escreve Wilson, "eram minúsculos e podiam ser comidos em uma só mordida... Eles não era um meio com um fim... mas sim o fim em si, glorioso e guloso".

Decidi buscar as alturas com um clube sanduíche russo. (E o nome é mais que adequado, dadas as notícias políticas nos Estados Unidos. Wilson descreve o clube sanduíche como uma torre de seis fatias de pão, criada por Florence Cowles em 1929. De baixo para cima, eis as camadas: cream cheese, geleia, bacon ou frango, e uma alternância de alface, pepino e tomate. O pão é cortado em rodelas de 4 a 10 centímetros de diâmetro. De régua não mão para medir e cortar, descobri que é difícil fazer um círculo perfeito de pão.

O livro descreve o sanduíche como "um jantar de vários pratos em miniatura". Decidi organizar os ingredientes do doce para o salgado. E coloquei uma rodela de banana no topo (que faz parte da receita). Fiquei orgulhosa porque minha criação não ficou bamba, como recomenda Cowles: "Evite isso se possível".

O gosto ficou parecido com o de um sanduíche BLT (sigla em inglês para bacon, tomate e alface) meio adocicado e super amanteigado. Foi difícil pegar todas as camadas em uma única mordida; foi boa a ideia de colocar os ingredientes doces embaixo. Mas uma mordida foi suficiente. Meu marido gostou. "Meio que você sempre quer dar uma mordida a mais", disse ele. Minha filha só comeu o bacon. No fim das contas, não ficou tão terrível quanto eu imaginava.

O significado de preparar e comer um sanduíche mudou ao longo do tempo. O que não mudou é que os sanduíches – recheados com um molho de frutos do mar ou com uma combinação intrigante de frango e geleia – são um item básico de nossa alimentação. Ao apreciar sua história, não há como não ficar curioso a respeito do futuro do sanduíche.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.