POLÍTICA
18/10/2018 18:12 -03 | Atualizado 18/10/2018 18:43 -03

Haddad pede impugnação da candidatura de Bolsonaro após suposto uso de WhatsApp por empresas

O PT acionou a Justiça e quer que candidato do PSL fique inelegível por 8 anos.

Fernando Haddad vai acionar a Justiça contra Bolsonaro.
ASSOCIATED PRESS
Fernando Haddad vai acionar a Justiça contra Bolsonaro.

O candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a campanha do opositor Jair Bolsonaro (PSL) após vir à tona uma denúncia de que empresas estariam financiando a divulgação de mensagens por WhatsApp contra o PT. A coligação de Haddad pediu a impugnação da campanha de Bolsonaro e que ele fique inelegível por 8 anos.

No fim da tarde desta quinta (18), a assessoria do PT confirmou que entregou o documento à Justiça Eleitoral alegando haver "fortes indícios de que foram comprados pacotes de disparos em massa de mensagem contra o PT".

Mais cedo, o PDT, sigla de Ciro Gomes, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno e adotou um "apoio crítico" a Haddad no segundo, também havia dito que pediria ao TSE que cancele ou anule as eleições presidenciais de 2018 por suposta compra de pacote de fake news contra o PT.

As manifestações dos dois partidos vieram depois de uma reportagem da Folha de S. Paulo divulgar, nesta quinta (18), que empresas como a Havan teriam pago por disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp. A prática seria ilegal porque a legislação eleitoral proíbe a doação de empresas para campanhas.

"Vamos acionar a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral para impedir o deputado Bolsonaro de agredir violentamente a democracia como ele tem feito. Fazer conluio com dinheiro de caixa 2 pra violar a vontade popular é crime", disse Haddad em postagem no Twitter.

Carlos Lupi, presidente do PDT, afirmou que o partido está estudando a forma e o conteúdo do pedido que será apresentado ao TSE. O PSol também fez um requerimento para que o Ministério Público investigasse o caso.

Um dos empresários que teriam pago pelos disparos em massa, segundo a Folha, seria Luciano Hang, dono da Havan. Em seu perfil no Facebook, Hang classificou a reportagem como "fake news".

"O conteúdo é feito com um celularzinho e repassado aos meus contatos. É um conteúdo lúdico, é um conteúdo que apresenta a verdade", disse o empresário.

Em entrevista ao site O Antagonista, Bolsonaro afirmou que não tem controle se empresários simpáticos à sua candidatura estão desrespeitando a legislação eleitoral.

"Eu não tenho controle, não tenho como saber e tomar providência. Pode ser gente até ligada à esquerda que diz que está comigo para tentar complicar a minha vida me denunciando por abuso de poder econômico", explicou o candidato.

No Twitter, o militar da reserva afirma que o apoio à sua candidatura nas redes é "voluntário".

Para Pablo Ortellado, professor de gestão de políticas públicas da USP (Universidade de São Paulo), o apoio orgânico que Bolsonaro recebe nas redes não impede que a candidatura esteja envolvida em práticas ilegais.

"Eu não tenho a menor dúvida de que o Bolsonaro tem um apoio enorme orgânico nas redes e aplicativos. Ele não é uma construção de marketing, ele é um fenômeno da sociedade brasileira atual. Mas isso não quer dizer que não tenha havido práticas ilegais em paralelo na campanha. É preciso investigar as provas", afirma.

PT também é acusado de financiar propaganda eleitoral ilegal nas redes

Ainda no início da campanha presidencial, o PT foi acusado por influenciadores digitais de estar comprando apoio de perfis do Twitter. As contas teriam sido pagas pelo deputado federal Miguel Corrêa (PT-MG) para promover conteúdo favorável ao partido.

Após a denúncia, o Twitter desativou 11 páginas e 42 perfis administrados pela agência Follow Análises Estratégicas, uma das investigadas.