COMIDA
17/10/2018 16:04 -03 | Atualizado 17/10/2018 16:35 -03

Por que Burger King vetou nome de Bolsonaro no totem de atendimento

Vídeo em que um cliente tenta colocar 'Bolsonaro' e é impedido circulou nas redes. Restaurante diz que o mesmo acontece com 'Haddad'.

Ao escrever "Bolsonaro" no totem de auto-atendimento, uma mensagem dizia que o nome é invalido e que o BK repudia "qualquer ato de discriminação."
Montagem/Reprodução
Ao escrever "Bolsonaro" no totem de auto-atendimento, uma mensagem dizia que o nome é invalido e que o BK repudia "qualquer ato de discriminação."

Um vídeo em que um cliente do Burger King é impedido de colocar o nome do candidato do PSL à Presidência Jair Bolsonaro no totem de auto-atendimento da rede de fast-food viralizou nas redes sociais e obrigou a empresa a explicar sua posição.

No vídeo, gravado na última terça-feira (16), o homem digita o nome de Bolsonaro como se fosse o seu para fazer um pedido. Uma mensagem diz que o nome é invalido e que o BK repudia "qualquer ato de discriminação." A mesma pessoa tenta o nome do ex-presidente Lula (PT), que é autorizado, mas não faz o teste com o nome do candidato do PT ao Planalto, Fernando Haddad.

Segundo a empresa, tanto o termo Bolsonaro quanto Haddad foram bloqueados pelo sistema para evitar discussões e brigas partidárias nas lojas. "Nós do BK não apoiamos nenhum candidato ou grupo político", explicou. "Reforçamos que somos completamente apartidários, e todos são sempre bem-vindos."

Sobre o conteúdo da mensagem, a assessoria explica que, antes mesmo das eleições, o restaurante bloqueou termos que poderiam ser considerados preconceituosos de modo geral e programou um texto de resposta que explica que o BK repudia qualquer tipo de discriminação. O mesmo texto foi usado agora.

"Os nomes dos dois candidatos atuais à eleição presidencial já estavam bloqueados pelo sistema", acrescenta. "A mensagem padrão que utilizávamos para bloquear termos discriminatórios agora foi atualizada para considerar o cenário político atual."

O vídeo rapidamente gerou uma onda de comentários negativos, xingamentos e críticas dos eleitores do capitão reformado do Exército.

"Mais uma empresa pra BOICOTAR, é isso?", convocou uma usuária ao compartilhar o vídeo. "Ridículo da parte deles", reclamou outra. O termo "Burger King" chegou a entrar no Trending Topics do Twitter na tarde desta quarta (17).

Após o vídeo, a assessoria acrescenta que foram bloqueados outros termos relacionados, como Lula -- que aparece no vídeo de "denúncia" do usuário.

No último dia 11, uma usuária do Twitter afirmou que não conseguiu colocar o nome Haddad em outra loja do Burger King e "burlou" o sistema escrevendo "Radade".

Posicionamento

Na postagem do próprio usuário que divulgou o vídeo, o Burger King se pronunciou sobre o caso reforçando que a empresa é apartidária e que os terminais de auto-atendimento não permitem a utilização dos nomes de ambos os candidatos, "a fim de evitar ruídos e discussões em nossos restaurantes", escreveu. "Já bloqueamos outros nomes que podem ter associações políticas."

A mensagem não cessou as críticas e agora o Burger King divulgou um vídeo explicativo mostrando que o nome do candidato do PT também é bloqueado, assim como outros termos relacionados à política.

No início deste mês, o Burger King lançou a campanha Whopper em Branco para conscientizar a população sobre a importância de não votar em branco ou nulo antes do 1° turno das eleições de 2018.

Personagens que estavam decididos a anularem seus votos ganharam um sanduíche sem recheio e uma mensagem que dizia: "Este é o Whopper em branco, um sanduíche com ingredientes escolhidos por outra pessoa. E quando alguém escolhe no seu lugar, não dá pra reclamar do resultado". A propaganda foi elogiada por internautas.