ENTRETENIMENTO
17/10/2018 15:24 -03 | Atualizado 17/10/2018 15:26 -03

Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: A crise virou oportunidade

Mesmo com corte de verbas, mostra se beneficia do adiamento do Festival do Rio para voltar a reinar absoluta como o principal evento de cinema do País.

Filme mais convencional do cultuado diretor grego Yorgos Lanthimos, "A Favorita" abre a Mostra
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Filme mais convencional do cultuado diretor grego Yorgos Lanthimos, "A Favorita" abre a Mostra

A crise econômica e política brasileira segue fazendo suas vítimas. Mas há quem encontre, mesmo no ambiente árido do financiamento de eventos culturais, uma oportunidade. A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, por exemplo, chega à sua 42ª edição relembrando os tempos em que reinava absoluta no calendário cinéfilo nacional. Com o adiamento do Festival do Rio para novembro, a ordem dos eventos foi trocada, dando à mostra — que começa nesta quinta-feira (18) e vai até 31 de outubro — a vantagem de ser a primeira vitrine de centenas de filmes estrangeiros e brasileiros para o público do País.

Com a falta de recursos do BNDES e a diminuição do investimento da Petrobras — ambos, parceiros de longa data do festival —, a mostra conseguiu apenas metade do que considera o orçamento ideal para sua realização: R$ 3 milhões. Mesmo assim, garantiu os vencedores da trinca Cannes (Assunto de Família, do japonês Hirozaku Kore-Eda), Veneza (Roma, do mexicano Alfonso Cuarón) e Berlim (Não me Toque, da romena Adina Pintilie). A mostra também terá destaques inéditos do cinema brasileiro que antes eram lançados na competição Première Brasil, uma das grandes atrações do Festival do Rio.

Já na capital fluminense a crise bateu forte. Em 2016, o evento teve de enxugar sua programação drasticamente, passando de 320 para 250 filmes. No entanto, nada que se compare ao duro golpe que levou no ano passado, quando perdeu o apoio da prefeitura carioca.

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Ícone da retomada do cinema brasileiro nos anos 1990, "Central do Brasil" comemora 20 anos com cópia restaurada.

Programação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Em 2018, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo exibe mais de 300 filmes de 58 países (70 deles, brasileiros) espalhados por 30 salas da cidade. Entre os destaques, filmes novos de diretores consagrados, como A Favorita, do grego Yorgos Lanthimos (que abre o festival em sessão para convidados na noite de 17 de agosto); o aguardado Infiltrado na Klan, do americano Spike Lee; A Casa que Jack Construiu, do enfant terrible dinamarquês Lars Von Trier; Imagem e Palavra, do veterano francês Jean-Luc Godard; La Quietud, do argentino Pablo Trapero; e O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues, aposta do Brasil para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Aliás, o festival exibe 18 pré-indicados à cobiçada estatueta dourada. A lista traz títulos de peso, como o sul-coreano Em Chamas (Chang-Dong Lee), o polonês Guerra Fria (Pawel Pawlikowski), o turco A Árvore dos Frutos Selvagens (Nuri Bilge Ceylan), o libanês Capernaum (Nadine Labaki), o romeno Eu Não Me Importo se Entrarmos para a História como Bárbaros (Radu Jude), entre outros.

Mostra Especial

Além da programação normal, a mostra sempre realiza exibições especiais, com filmografias, clássicos restaurados, as já tradicionais sessões no vão do Masp — que trazem As Canções (Eduardo Coutinho), Ópera do Malandro (Ruy Guerra) e Invictus (Clint Eastwood) — e a exibição ao ar livre no parque do Ibirapuera, que nesta edição será de A Caixa de Pandora, filme mudo do alemão Georg Wilhem Pabst (1885-1967). A obra, prestes a completar 90 anos, terá acompanhamento ao vivo da Orquestra Jazz Sinfônica.

Entre os destaques das programações especiais, filmes que homenageiam o bicentenário do filósofo alemão Karl Marx; títulos da primeira metade da carreira de Lars Von Trier: Elemento de um Crime (1984), Europa (1991) e Ondas do Destino (1996); e cópias restauradas de clássicos e cults, como o alemão Asas do Desejo (Win Wnders) e os brasileiros Central do Brasil (Walter Salles), Pixote – A Lei do Mais Fraco (Hector Babenco) e O Bandido da Luz Vermelha (Rogério Sganzerla).

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Filme da fase Dogma 95, "Ondas do Destino" faz parte de uma pequena retrospectiva da carreira do polêmico dinamarquês Lars Von Trier.

Artes visuais na Mostra

O cartaz da edição 2018 é assinado pela artista multimídia americana Laurie Anderson, que também assina, com coautoria do chinês Hsin-Chien Huang, a obra em realidade virtual Chalkroom. A instalação inaugura o novo anexo do Cinesesc.

Além da capital, a Mostra também contará com seleção de filmes no interior de São Paulo por meio de itinerância promovida pelo Sesc. Já em Campinas, o Instituto CPFL exibe 15 títulos entre 20 e 31 de outubro.

Consulte aqui a programação completa da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

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Barrado em Cannes por ser uma produção da Netflix, "Roma", do mexicano Alfonso Cuarón venceu o grande prêmio do Festival de Veneza e encerra a mostra.