POLÍTICA
17/10/2018 07:19 -03 | Atualizado 17/10/2018 07:19 -03

Frente ampla de Haddad: Após ausência de políticos, PT buscará apoio de artistas e personalidades

Apesar do aparente naufrágio da "frente pela democracia", partido ainda aposta no apoio de siglas como PDT.

Para fugir do isolamento, a campanha de Haddad tirou o vermelho predominante e optou pelas cores da bandeira do Brasil.
NurPhoto via Getty Images
Para fugir do isolamento, a campanha de Haddad tirou o vermelho predominante e optou pelas cores da bandeira do Brasil.

Após uma série de reveses na formação de uma frente ampla em defesa da democracia, o PT apostará agora na força de artistas e personalidades na tentativa de derrotar o adversário Jair Bolsonaro (PSL) na disputa pela Presidência.

Na última segunda (15), o presidente do PDT, Carlos Lupi, não esteve no encontro que uniu PSB, PCdoB, PCB e PSol para o lançamento formal da frente ampla. No mesmo dia, o senador eleito e ex-ministro da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) Cid Gomes (PDT-CE) fez um discurso duro para dizer que o PT merece perder as eleições.

"Vamos trabalhar em busca de personalidades, pessoas do mundo artístico, da cultura, do esporte, pessoas sem partido para consolidar a frente em defesa da democracia contra o fascismo", disse o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), ao HuffPost Brasil.

Para Pimenta, a ausência de Lupi no lançamento é "mais uma questão pontual do que de fundo". Ele diz acreditar na adesão do histórico aliado e de outros partidos. "O PDT vai estar conosco no processo. O partido tem uma tradição no campo popular democrático."

O PDT vai estar conosco no processo. O partido tem uma tradição no campo popular democrático.Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara

Obstáculos à frente

Apesar dos esforços da legenda e do constante apelo de Haddad a todos que "são a favor da democracia e direitos do povo", a estratégia do partido tem esbarrado em obstáculos. Vítima de manobra do PT contra formação de alianças, Ciro Gomes (PDT), terceiro lugar no primeiro turno, declarou, junto com o partido, apoio "crítico" à chapa do petista.

Ex-ministra em gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a candidata derrotada Marina Silva (Rede) também se esquivou de apoiar formalmente o antigo partido. Em nota, a Rede ressaltou que não apoia nenhum dos 2 candidatos, considerou a corrupção uma marca dos governos petistas, mas por temer riscos à democracia, pediu aos simpatizantes para que não votassem em Jair Bolsonaro.

O PSDB, que era outra aposta da campanha de Haddad, também iniciou a segunda semana após o primeiro turno sem aceno formal positivo ao adversário histórico. Já Joaquim Barbosa, ministro aposentado e ex-presidente do (STF) Supremo Tribunal Federal, se encontrou com Haddad, mas não se pronunciou.

Em tom de desabafo, na segunda-feira (15), o candidato do PT afirmou que está fazendo de tudo para ampliar a candidatura: "faço gestos todos os dias". Está incluída nessa movimentação a mudança de cor no material da campanha, do vermelho para o verde e amarelo. "Não posso ser irresponsável de me isolar dentro de um quadro tão tenebroso quanto a eleição desse senhor [Bolsonaro]", disse Haddad.

Os passos da frente ampla

08.10: FHC se diz neutro em relação a Haddad e Bolsonaro;

09.10: PSol declara apoio formal à candidatura de Fernando Haddad;

10.10: Campanha da chapa petista muda de cor. Saí a predominância do vermelho e entram as cores da bandeira do Brasil. A figura do ex-presidente Lula também deixa de ser protagonista;

10.10: Ciro Gomes anuncia "apoio crítico" ao petista. "É mais um voto contra o Bolsonaro, aos riscos que ele representa, do que um apoio ao Haddad", acrescenta presidente do PDT, Carlos Lupi;

10.10: Corrente à esquerda do PSDB - Esquerda Para Valer - declara apoio a Haddad;

11.10: Rede, de Marina Silva, divulga nota na qual condena corrupção em gestões petistas, mas recomenda aos filiados "nenhum voto" em Bolsonaro;

11.10: Haddad acena à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil);

11.10: Pelo "movimento da sociedade civil pela democracia", Haddad se encontra com o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa;

14.11: Haddad faz aceno ao tucano FHC. Em entrevista ao Estadão no dia 13, FHC disse que há uma porta entre ele e Haddad e um muro entre ele e Bolsonaro;

15.11: Aliado do PT, PDT endossa apoio, mas falta reunião dos partidos de esquerda em prol da frente ampla democrática. No mesmo dia, o senador eleito Cid Gomes (PDT-CE) diz que o PT "merece perder".