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17/10/2018 18:28 -03 | Atualizado 17/10/2018 19:16 -03

Contra fake news, especialistas pedem 3 restrições ao WhatsApp

Sugestões de limitação ao reenvio de mensagens, alcance das listas de transmissão e tamanho de grupos foram criticadas com a tag #censurapetista.

hocus-focus via Getty Images
“A companhia deve ser decisiva antes que seja tarde demais

Três especialistas em combate a fake news fizeram sugestões ao WhatsApp para combater a desinformação antes do segundo turno das eleições. As mudanças sugeridas em artigo publicado no jornal The New York Times nesta quarta-feira (17) são redução do número de reenvios, do alcance das listas de transmissão e do limite de tamanho de novos grupos.

O texto é assinado por Pablo Ortellado, professor de Gestão de Políticas Públicas da USP (Universidade de São Paulo), pela jornalista Cristina Tardáguila, diretora da Agência Lupa, de fact checking, e pelo professor Fabrício Benevenuto, precursor de projeto da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) que monitora a rede social.

De acordo com o artigo, o WhatsApp tem sido usado para espalhar um montante "alarmante de desinformação, boatos e notícias falsas". A 11 dias do segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) na disputa presidencial, os especialistas fazem uma apelo à empresa norte-americana.

A companhia deve ser decisiva antes que seja tarde demais.Artigo 'News Is Poisoning Brazilian Politics. WhatsApp Can Stop It.'

Os três especialistas citam dados de um estudo produzido pela USP, UFMG e pela Agência Lupa em que foram analisados dados compartilhados no aplicativo em 347 grupos sobre política. Das 50 imagens mais compartilhadas em mais de 100 mil analisadas, 56% continham informações falsas.

Apesar de não ser possível garantir vínculo direto com o comando das campanhas eleitorais, o estudo identificou a tática de disseminação de conteúdo.

No artigo, os especialistas lembram que Facebook e Google recentemente adotaram iniciativas de combate às fake news e faz um apelo ao WhatsApp. "Mudanças simples podem ser feitas sem impedir a liberdade de expressão ou invadir a privacidade dos usuários", diz o texto.

Segundo os especialistas, a empresa respondeu que não haveria tempo para implementar tais medidas até o segundo turno, mas os três dizem que na Índia a limitação de reenvios de 20 para 5 foi feita em poucos dias.

O texto diz que "o problema transcende ideologias" e destaca o medo de parte dos eleitores diante de posições de extrema direita de Bolsonaro e, de outro lado, de que Haddad seja governado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso por corrupção e lavagem de dinheiro. "Com um debate tão polarizado, os brasileiros não deveriam basear seus votos em informação falsa ou distorcida", diz o artigo.

Apesar de o texto deixar claro que o uso de fake news tem sido adotado tanto contra Bolsonaro como contra Haddad, usuários do Twitter usaram a tag #CensuraPetista para criticar a iniciativa. Algumas críticas foram dirigidas a Ortellado, que além de professor na USP é colunista na Folha de S. Paulo.

O músico Lobão, que já declarou apoio a Bolsonaro, foi um dos que impulsionaram a tag.

Usuários da tag também criticaram o fato de representantes do WhatsApp terem se reunido com com integrantes do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta terça-feira (16), em uma videoconferência. De acordo com o vice-procurador eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros Jacques de Medeiros, os representantes da plataforma relataram dificuldades para aplicar mecanismos usados por outras redes para checagem de fatos.

Participante do conselho consultivo do TSE sobre o tema, a ONG Safernet também sugeriu limitações ao encaminhamento de mensagens do aplicativo. A entidade também defendeu que a rede social adote sistemas de verificação de conteúdos e de indicação de mensagens atestadas como falsas por agências de checagem, a fim de limitar o compartilhamento em massa.