POLÍTICA
16/10/2018 10:49 -03 | Atualizado 16/10/2018 11:16 -03

Cid Gomes diz que PT criou Bolsonaro e que é ‘bem feito’ perder eleições

“Se o PT não estivesse no segundo turno, apoiaria o adversário do deputado Bolsonaro”, rebateu Gleisi Hoffmann, presidente do PT.

Wilson Dias/Agência Brasil

O senador recém-eleito Cid Gomes (PDT-CE) xingou petistas em ato no Ceará na noite desta segunda-feira (15). Irmão de Ciro Gomes, candidato do PDT que ficou em 3º lugar na corrida presidencial, o ex-ministro disse que o PT é responsável por criar Jair Bolsonaro, candidato do PSL à frente na disputa pelo Palácio do Planalto.

Cid cobrou uma autocrítica do PT e disse que a sigla merece perder as eleições devido à sua postura. "Não admitiram os erros que cometeram. Isso é para perder a eleição e é bem feito. [...] Vão perder feio porque fizeram muita besteira", afirmou em ato de lançamento da campanha a favor de Fernando Haddad, candidato petista à Presidência da República.

Após o ex-ministros cobrar o mea culpa do partido, militantes começaram a gritar o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Cid rebateu com "Lula tá preso, babaca".

As falas de Cid circularam em um vídeo em grupos de WhatsApp.

Em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (16), Fernando Haddad (PT) disse que não ia comentar o vídeo.

"Tenho uma amizade pessoal com o Cid. Essa coisa ficou toda acalorada. Não vou comentar o vídeo porque não assisti inteiro. Mas sei que ele sempre me fez elogios. A amizade segue a mesma", afirmou aos jornalistas.

O evento no Ceará era uma tentativa de Camilo Santana (PT), governador reeleito, de aumentar o apoio a Haddad. No estado, o petista perdeu para Ciro Gomes no primeiro turno. Na disputa do segundo turno, Bolsonaro tem 59% dos votos válidos e Haddad, 41%, de acordo com pesquisa Ibope divultada nesta segunda.

A fala de Cid foi dita em meio ao isolamento da campanha do petista. Aliado histórico do PT, o PDT declarou apoio crítico ao candidato e cobrou que a sigla admitisse os próprios erros.

Em resposta às acusações, a presidente da legenda, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), disse que o partido apoiaria qualquer candidato que fosse opositor de Bolsonaro no segundo turno.