POLÍTICA
13/10/2018 13:57 -03 | Atualizado 13/10/2018 13:59 -03

Horário eleitoral: Bolsonaro repete vídeo, e Haddad expõe contradições do adversário

Candidato do PSL reproduz peça com confissão e 'lágrimas', já o concorrente do PT sobe o tom contra Bolsonaro e traz propostas.

Neste sábado (13) foi ao ar na televisão a segunda propaganda eleitoral gratuita dos candidatos que disputam o segundo turno.
MIGUEL SCHINCARIOL via Getty Images
Neste sábado (13) foi ao ar na televisão a segunda propaganda eleitoral gratuita dos candidatos que disputam o segundo turno.

No segundo dia de propaganda eleitoral gratuita na televisão, o candidato à Presidência do PSL, Jair Bolsonaro, repetiu a peça que foi usada na estreia, na sexta-feira (12). Já Fernando Haddad, do PT, fez alterações no material, tirou a parte que mencionava agressões contra eleitores nos últimos dias, elevou o tom contra o adversário e apresentou propostas.

A campanha do petista levou a vice na chapa, Manuela D'Ávila (PCdoB), para falar sobre notícias falsas. "Certamente você tem WhatsApp e Face e já recebeu notícias absurdas, são mentiras. Eles espalham boatos e notícias falsas, atacam a nossa moral e até as nossas famílias. Eles jogam sujo. Dá para confiar em quem usa religião e até crianças só para nos atingir", diz.

Manuela então aponta o celular com informações falsas que Bolsonaro tem afirmado. Entre os exemplos está o livro que Bolsoanro mostrou no Jornal Nacional sobre educação sexual que nunca foi distribuído pelo governo nas escolas. A peça traz ainda supostos eleitores dizendo que essas informações geralmente chegam por grupo de WhatsApp de família. "Ou seja, está baseando toda sua campanha em mentiras."

Mostra também imagens de Bolsonaro afirmando que votou contra todos os direitos das domésticas e que os trabalhadores vão ter que decidir entre menos direito e emprego ou todos os direitos e desemprego. A propaganda associa o adversário a uma versão piorada do governo do presidente Michel Temer.

Haddad elenca programas sociais criados no governo PT , diz que esses as pessoas já conhecem e que agora quer apresentar suas propostas. Ele aproveita parte do horário eleitoral para dizer que vai criar o Meu Emprego De Novo, focado na geração de emprego e fortalecimento do salário mínimo.

Como na peça de sexta-feira, Haddad faz um aceno aos eleitores que votaram em outros candidatos. "Essa campanha não é de um partido, é de todos que querem mudar para melhor o País. Vamos unir, a hora é agora. Quero contar com todos que são a favor da democracia e direitos do povo."

Assista à íntegra da peça.

Confissões e 'lágrimas' de Bolsonaro

O vídeo de Bolsonaro o apresenta como homem de família e repete peça que já tinha sido usada no primeiro turno sobre a filha do candidato. O narrador apresenta o "pai de 5 filhos — 4 homens e seu xodó, Laura". O candidato diz que criar meninos é mais fácil porque jogam futebol e falam palavrão. Quando se refere à filha, fruto do casamento com Michelle Bolsonaro, o diretor tenta captar o candidato se emocionando.

"Inclusive eu tenho uma confissão a fazer", diz, em tom manso, diferente do Bolsonaro a que estamos acostumados. "Eu já estava (engasga)... Eu já tinha decidido que não teria mais filhos. Eu estava vasectomizado", revela, com olhos marejados.

Bolsonaro mira sua artilharia no Foro de São Paulo com propósito de "doutrinação política" cujas consequências "são sentidas 20 anos depois". A peça lista Cuba, "país mais atrasado do mundo", uma "desgastada" Venezuela e o Brasil em "crise moral, ética e financeira" após 13 anos de governos petistas. "Estamos à beira do abismo", dramatiza o narrador.

A propaganda sublinha que Venezuela é "admirada por Lula, Dilma [Rousseff] e [Fernando] Haddad", associando a figura da ex-presidente, escondida pelo PT nacional e derrotada nas urnas em Minas Gerais, ao atual candidato à Presidência.

Depoimentos de supostos eleitores colhidos nas ruas são também apresentados. Entre eles, o de um homem que aposta que "Haddad vai ser só um bonequinho de Lula". Ele comparou Lula comandando o País da prisão "como chefes do tráfico fazem com o morro".

Assista à íntegra da peça.