POLÍTICA
13/10/2018 10:43 -03 | Atualizado 13/10/2018 10:55 -03

A cara da renovação à direita da política brasileira

As urnas rejeitaram velhos caciques e deram boas-vindas a políticos conservadores e defensores da pauta de segurança.

Joice Hasselmann e Kim Kataguiri foram alguns dos deputados federais mais votados de 2018.
Montagem/HuffPost Brasil
Joice Hasselmann e Kim Kataguiri foram alguns dos deputados federais mais votados de 2018.

A eleição de 2018 ficará marcada pela derrocada de membros da velha oligarquia política e uma oxigenação inusitada no Parlamento. Dos 32 senadores que tentaram a reeleição, apenas 8 chegaram lá. Ficaram de fora caciques como Romero Jucá (MDB-RR), Edison Lobão (MDB-MA) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).

Nomes ligados à velha política à esquerda como o da ex-presidente Dilma Rousseff (PT-MG) também receberam um veto das urnas. Enquanto políticos na mira da Operação Lava Jato foram sumariamente reprovados, lideranças que se posicionaram a favor da maior investigação da Polícia Federal e contra Dilma, Lula e o PT surpreenderam.

A vitória foi, sim, da renovação, mas da renovação à direita.

A bancada do PSL, partido de Jair Bolsonaro (PSL), cresceu 6 vezes na Câmara dos Deputados. Sai dos atuais 8 para 52 em 2019.

Eduardo Bolsonaro, do mesmo partido do pai, liderou em São Paulo com 1,8 milhão de votos. Logo atrás dele, a jornalista Joice Hasselmann, também ligada ao presidenciável, teve 1 milhão.

Um dos principais defensores do impeachment de Dilma, o MBL (Movimento Brasil Livre) também elegeu representantes como Kim Kataguiri (DEM-SP), que assumirá mandato de deputado federal no ano que vem.

"A mudança que vemos foi neste aspecto: ir contra um lado [PT] ou contra o outro [Bolsonaro]; quem se associou à onda Bolsonaro se deu bem", analisa a diretora-executiva do CLP (Centro de Liderança Pública), Luana Tavares.

Para o cofundador do movimento Agora Leandro Machado, os partidos não souberam atender à demanda da população por segurança pública. Por isso, o eleitor foi atrás de opções "novas" vinculadas à proposta de combater a criminalidade, que ceifa 60 mil vidas por ano no Brasil.

"O futuro que se vê é de um Congresso mais de ordem, muito ligado a Bolsonaro, mas não só do PSL. Há muitos nomes de campanha como 'capitão isso', 'tenente aquilo', juiz, promotor, associados aos agentes públicos da ordem", avalia Machado.

No Rio de Janeiro, a surpresa ficou por conta do juiz Wilson Witzel (PSC), que sustenta bem essa imagem. Ele adotou na campanha o discurso de renovação política no estado e buscou se vincular à família Bolsonaro, incluindo Flávio Bolsonaro (PSL), eleito senador com 4 milhões de votos. Witzel desbancou o favorito Eduardo Paes (MDB) e acabou com 41,3% dos votos válidos.

Em Minas Gerais, o empresário Romeu Zema (Novo) também se apresentou como candidato ao governo contra a polarização PT e PSDB, que domina o estado há décadas. Declarou apoio a Bolsonaro, eliminou o governador petista Fernando Pimentel e sai como franco favorito no segundo turno contra Antônio Anastasia (PSDB).

Perspectivas da política partidária no Brasil

O ranking de competitividade do CLP mostra que neste ano 19 dos 27 estados caíram nos indicadores do ranking de segurança pública. Para a diretora-executiva do centro, Luana Tavares, Bolsonaro capturou um "sentimento crítico" do eleitorado.

"As pessoas estão com medo, insegurança; isso está ligado às condições básicas de vida delas. O Bolsonaro capturou esse sentimento em relação a um problema muito grave nos estados", explica.

"A população está farta", completa Leandro Machado, do Agora. "Bolsonaro se consolida como aglutinador e vocalizador da direita brasileira e antítese do PT."

PT e PSL têm agora as duas maiores bancadas da Câmara dos Deputados. Após o 1º turno, os partidos dos 2 postulantes à Presidência são os polos de esquerda e direita do País.

Para Machado, uma terceira força terá de se organizar para representar aqueles que não se veem com a esquerda de Fernando Haddad e Lula e a direita de Jair Bolsonaro.

"Movimentos do centro democrático são, sim, um embrião de um novo campo político que precisará ser organizado, vai precisar nascer", aposta o cofundador do Agora.

Ele acredita que há um longo caminho para a reestruturação desse campo político "progressista com visão empreendedora na economia".

O Agora elegeu 3 parlamentares: Joênia Wapichana (Rede-RR) e Marcelo Calero (PPS-RJ), para deputados federais, e Leandro Grass (Rede-DF) para distrital.

O RenovaBR, que forma lideranças políticas, elegeu 16 nomes, inclusive os de Calero e Joênia, que também integram o instituto. Foram 9 deputados federais eleitos, 6 estaduais e 1 senador.