POLÍTICA
12/10/2018 09:07 -03 | Atualizado Há 6 horas

Propaganda de Bolsonaro no 2º turno tem 'confissão' e lágrimas do candidato por filha

Também sobram críticas à esquerda, ao PT e ao Foro de São Paulo.

Jair Bolsonaro chora em horário eleitoral gratuito.
Ricardo Moraes / Reuters
Jair Bolsonaro chora em horário eleitoral gratuito.

Na primeira peça de propaganda do segundo turno, a campanha de Jair Bolsonaro(PSL) decidiu apresentá-lo como um homem de família. O narrador apresenta o "pai de 5 filhos — 4 homens e seu xodó, Laura". O candidato diz que criar meninos é mais fácil porque jogam futebol e falam palavrão. Quando se refere à filha, fruto do casamento com Michelle Bolsonaro, o diretor tenta captar o candidato se emocionando.

"Inclusive eu tenho uma confissão a fazer", diz, em tom manso, diferente do Bolsonaro a que estamos acostumados. "Eu já estava (engasga)... Eu já tinha decidido que não teria mais filhos. Eu estava vasectomizado", revela, com olhos marejados.

"Eu já tinha uma enteada; minha mulher era mãe solteira. Mas a realização para parte das mulheres é ter filho e, por isso, desfiz a vasectomia", conta. Bolsonaro diz que Laura mudou a sua vida.

A cena seguinte é de pai e filha juntos sorrindo.

O enfoque na relação de Bolsonaro com Laura é uma tentativa de amenizar as críticas feitas a ele após dizer, em setembro de 2017, que a filha foi resultado de uma "fraquejada".

O filmete vai ao ar nesta sexta-feira (12) no rádio e na televisão, durante o horário eleitoral gratuito. No segundo turno, os 2 candidatos têm o mesmo tempo de TV.

Assista à íntegra:

Críticas à esquerda

A propaganda começa com o alvo das principais críticas da direita conservadora — o Foro de São Paulo. Ele é considerado a maior organização política latino-americana representada por governantes e políticos esquerdistas. A entidade foi fundada em 1990 por Lula e Fidel Castro.

Bolsonaro mira sua artilharia no foro com propósito de "doutrinação política" cujas consequências "são sentidas 20 anos depois". A peça lista Cuba, "país mais atrasado do mundo", uma "desgastada" Venezuela e o Brasil em "crise moral, ética e financeira" após 13 anos de governos petistas. "Estamos à beira do abismo", dramatiza o narrador.

A propaganda sublinha que Venezuela é "admirada por Lula, Dilma [Rousseff] e [Fernando] Haddad", associando a figura da ex-presidente, escondida pelo PT nacional e derrotada nas urnas em Minas Gerais, ao atual candidato à Presidência.

Depoimentos de supostos eleitores colhidos nas ruas são também apresentados. Entre eles, o de um homem que aposta que "Haddad vai ser só um bonequinho de Lula". Ele comparou Lula comandando o País da prisão "como chefes do tráfico fazem com o morro".