POLÍTICA
11/10/2018 11:28 -03 | Atualizado 11/10/2018 21:10 -03

Rede, de Marina, recomenda que nenhum voto seja dado a Jair Bolsonaro

Partido criticou os dois candidatos e disse que será oposição a qualquer governo, mas ponderou que candidato do PSL representa "retrocesso brutal e inadmissível".

"A Rede não se alinha e não apoia nenhum deles", diz nota.
NELSON ALMEIDA via Getty Images
"A Rede não se alinha e não apoia nenhum deles", diz nota.

A Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva, decidiu não apoiar nenhum candidato neste 2° turno, mas recomenda filiados e simpatizantes a não votarem em Jair Bolsonaro (PSL).

Em nota divulgada na manhã desta quinta-feira (11), o partido rejeitou os projeto dos dois candidatos que foram para o segundo turno: Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). "A rede não se alinha e não apoia nenhum deles", afirmou.

"A corrupção sistemática revelada pela Operação Lava Jato foi uma marca dos governos petistas, assim como de boa parcela dos parlamentares que agora estão com o Bolsonaro. Os dirigentes petistas construíram um projeto de poder pelo poder pouco afeito à alternância democrática", analisou o partido, em crítica clara ao PT.

Por outro lado, o partido admite que é "impossível" ignorar o projeto de Bolsonaro, o qual o acredita representar "um retrocesso brutal e inadmissível" em três pontos fundamentais da Rede.

O primeiro citado pelo partido foi a promessa do candidato do PSL de "desmontar" a estrutura de proteção ambiental existente no país, o que ataca os direitos de comunidades indígenas e quilombolas. Segundo, continua, o programa de Bolsonaro também "despreza direitos humanos e diversidade", incitando "ao ódio, à violência e à discriminação". E, por último, a Rede pontua que ele "ameaça a democracia e põe em cheque as conquistas históricas desde a Constituinte de 1988."

Assim, o partido decidiu ser oposição democrática ao governo de qualquer dos candidatos que vença as eleições no dia 28 de outubro e que, apesar de condenar práticas do PT, fora e dentro do governo, a Rede recomenda que filiados não destinem nenhum voto a Jair Bolsonaro, "e isso posto, escolham de acordo com sua consciência votar da forma que considerem melhor para o país", conclui a nota.

Ontem, na primeira pesquisa Datafolha após o primeiro turno, Bolsonaro tinha 58% das intenções de voto e Fernando Haddad (PT) estava com 42%. Não foram contabilizados os votos brancos, nulos e os indecisos. A diferença entre os dois candidatos é de 16 pontos percentuais.

No último dia 7, Bolsonaro recebeu 46% dos votos válidos (equivalente a 49,3 milhões), enquanto Haddad ficou com 29% (cerca de 31,3 milhões), na 2ª posição.

Veja a nota da Rede Sustentabilidade na íntegra:

Nestas eleições, a Rede Sustentabilidade apresentou à sociedade brasileira um projeto alternativo à polarização. Frente ao ódio e à mentira, oferecemos a face da verdade e da união em prol de um Brasil mais próspero, justo e sustentável. Infelizmente, os dois postulantes no segundo turno representam projetos de poder prejudiciais ao país, atrasados do ponto de vista da concepção de desenvolvimento, autoritários em relação ao papel das instituições de Estado, retrógrados quanto à visão do sistema político e questionáveis do ponto de vista ético.

A Rede não se alinha e não apoia nenhum deles. A corrupção sistemática revelada pela Operação Lava Jato foi uma marca dos governos petistas, assim como de boa parcela dos parlamentares que agora estão com o Bolsonaro. Os dirigentes petistas construíram um projeto de poder pelo poder pouco afeito à alternância democrática.

Por outro lado, é impossível ignorar que o projeto de Bolsonaro, conforme tem sido reiteradamente afirmado, representa um retrocesso brutal e inadmissível em três pontos muito caros aos princípios e propósitos da Rede. Primeiro, promete desmontar inteiramente a estrutura de proteção ambiental existente no país, conquistada ao longo de décadas, por gerações de ambientalistas. Chega ao absurdo de anunciar a incorporação do Ministério do Meio Ambiente ao Ministério da Agricultura. Com isso, atenta contra o interesse da sociedade brasileira e destrói pilares fundamentais para o futuro do país. Além disso, ataca os direitos das comunidades indígenas e quilombolas, anunciando que não será demarcado mais um centímetro de suas terras. Segundo, é um projeto que despreza direitos humanos e a diversidade existente na sociedade, promovendo a incitação sistemática ao ódio, à violência e à discriminação. Por fim, é um projeto que ameaça a democracia e põe em cheque as conquistas históricas desde a Constituinte de 1988.

Dessa forma, a Rede Sustentabilidade declara publicamente que:

1. Será oposição democrática ao governo de qualquer dos candidatos que saia vencedor do embate a que se reduziu essa eleição.

2. Não tem ilusões quanto às práticas condenáveis do PT, dentro e fora do governo. No entanto, frente às ameaças imediatas e urgentes à democracia, aos grupos vulneráveis, aos direitos humanos e ao meio ambiente, a Rede Sustentabilidade recomenda que seus filiados e simpatizantes não destinem nenhum voto ao candidato Jair Bolsonaro e, isso posto, escolham de acordo com sua consciência votar da forma que considerem melhor para o país.

10 de outubro de 2018,

Executiva Nacional da REDE Sustentabilidade