POLÍTICA
11/10/2018 17:02 -03 | Atualizado 11/10/2018 17:17 -03

MPF vai investigar jogo em que Bolsonaro espanca mulheres, negros e homossexuais

Em "Bolsomito 2k18", o candidato à Presidência tem como objetivo ser "o herói que livrará um país da miséria".

Uma das cenas do jogo criado pela BS Studio, e disponibilizado na plataforma Steam, tem como objetivo "livrar o Brasil da miséria."
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Uma das cenas do jogo criado pela BS Studio, e disponibilizado na plataforma Steam, tem como objetivo "livrar o Brasil da miséria."

O MPF, por meio da Comissão de Proteção dos Dados Pessoais e do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação, de Brasília, abriu um inquérito para investigar o jogo "Bolsomito 2k18", em que um avatar do candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), espanca negros, gays, mulheres e militantes de esquerda.

No entendimento do Ministério Público, "o jogo possui clara intenção de prejudicar um candidato à Presidência da República e, com isso, embaraçar as eleições 2018", além de causar "danos morais coletivos aos movimentos sociais, gays e feministas".

O procurador Sergio Gardenghi Suiama, do MP-RJ, por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Rio de Janeiro, também instaurou procedimento para tomar as medidas legais cabíveis contra o game, a pedido da Aliança Nacional LGBTI+.

"A democracia e os direitos humanos são os pilares do ordenamento jurídico brasileiro. Assim, o processo democrático não admite discriminações de qualquer aspecto e devem ser respeitados, acima de tudo, os direitos dos grupos vulnerabilizados, entre eles a comunidade LGBTI+ brasileira", escreve Toni Reis, presidente da Aliança Nacional LGBT+ em carta endereçada à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.

O documento da Aliança solicita a "averiguação do caso" e a tomada de "medidas cabíveis" mediante discriminação dos grupos minoritários violentados no jogo:

"O jogo desenvolvido pela BS Studio, e disponibilizado na plataforma Steam, deturpa o processo eleitoral; e, mais gravemente, colabora para a naturalização da violência contra feministas, LGBTI+, população negra e militantes", diz o documento. "A legitimação do extermínio de populações vulnerabilizadas não tem lugar no Estado Democrático de Direito", conclui.

Quando o jogador se transforma em "Bolsomito"

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Em determinada fase, o avatar precisa vencer mulheres com peitos de fora, entendidas como feministas e ativistas LGBT.

"Derrote os demônios comunistas neste jogo politicamente incorreto e seja o herói que livrará um país da miséria. Esteja preparado para enfrentar os mais diferentes tipos de inimigos que pretendem instaurar uma ditadura ideológica criminosa no País. Muita porrada e boas risadas", diz o texto da descrição do "Bolsomito 2k18", criado pela BS Studio e disponibilizado na plataforma Steam poucos dias antes do 1º turno das eleições.

No jogo, que custa R$ 8,91, um avatar do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), agride mulheres, negros, homossexuais e ativistas de esquerda.

Segundo os criadores, o jogo é inspirado no atual momento político brasileiro e tem como protagonista "um cidadão de bem que está cansado da crescente corrupção e inversão de valores que abala a sociedade".

Criado no formato 2D, o objetivo principal de "Bolsomito 2k18" é fazer com que o personagem, um avatar do capitão reformado Jair Bolsonaro, "salve o Brasil de uma onda vermelha" e "derrotar o comunismo".

Para isso, ele conta com a ajuda de conselheiros como "Oráculo de Carvalho", em alusão ao intelectual Olavo de Carvalho, Sargento Fagur e Alexandre Frete, inspirados em Sargento Fahur e Alexandre Frota, eleitos deputados federais no último domingo (7) pelo PSL.