POLÍTICA
11/10/2018 21:02 -03 | Atualizado 12/10/2018 10:27 -03

Bolsonaro na CBN: 'Não tenho controle sobre quem espalha fake news'

"Se eu tivesse controle em cima de 48 milhões de pessoas, eu mandaria no Brasil, não precisaria nem de eleições."

Em ato falho, ao se referir a facada que levou, o candidato disse que é 'vítima daquilo que eu prego'.
Associated Press
Em ato falho, ao se referir a facada que levou, o candidato disse que é 'vítima daquilo que eu prego'.

Candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (11) que não tem controle sobre quem espalha fake news. Negou que seja responsável pelas agressões que têm ocorrido nos últimos dias a eleitores. "Falam tanto que eu prego o ódio, mas quem levou a facada fui eu. Quase morri, estou vivo por milagre", disse. "Agora, pelo amor de Deus, eu que levei a facada. Sou vítima daquilo que eu prego", emendou, em um ato falho.

Um dos primeiros atos de violência desta campanha foi justamente o ataque a facada que o candidato sofreu no dia 6 de setembro. Por estar em recuperação, ele recebeu recomendação médica para não comparecer aos debates que estavam previstos para essa semana. O candidato também confirmou que parte de sua estratégia não comparecer aos debates, mas depois afirmou que a partir da próxima quinta-feira estará pronto para debater. "Vocês podem intermediar, não tem problema nenhum", disse aos jornalistas.

Em cerca de 30 minutos de entrevista à rádio CBN, o candidato se defendeu de acusações que têm sido levantadas na campanha. Com a mira no PT, Bolsonaro voltou a negar que o Brasil tenha vivenciado uma ditadura, reforçou que não pode fazer nada para combater a diferença salarial entre homens e mulheres e negou que seja homofóbico.

A íntegra está neste link.

Aqui estão os principais pontos da entrevista:

Participação em debates

Nesta quinta-feira (11), Bolsonaro disse que um dos motivos para não ir aos debates é estratégico. Questionado se o debate não era um dos princípios básicos da democracia, ele responde:

"Não deixa de ser. Mas eu vou debater com Haddad ou com ventríloquo do Lula? Qual é a autenticidade do Haddad? (...) Queria perguntar para ele: 'Como você vai proceder, você vai permitir que o crime organizado aqui fora seja comandado de dentro de um presídio?'.

O Haddad me desafiou 'vamos debater, você não fez nada nos 28 anos'. Ainda bem, se estivesse feito alguma coisa com o PT, estaria preso agora. Você vai debater com uma pessoa sabendo que ela tem uma proposta, mas quem vai indicar os ministros não vai ser ele. Os meus sou eu quem vai indicar."

Questionado se ele não estaria deixando os eleitores sem saber de suas propostas, Bolsonaro acrescenta: "Os eleitores me conhecem. Não comecei agora. Votaram em mim não foi por falta de opção, foi por opção. (...) Eu gostaria de debater só eu e ele. A partir de quinta-feira, eu estou pronto, vocês podem intermediar, não tem problema nenhum".

Votaram em mim não foi por falta de opção, foi por opção.

Agressões

"Foram 48 milhões que votaram em mim, você quer que eu me responsabilize por elas? Lamento essas agressões, afinal de contas quem levou a facada fui eu. Falam tanto que eu prego o ódio, mas quem levou a facada fui eu. Quase morri, estou vivo por milagre.

A questão na Bahia... Se brigam por futebol, por política, por religião, eu lamento isso aí. Claro que eu condeno. Não quero voto desse tipo de gente. Não é porque uma pessoa, por ventura eleitora minha, que prega meu nome positivamente no Facebook, vem querer me responsabilizar. Agora, pelo amor de Deus, eu que levei a facada. Sou vítima daquilo que eu prego."

Agora, pelo amor de Deus, eu que levei a facada. Sou vítima daquilo que eu prego.

Ditadura

"Temos um Parlamento que é independente, como falar em fechar o Congresso? (...) Quando falei em fuzilar, levei em conta o avô de [Fernando Henrique Cardoso], usei a mesma metáfora. A gente evolui, coisa de 20 anos atrás. Eu tenho dito, quando for presidente, a gente vai governar é daqui para frente. (..) Quando você fala em [coronel Brilhante] Ustra, não teve nenhuma ação transitada em julgado em relação a ele. Agora, quando você fala do outro lado, José Dirceu, Genoíno, Franklin Martins e a própria Dilma Rousseff, você nunca condenam. Sempre falei que houve excesso dos dois lados. (...)

Querer comparar o que aconteceu de 1964 a 1985 como uma ditadura é o fim da picada. Morreram 400 pessoas, hoje morre isso no Carnaval e ninguém fala nada. Temos que parar de olhar opara o passado e olhar para o futuro. Você acha que com a volta do Haddad essa bandidada toda não vai voltar ao poder? Essa bandidada que acabou com estatais, roubou o BNDES, entregou dinheiro para ditadura, trouxe o caos para o Brasil, a violência só cresceu, o desemprego só cresceu. Se aprende cada vez menos nas escolas, o pessoal não tem qualquer respeito com a família."

A Comissão Nacional da Verdade reconheceu 434 mortes e desaparecimentos entre 1946 e 1988. Segundo a Folha de S.Paulo, em 2018, 103 pessoas morreram nas estradas no Carnaval.

Querer comparar o que aconteceu de 1964 a 1985 como uma ditadura é o fim da picada.

Evolução

"Todos nós evoluímos. Tenho certeza que muita coisa que você pensava ou falava há 10, 15 , 20 anos, você pensa diferente. Eu já errei, quantas vezes que já errei. Mas eu não sou o Jairzinho paz e amor. Eu sou uma pessoa autentica. Não tenho muitas vezes o dom de falar bonito, de forma meiga. Queriam que eu fizesse uma carta, como Lula fez lá atrás e não cumpriu. Eu sou o que eu sou."

Fake news

"Há questão de 3, 4 dias, o Haddad queria me desafiar a assinar um documento, um protocolo de não fazer fake news. No dia seguinte, fake news por parte do senhor Haddad, Bolsonaro defende aumentar imposto para os mais pobres. Quando eu falei isso? De onde veio isso? (...) Quem divulga esses fake news? (...) Se alguém que vota em mim e replicou esse fake news, o que eu posso fazer? Eu não tenho controle. Se eu tivesse controle em cima de 48 milhões de pessoas, eu mandaria no Brasil, não precisaria nem de eleições, resolveria. Mas não quero isso. Se eu sou candidato é porque eu estou aceitando as regras da democracia."

Se eu sou candidato é porque eu estou aceitando as regras da democracia.

Diferença salarial entre homens e mulheres

"Falei que o salário tem que ser por competência. A CLT garante salário igual, tanto que na Rede Globo questionei o [apresentador William] Bonner e a [apresentadora] Renata [Vasconcellos]." Neste momento, ele é interrompido e alertado de que os dois jornalistas exercem funções diferentes. Bolsonaro, então, insiste que nunca defendeu que homem deve ganhar mais que mulher.

"Quem emprega dava prioridade para homem dado ao direito trabalhista, isso não era opinião minha. Era a opinião de quem empregava. Procure uma mulher que seja patroa e veja se ela contrata mais homens que mulheres. Por que querem jogar essa responsabilidade em cima de mim? O PT ficou mais de 13 anos no governo e não resolveu esse assunto. No serviço público o salário é igual. Na iniciativa privada, quem decide é o patrão."

Ministérios

"Pretendo ter 15 ministros, um vai ser homem, o da defesa, que vai ser um oficial general. Os 14 outros podem ser todos mulheres, tudo gay, pode ser tudo afrodescendente. O que o povo quer saber é se quem está em tal ministério... Não quer saber se é gay, se é homem ou mulher... Quer que o ministro dê conta do recado."

Bolsonaro reforçou na entrevista que cogita os nomes de Paulo Guedes para a pasta que cuidará da economia, Onyx Lorenzoni para a Casa Civil e general Augusto Heleno para o Ministério da Defesa.

Urnas

"90% das pessoas não confiam no sistema eletrônico de votação." Questionado por ter sido eleito várias vezes nesse sistema, ele respondeu: "Nós suspeitamos para presidente, não é no varejo, não".

O candidato cita que várias pessoas relataram que apertavam o número 1 nas urnas e aparecia foto do Haddad. A Justiça Eleitoral, no entanto, negou que isso seja possível. Ainda no dia da votação, afirmou que o caso é de mais uma notícia falsa.

90% das pessoas não confiam no sistema eletrônico de votação.

Kit gay

Na entrevista, o candidato voltou a dizer que houve um seminário LGBT infantil na Câmara dos Deputados. Quando o repórter interrompe e diz que o seminário nunca existiu, Bolsonaro reage: "Que nunca existiu? Tem tudo publicado no Diário Oficial. (...) Como nunca existiu? O Haddad que criou isso tudo".

O candidato cita ainda um estudo que diz que existem mais meninos gays que meninas lésbicas. "Aí eu te pergunto, como foi a metodologia, como você sabe que o Joãozinho de 7 anos é gay e a Mariazinha é lésbica. Isso é uma realidade, continua com outro nome".

A pesquisa, apresentada na Câmara dos Deputados, entretanto, foi respondida por 1016 jovens entre 13 e 21 anos que cursaram o ensino básico em 2015 e se identificam como gays, lésbicas ou outra orientação não heterossexual.

Questionado sobre como o senhor que os professores devem tratar esses alunos, ele responde:

"Ensino fundamental não deve tratar. Quem cuida desse assunto é papai e mamãe. (...) Não tenho nada contra gays, cada um vai ser inserido da maneira que entender. Levar isso para escola não. Porque não se discute comigo aqui a nota do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos)? Estamos ocupando os últimos lugares. A molecada de 15 anos de idade, 70% não sabe fazer uma regra de 3 simples, não sabe interpretar um texto com dois parágrafos. Essa é a educação do PT".

Não tenho nada contra gays, cada um vai ser inserido da maneira que entender. Levar isso para escola não.