POLÍTICA
10/10/2018 18:05 -03 | Atualizado 10/10/2018 20:14 -03

PDT de Ciro anuncia 'apoio crítico' a Haddad contra 'derrocada da democracia'

"É um golpe que pode ser legitimado pelo voto popular", disse Carlos Lupi, do PDT. Ciro não deve fazer campanha com o petista.

Carlos Lupi e Ciro Gomes. "Não vamos nos omitir. Vamos votar em Haddad", disse Lupi.
Ueslei Marcelino/Reuters
Carlos Lupi e Ciro Gomes. "Não vamos nos omitir. Vamos votar em Haddad", disse Lupi.

O PDT, partido do candidato derrotado à Presidência Ciro Gomes, anunciou nesta quarta-feira (10) o que chamou de "apoio crítico" à candidatura de Fernando Haddad (PT) "para evitar a vitória das forças mais reacionárias e atrasadas do Brasil".

Haddad disputa o segundo turno da disputa ao Planalto contra Jair Bolsonaro (PSL). Ciro, contudo, não deve fazer campanha com o petista.

"A Executiva Nacional do PDT declara seu apoio crítico à candidatura de Fernando Haddad para evitar a vitória das forças mais reacionárias e atrasadas do Brasil e a derrocada da Democracia", diz a nota divulgada pelo partido.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, disse em entrevista que o "apoio crítico" se deve aos "golpes" do PT contra a candidato. Entre julho e agosto, antes das convenções partidárias, o PDT buscou o apoio do PSB, mas a sigla fechou um acordo com o PT e ficou neutra na disputa, o que na prática isolou a candidatura de Ciro.

"Mas agora não é hora de olhar só para as nossas divergências, é hora de olhar para o Brasil. E, na nossa opinião, a democracia brasileira está em risco", disse Lupi. "É um golpe que pode ser legitimado pelo voto popular, o que torna o risco para a democracia ainda maior."

Segundo Lupi, o anúncio representa muito mais uma oposição a Bolsonaro do que um apoio a Haddad.

"Nós somos muito mais um voto contra ele, pelo risco que ele representa à democracia, aos direitos humanos e às liberdades individuais, do que a favor do Haddad. Mas como só temos dois candidatos, não vamos nos omitir: nós vamos votar em Haddad", afirmou.

"Nós já sofremos 1664, nós sabemos o que foi 1968. Nós somos filhos e netos dos que sofreram pela ditadura. É em nome dessa memória que a gente quer alertar o povo brasileiro do risco que o Brasil corre elegendo essa personalidade que hoje engana o povo", completou Lupi.

Kátia Abreu

A senadora Kátia Abreu (PDT-TO), candidata a vice na chapa de Ciro Gomes, disse nesta quarta-feira após a reunião do PDT que Haddad deveria renunciar à sua candidatura. "Só Ciro pode vencer o facismo e salvar a Democracia no Brasil", escreveu a senadora, no Twitter.

Antes do primeiro turno, pesquisas de intenção de voto apontavam Ciro como o candidato mais competitivo em uma eventual disputa contra Bolsonaro.