10/10/2018 08:32 -03 | Atualizado 13/10/2018 09:29 -03

Helen Faria, a empresária que largou as planilhas para distribuir felicidade

Fisioterapeuta é sócia de empresa que promove qualidade de vida, mas só diante da falência do seu negócio foi em busca da sua própria.

Helen Faria é a 217ª entrevistada do "Todo Dia Delas", um projeto editorial do HuffPost Brasil.
Valda Nogueira/Especial para o HuffPost Brasil
Helen Faria é a 217ª entrevistada do "Todo Dia Delas", um projeto editorial do HuffPost Brasil.

Hoje aos 43 anos, a fisioterapeuta Helen Faria tem mais tempo para estar com as filhas, uma rotina mais flexível e, principalmente, qualidade de vida. Mas quem a conheceu há três anos, sequer imaginava que em um curto espaço de tempo sua vida mudaria tanto. Sócia da empresa Reabily, que promove ginástica laboral em ambientes corporativos, ela teve de lidar com a falência da empresa, mas mal sabia que a falta de dinheiro seria também o ponto de virada da sua própria vida.

Quando começou a trabalhar com ginástica laboral, aos 20 anos, ela tinha o objetivo de promover qualidade de vida. Criou a empresa, escreveu um livro e esteve, a cada dia, mais afastada daquilo que realmente gostava, o contato com outras pessoas."A empresa cresceu muito, foi um grande boom, e eu me vi trabalhando no escritório, no ar-condicionado, fazendo planilha financeira. Ou seja, fazendo tudo que eu não gosto de fazer. Fiquei dentro da caixinha, dentro do sistema", relembra.

E eu fui olhar para mim, porque a felicidade não é o fim, é o processo.

Valda Nogueira/Especial para o HuffPost Brasil
Quando começou a trabalhar com ginástica laboral, aos 20 anos, ela tinha o objetivo de promover qualidade de vida.

A falência bateu à porta e Helen começou a questionar se fazia sentido continuar naquela loucura, como ela mesmo define, sem horário para terminar o expediente e, principalmente, sem ver qualquer resultado, "completamente presa". Nesse momento, decidiu olhar para dentro e procurar o que realmente fazia sentido para si mesma e havia se perdido com o crescimento da empresa.

"Quando menos você tem, mais você se tem. Aí eu fui para esse lugar de quem sou eu. E eu fui olhar para mim, porque a felicidade não é o fim, é o processo. E como eu estava sendo hipócrita de não fazer por mim aquilo que eu fazia para fora. Foi um período que eu precisava investir mais em mim", avalia.

Isso para mim é importante: as pessoas estarem amando, os olhos brilhando, para entregar o que é melhor.

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"Quando menos você tem, mais você se tem. Aí eu fui para esse lugar de quem sou eu."

Com esse processo de autoconhecimento começou a reformulação da empresa. Infelizmente, com o fim de muitos contratos que estavam firmados com grandes empresas, devido à crise financeira, alguns funcionários tiveram de ser demitidos. Aqueles que ficaram, acompanharam o processo de reformulação tocado por Helen, e sempre incentivados a acessarem o melhor de si.

"A gente começou a fazer outros treinamentos internos para mostrar que dá para cuidar de si também, e eu saí desse lugar onde eu fazia aquilo que eu não sabia fazer. Aqui todo mundo tem a liberdade de fazer o que quer e o que gosta. Se não quer, não precisa estar aqui. Isso para mim é importante: as pessoas estarem amando, os olhos brilhando, para entregar o que é melhor", afirma a fisioterapeuta.

O sistema é muito violento com todo mundo. Foi comigo: eu estava mal, deprimida, sem tempo para ficar com minhas filhas e sem dinheiro.

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Foi com um processo de autoconhecimento que começou a reformulação da empresa.

Helen também procurou expandir seus horizontes. Fez cursos voltados à sua área, e criou o que hoje é o carro-chefe do seu trabalho, os Jogos de Conexão, que ela chama de "gororoba de Helen", por unir todos os aprendizados em uma só atividade. "Eu juntei arte, processo educacional, jogos colaborativos, jogos terapêuticos, meditação. É a união de todo lugar por onde eu passei", explica. Para ela, os jogos são fundamentais para cada profissional, pessoa e até criança trabalharem o autoconhecimento.

"E é despertar o autoconhecimento dentro do lugar de leveza, harmonia e amor. É sair desse lugar que é o sistema, porque o sistema é muito violento com todo mundo. Foi comigo: eu estava mal, deprimida, sem tempo para ficar com minhas filhas e sem dinheiro, porque estava endividada", relembra.

O principal motor dos Jogos de Conexão, então, é o amor. A fisioterapeuta acredita que cada um de nós tem um papel no mundo, e se sente orgulhosa em ajudar algumas pessoas a encontrarem a si mesmas a partir do lúdico.

"Você trabalhando o lúdico, você resgata a criança interior que todo mundo tem e vai para o mundo com mais leveza. E é essa a ideia: o que eu faço, qual a minha parte? Tudo que chega até a mim é meu, qual é a minha parte que entrego pro mundo a partir do que chega para mim? Como eu posso transformar? Se chegou até mim é meu, mesmo que seja dor. Como eu vejo essa dor de forma diferente, para fazer melhor? Qual é o aprendizado que tiro diante do que eu estou sentindo. Eu tenho direito a sentir tudo, o problema é como eu trabalho esse sentir e jogo pro mundo. É esse o jogo que a gente faz", explica detalhadamente, com todo o carinho de quem já entendeu seu lugar no mundo.

Se chegou até mim é meu, mesmo que seja dor. Como eu vejo essa dor de forma diferente, para fazer melhor?

Valda Nogueira/Especial para o HuffPost Brasil
"E é despertar o autoconhecimento dentro do lugar de leveza, harmonia e amor."

Levar mais ludicidade ao mundo corporativo, tão quadrado naturalmente, não é assim tão fácil. Apesar disso, a recepção de Helen e suas propostas tem sido positivas. "Numa palestra em ambiente corporativo, já começo sem sapatos. Eu já começo diferenciando e as pessoas sentem. Vejo as pessoas tocadas: elas ficam sensíveis, choram, riem, brincam. O jogo mexe com o humano", analisa.

Hoje as suas filhas têm oito e 13 anos, e Helen só tem um arrependimento: não ter mudado de vida antes. "Hoje tem mais leveza. Elas curtem o meu trabalho. Antes elas não entendiam muito bem o que eu fazia, porque eu dizia que trabalhava com qualidade de vida mas não tinha qualidade de vida em casa, tinha dor. Hoje elas admiram, querem estar perto, aprendem muito e vão até juntas às vezes."

Um simples abraço muda muita gente.

Valda Nogueira/Especial para o HuffPost Brasil
Helen só tem um arrependimento: não ter mudado de vida antes.

A fisioterapeuta também foi a responsável no Rio de Janeiro pela Maratona do Abraço Internacional, que aconteceu no último mês em mais de 40 cidades em todo o mundo. Focada no amor que pode retribuir ao mundo, a fisioterapeuta avalia a importância do movimento.

"Um simples abraço muda muita gente. Você estar lá só disponível para um abraço, sabe? Tem pessoa que chora, abraça, ri e diz que precisa abraçar mais, que não abraça seus filhos. Naquele momento muitas crenças e dores são liberadas em um abraço. O abraço cura, o amor cura", finaliza.

Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto: Lola Ferreira

Imagem: Valda Nogueira

Edição: Andréa Martinelli

Figurino: C&A

Realização: RYOT Studio Brasil e CUBOCC

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