POLÍTICA
08/10/2018 21:35 -03 | Atualizado Há 8 horas

Jair Bolsonaro no Jornal Nacional desautoriza general Mourão e nega autoritarismo

"Jamais posso admitir nova Constituinte e não entendo o que ele quis dizer com autogolpe. Se estamos disputando as eleições, aceitamos o voto popular."

Jair Bolsonaro nega Constituinte de notáveis e possibilidade de autogolpe, como havia dito seu vice, general Mourão.
FERNANDO SOUZA via Getty Images
Jair Bolsonaro nega Constituinte de notáveis e possibilidade de autogolpe, como havia dito seu vice, general Mourão.

Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República que teve 49,2 milhões de votos no 1º turno, criticou no Jornal Nacional seu vice, general Hamilton Mourão, por declarações na primeira etapa da campanha. "O que falta a Mourão é um pouco de tato, vivência com a política; ele foi infeliz, deu canelada", admitiu Bolsonaro. A declaração foi dada na noite desta segunda-feira (8).

A bronca pública foi resposta à pergunta de William Bonner sobre a sugestão de Mourão de convocar uma Constituinte de notáveis, para reformar a Constituição Federal, e a possibilidade de um "autogolpe" em caso de caos político no Brasil.

"Ele é general, eu sou capitão, mas eu serei o presidente", disparou Bolsonaro. "Desautorizei Mourão nesses 2 momentos; ele não poderia ir além do que a Constituição diz."

O candidato do PSL endereçou suas respostas àqueles que temem que sua eleição seja uma ameaça à democracia. "Se estamos disputando as eleições, aceitamos o voto popular. Seremos escravos da Constituição", destacou. Disse, porém, que poderá propor mudanças à Constituição, como a redução da maioridade penal.

Ele negou que seu governo será autoritário. "Precisamos, sim, ter governo com autoridade e sem autoritarismo; por isso, nos submetemos ao sufrágio popular", destacou.

Aceno de Bolsonaro ao Nordeste e críticas a fake news

O deputado federal citou a Bíblia para agradecer os "quase 50 milhões de votos" que teve. Cumprimentou lideranças evangélicas, caminhoneiros, policiais, Forças Armadas, "a família brasileira que tanto clama para que seus valores sejam respeitados", homens do agronegócio e agricultores familiares.

Agradeceu à região Nordeste, onde o PT é historicamente campeão de votos. "Nunca alguém que fez oposição ao PT teve tanto voto", comemorou. Na região, o capitão reformado teve 26% dos votos válidos para presidente.

Ele diz que só não teve um desempenho melhor por conta de fake news. "Não pretendemos acabar com o Bolsa Família", avisou.

Também disse que não pretende recriar a CPMF, como havia declarado o cérebro econômico de sua campanha, Paulo Guedes, durante a primeira fase da campanha.