POLÍTICA
08/10/2018 16:49 -03 | Atualizado 08/10/2018 16:49 -03

Haddad pede rigidez do TSE contra fake news e propõe pacto a Bolsonaro

“Vamos ver se eles concordam em assinar uma carta de compromisso contra calúnia e difamação anônima nas redes sociais”, disse o candidato do PT à Presidência.

“Armar a população vai acarretar em mais mais mortes e lucro para quem produz armas. Mas não vai acarretar em mais segurança”, afirmou Haddad.
HEULER ANDREY via Getty Images
“Armar a população vai acarretar em mais mais mortes e lucro para quem produz armas. Mas não vai acarretar em mais segurança”, afirmou Haddad.

Após conquistar uma vaga no segundo turno na disputa presidencial, Fernando Haddad (PT) cobrou da Justiça Eleitoral maior rigidez no combate às fake news. Ele também propôs um pacto ao opositor, Jair Bolsonaro (PSL), para evitar a disseminação de notícias falsas.

"Vamos ver se eles concordam em assinar uma carta de compromisso contra calúnia e difamação anônima nas redes sociais", disse o petista em coletiva de imprensa em Curitiba (PR), nesta segunda-feira (8), após visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Haddad ficou em segundo lugar no primeiro turno, com 29% dos votos válidos. Bolsonaro conquistou 46%.

De acordo com o candidato, no último dia de campanha, o TSE (TRibunal Superior Eleitoral) determinou a retirada do ar de 35 notícias falsas sobre ele e a vice, Manuela D'Ávila.

Neste domingo, o filho de Jair Bolsonaro, Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), eleito senador, divulgou um vídeo nas redes sociais com informações falsas. As imagens mostram uma pessoa digitando o número "1". Em seguida, antes de digitar o "3", surgiria a foto de Haddad.

O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Minas Gerais garantiu que o vídeo foi forjado. "Os vídeos não mostram o teclado da urna, onde uma pessoa digita o restante do voto. Não existe a possibilidade de a urna autocompletar o voto do eleitor, e isso pode ser comprovado pela auditoria de votação paralela, nos mesmos vídeos abaixo", informou o tribunal, em nota.

Segurança e economia no 2º turno

Para Haddad, economia e segurança serão temas essenciais no segundo turno. Ele voltou a acenar a Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB). O petista também agradeceu o apoio do PSol e diz que tem conversado com o PSB.

De acordo com o ex-prefeito de São Paulo, o PT está disposto a fazer ajustes no programa de governo para ampliar o apoio. "Se ele [Ciro] se dispuser, vamos sentar para conversar e tratar como tratamos no primeiro turno com PCdoB, ajustar parâmetros no programa para que seja o mais representativo dessa ampla aliança democrática", afirmou.

Sobre a reforma da Constituição, Haddad deixou claro que o partido defende mudanças nas áreas tributária, bancária e política, mas disse que pode haver um debate para que as alterações não sejam feitas com a convocação de uma nova constituinte.

Para o petista, o retorno do neoliberalismo no Brasil agravaria a crise econômica, não aqueceria o mercado nem aumentaria o poder de compra da população.

Quanto à segurança, uma das bandeiras de Bolsonaro, Haddad foi taxativo sobre a flexibilização de armas. "Armar a população vai acarretar em mais mais mortes e lucro para quem produz armas. Mas não vai acarretar em mais segurança", afirmou.

Na avaliação do candidato, armar a população é uma escapatória para deixar de prestar um serviço essencial previsto na Constituição. "O Estado tem de prover segurança e se não está acontecendo, vamos inovar do ponto de vista institucional", afirmou. Ele sugeriu que a Polícia Federal assuma o controle de todas policiais do País, em um sistema coordenado de inteligência.