POLÍTICA
08/10/2018 11:52 -03 | Atualizado 08/10/2018 12:36 -03

De nanica a 2º maior: Bancada do PSL, partido de Bolsonaro, aumenta 6 vezes na Câmara

Sigla ficará atrás apenas do Partido dos Trabalhadores (PT), que contará com cerca de 56 deputados.

Jair Bolsonaro (PSL) vai disputar segundo turno com Fernando Haddad (PT).
Ricardo Moraes / Reuters
Jair Bolsonaro (PSL) vai disputar segundo turno com Fernando Haddad (PT).

Atualmente, o Partido Social Liberal (PSL), de Jair Bolsonaro, tem 8 cadeiras na Câmara dos Deputados. Após o resultado das eleições de 2018, este número aumentou mais de 6 vezes, chegando a 52. Assim, a bancada do partido é uma das que elegeu o maior número de representantes, ficando atrás apenas do Partido dos Trabalhadores (PT), que terá 56 deputados.

Na composição de 2019, a Câmara terá 513 deputados de 30 partidos diferentes, um recorde do número de legedas desde a redemocratização. Segundo dados divulgados pela Câmara dos Deputados, atualmente 25 siglas. Em 2014, esse número era maior, 28 partidos. Em 2010, menor, com 22 siglas. Em 2006, passou a 21. Em 2002, 19. Já em 1998, o número ficou em 18.

Depois do PT e do PSL, os partidos com maior representação são o Partido Progressista (PP), com 37 cadeiras, MDB (Movimento Democrático Brasileiro), com 34 e Partido Social Democrático (PSD), também com 34. Em 2014, partido de Bolsonaro havia eleito apenas 1 deputado. Atualmente, conta com 8, após trocas de parlamentares na janela partidária. Já o PT, contava 68 em 2014 e somam-se 61 deputados.

Segundo a Folha de S. Paulo, Bolsonaro venceu em cerca de 98,7% dos municípios que foram dominados pelo PSDB, partido de Geraldo Alckmin, nas três últimas eleições. Entre eles estão Rio de Janeiro, Rondônia e Piauí. Em uma eventual gestão de Bolsonaro, a estrutura da nova bancada pode ser indicar um cenário favorável ao candidato, diante da perspectiva de apoio dos parlamentares na aprovação de pautas.

Os candidatos do PSL

AFP/Getty Images
Janaina Paschoal, co-autora do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, foi eleita deputada por São Paulo.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável, foi o deputado federal mais votado da História, com 1,6 milhão de votos. Em outro recorde, Janaina Paschoal, a advogada que derrubou Dilma, foi a deputada mais votada da História do País. Ela foi eleita deputada estadual.

Outra aliada de Bolsonaro, a jornalista Joice Hasselmann (PSL) foi a segunda mais votada no Estado, com mais de 1 milhão de votos, para deputada federal. O ex-ator pornô, Alexandre Frota, foi outro deputado federal eleito pelo partido, com cerca de 152.958 dos votos. Outro filho do candidato, Flávio Bolsonaro foi o mais votado para o Senado no Rio de Janeiro.

Segundo turno

Reuters Photographer / Reuters
Jair Bolsonaro (PSL) disputará segundo turno com Fernando Haddad (PT).

Com 99% das urnas apuradas, Jair Bolsonaro, candidato do PSL, e Fernando Haddad, substituto de Lula e representante do PT na corrida pela presidência da República, disputarão o segundo turno das eleições 2018 e decidirão nas urnas quem será o sucessor de Michel Temer (MDB).

O deputado, líder das pesquisas de intenção de voto desde que o nome de Luiz Inácio Lula da Silva foi retirado das opções, recebeu 46,62% dos votos (cerca de 47 milhões), enquanto Fernando Haddad, herdeiro da vaga do ex-presidente da República, ficou com 28,5% (pouco mais de 29 milhões), na 2ª posição.

O segundo turno está marcado para 28 de outubro.

O militar ambicioso

Adriano Machado / Reuters
Bolsonaro faz comício em Taguatinguetá, município próximo de Brasília, em 8 de setembro de 2018.

Jair Bolsonaro escolheu seu lado na História ainda jovem, aos 15 anos de idade. Em 1970, auge do período de maior repressão da ditadura, tropas do Exército chegaram à cidade de Eldorado (SP), onde ele vivia, em busca do líder guerrilheiro Carlos Lamarca. Foi ali que Bolsonaro se encantou pela primeira vez com os militares e, em 1977, formou-se pela Academia Militar das Agulhas Negras.

Se na adolescência ele era chamado de "palmito" por ser branco e alto, o preparo físico rendeu a Bolsonaro o apelido de "cavalão" no Exército. Foi dessa forma que seu filho Carlos Bolsonaro se referiu ao pai há poucos dias, ao dizer que o presidenciável do PSL se recuperava bem do ataque com faca que sofreu durante a campanha. "O velho é forte como um cavalo, não é à toa que seu apelido de Exército é cavalão!', escreveu no Twitter.

O apelido dá pistas, ainda, sobre o temperamento de Bolsonaro. São conhecidas as cenasem que, no exercício do mandato de deputado federal, chama uma jornalista de "idiota", "ignorante" e "analfabeta" e, em outra ocasião, xinga um repórter de "escroto" repetidas vezes. Sempre aos berros.

Também são famosas as ofensas do candidato a mulheres, gays e negros. As declarações preconceituosas, aliadas a um discurso duro na segurança pública, construíram a imagem de Bolsonaro e seduziram o eleitorado mais conservador, contaminado pelo clamor punitivista e cansado de "tudo isso que está aí", da violência à corrupção.

Leia aqui o perfil e a trajetória do candidato publicado pelo HuffPost Brasil.